Pessoas com ansiedade e depressão têm maior risco de insegurança alimentar

Agência Lusa , CE
21 mar, 12:07
Depressão (Pexels)

O estudo, que envolveu mais de 880 pessoas, visava perceber a relação entre a insegurança alimentar e a saúde mental, tendo em conta os efeitos da pandemia da covid-19

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que as pessoas que apresentam sintomas de ansiedade e depressão são as que se encontram em maior risco de insegurança alimentar, foi esta segunda-feira revelado.

O estudo, publicado na revista científica Journal of Psychosomatic Research e que envolveu mais de 880 pessoas, visava perceber a relação entre a insegurança alimentar e a saúde mental, tendo em conta os efeitos da pandemia da covid-19.

“Procuramos estudar a relação entre a insegurança alimentar e a saúde mental de forma a considerarmos os possíveis efeitos que esta pandemia teve”, afirmou, em declarações à Lusa, Ana Sofia Aguiar, investigadora do instituto do Porto.

A insegurança alimentar é reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura como um fenómeno que ocorre quando um indivíduo não possui acesso físico, económico e social a alimentos de forma a satisfazer as suas necessidades.

Para avaliar a relação entre a insegurança alimentar e a saúde mental, a investigação teve por base um questionário ‘online’, disponível entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, no qual participaram 882 pessoas.

Os investigadores utilizaram escalas para medir os sintomas de ansiedade e depressão, bem como níveis de insegurança alimentar e informação sociodemográfica sobre os participantes.

Do total de participantes, 71% eram mulheres, 76% tinham um nível de escolaridade correspondente ao ensino superior e 78% encontravam-se a trabalhar desde o início da pandemia.

Das 882 pessoas que participaram no estudo, 6,5% revelaram sintomas de depressão e 26% sintomas de ansiedade.

“As pessoas que apresentaram sintomas de ansiedade e depressão revelaram um maior risco de estar numa situação de insegurança alimentar”, salientou Ana Sofia Aguiar.

A prevalência da insegurança alimentar na amostra foi de 6,8%, sendo que a mesma foi “significativamente maior nas pessoas com menos de 12 anos de escolaridade”.

Paralelamente, os participantes que à época ficaram desempregados devido a covid-19 também se encontravam “mais frequentemente” numa situação de insegurança alimentar, à semelhança daqueles que afirmaram ter mais cuidado com os gastos.

No decorrer do estudo, os investigadores calcularam a probabilidade de os participantes virem a estar numa situação de insegurança alimentar, tendo concluído que as pessoas com sintomas de depressão tinham uma probabilidade “cinco vezes maior” e as pessoas com sintomas de ansiedade “sete vezes maior”.

Já nos inquiridos menos escolarizados a probabilidade de estarem numa situação de insegurança alimentar foi “oito vezes maior”, comparativamente aos mais escolarizados.

Face aos resultados obtidos com a investigação, Ana Sofia Aguiar disse à Lusa ser “fundamental incluir ferramentas dirigidas à população que aumentem a sua resiliência, capacitando-as com estratégias para lidar quer com os problemas de saúde mental, quer com a insegurança alimentar”.

“Se sabemos que, de facto, são as pessoas menos escolarizadas, que têm rendimentos inferiores e que têm mais sintomas é preciso começar a intervir junto destas pessoas, primeiro a nível local e depois a nível nacional”, observou, acrescentando que a pandemia da covid-19 mostrou a “enorme discrepância entre as diferentes realidades sociais”.

“Os riscos para a segurança alimentar e nutricional foram agora aprofundados pela emergência da pandemia. Estes tipos de estudos são fundamentais durante um contexto que causou enormes alterações na sociedade, por forma a antecipar problemas acrescidos no futuro e preparar intervenções atempadas”, afirmou.

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