Noites mal dormidas podem deixá-lo mais egoísta

CNN Portugal , DCT
17 set, 13:00
Egoísmo (Pexels)

A ciência vem agora confirmar algo que muitos já suspeitavam: dormir mal afeta o humor. E pode mesmo deixar as pessoas com menos vontade de ajudar os outros

Uma noite mal dormida - ou sem as horas necessárias de descanso - é suficiente para retirar a vontade de ajudar, que é como quem diz, para tornar as pessoas mais egoístas. A conclusão é de um recente estudo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos.

Publicada na revista científica PLOS Biology, a investigação focou-se na replicação de estudos que já tinham levantado o véu sobre o impacto da má qualidade de sono na bondade, mas desta vez aprofundaram os mecanismos cerebrais que podem justificar esta relação, recorrendo, para isso, a imagens obtidas por ressonância magnética funcional, a questionários e a ações.

Para chegar à ligação entre má qualidade de sono e egoísmo foram criadas três fases de estudo. No primeiro, 24 jovens saudáveis foram desafiados a dormir uma noite e a passar a seguinte em branco, tendo, depois, de responder a um questionário sobre ajuda e foram submetidos a análise por ressonância magnética enquanto simulavam uma tarefa de cognição social.

O segundo estudo envolveu um desenho micro longitudinal que avaliou um total de 136 indivíduos e em que os participantes preencheram questionários de ajuda e diários de sono durante quatro dias consecutivos em condições de vida livre.

Por fim, o terceiro estudo avaliou o comportamento de doação altruísta em larga escala durante a transição anual para o horário de verão, que numa grande parte dos estados dos Estados Unidos retira uma hora de descanso. Para terem um termo de comparação, as doações deste estudo foram comparadas com três milhões de doações de caridade feitas entre os anos de 2001 a 2016 nos EUA.

“Consistente com a primeira hipótese, os participantes do estudo 1 demonstraram uma diminuição significativa no desejo de ajudar os outros em condições de privação de sono, em relação aos mesmos indivíduos quando o sono os descansava”, lê-se no trabalho, que revela que a privação de sono levou 78% dos participantes a não quererem ajudar outros. “Apoiando a hipótese, a perda de sono foi associada a uma redução significativa na atividade evocada por tarefas dentro da rede de cognição social, em relação à condição de sono em repouso”, continua o estudo.

Também nos segundo e terceiro estudos foi possível notar uma diminuição da vontade de ajudar associada à falta de descanso noturno, seja a nível de ajuda individual ou em larga escala. Nas doações em horário de verão, a vontade de ajudar caiu 10% - e foi apenas preciso uma semana neste horário para se notar o efeito.

“Este novo trabalho mostra que a falta de sono não prejudica apenas a saúde de um indivíduo, mas degrada as interações sociais entre os indivíduos e, além disso, degrada o próprio tecido da sociedade humana. Como operamos como uma espécie social – e somos uma espécie social – parecemos profundamente dependentes de quanto sono estamos a dormir”, disse Matthew Walker, um dos mentores do estudo, citado pelo EurekAlert.

 

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