Novo tratamento contra o cancro quer ensinar células a deitar “ao lixo” proteínas prejudiciais

4 abr, 12:01
Os cientistas pretendem aprimorar o conhecimento já existente e além de identificar mais proteínas nocivas, esperam conseguir incentivar a degradação de proteínas direcionadas. (Pexels)

Há muito que o organismo se assume como uma das principais ferramentas de combate ao cancro. A imunoterapia veio dar palco ao sistema imunitário enquanto fonte de estímulo das defesas naturais, mas os cientistas vão agora mais longe: estão a ensinar as células a descartar resíduos celulares do corpo, mais concretamente proteínas nocivas. E novos fármacos direcionados podem sair desta aposta

Um grupo de cientistas do Centro de Degradação de Proteínas, que conta com o investimento do Instituto de Pesquisa do Cancro do Reino Unido, está a aperfeiçoar uma nova técnica de combate ao cancro que explora o próprio sistema de eliminação de resíduos celulares do corpo. O alvo são as proteínas cancerígenas, que até agora têm consigo escapar à ciência.

Estamos a dizer às nossas células: por favor, podem adicionar essa proteína prejudicial ao lixo que estão a deitar fora?”, explica o docente e chefe do centro Ian Collins, citado pelo The Guardian.

Esta técnica, em parte já presente em medicamentos promissores contra o cancro, visa eliminar do organismo as proteínas nocivas, fazendo mais do que alguns fármacos atuais, que simplesmente bloqueiam a função de tais proteínas, mas permitem que permaneçam no organismo. 

“As nossas células desenvolveram uma técnica altamente eficiente para remover proteínas nocivas”, continua a explicar o chefe do departamento de Química da Unidade Terapêutica de Cancro do Instituto de Pesquisa. Segundo o investigador, esta técnica “faz parte do dia-a-dia da vida”, porém, “os processos de degradação de proteínas das células reconhecem apenas um número específico de proteínas” e aquilo que a sua investigação pretende é ir mais longe: detetar mais proteínas dessas e deitá-las “ao lixo”. 

Na prática, o que os cientistas querem agora é aprimorar o conhecimento já existente, ou seja, além de quererem identificar mais proteínas nocivas, esperam conseguir incentivar a degradação de proteínas direcionadas, aumentando assim o leque de tratamentos direcionados.

A técnica, que está a ser aprimorada pelos cientistas coordenados por Ian Collins, está já presente num fármaco destinado à degradação das proteínas - como é o caso do lenalidomida, destinado ao tratamento do mieloma, um tipo de cancro do sangue. Este fármaco identifica a célula que iria manter a sua função de promoção do cancro, tornando-a visível para que possa ser descartada e destruída.

A degradação de proteínas é uma das novas abordagens mais promissoras da descoberta de medicamentos contra o cancro e achamos que tem um enorme potencial para tratar o cancro de forma mais eficaz e com menos efeitos colaterais”, diz o professor Kristian Helin, diretor executivo do Instituto de Pesquisa do Cancro do Reino Unido.

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