Adolescentes e jovens com miocardite pós-vacinação recuperam rapidamente

6 dez 2021, 16:34
Vacinação em crianças
Vacinação em crianças

Estudo norte-americano divulgado nesta segunda-feira caracteriza esta inflamação rara no coração como uma "doença leve, com recuperação rápida na maioria dos pacientes"

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Um estudo norte-americano, divulgado nesta segunda-feira e publicado na revista científica Circulation, traz novas conclusões sobre a miocardite em crianças e jovens vacinados contra a covid-19, ou seja, casos de inflamação cardíaca que, apesar de raros, preocupam os pais.

E, segundo as conclusões, as notícias não podiam ser mais animadoras, ainda que careçam, segundo os investigadores, de estudos mais amplos e aprofundados, sobretudo numa altura em que muitos países estão já a administrar a vacina na faixa etária dos 5 aos 11 anos.

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"O nosso estudo demonstra que a miocardite relacionada com a vacinação contra a covid-19 é caracterizada por uma doença leve com resolução rápida dos sintomas na maioria dos pacientes", defendem os autores.

O estudo teve por base 139 pacientes, com idades entre os 12 e os 20 anos, de 26 centros médicos dos Estados Unidos, com suspeitas de miocardite nos 30 dias a seguir à inoculação com uma vacina mRNA (os casos da Pfizer e Moderna em Portugal). A classificação de miocardite teve por base os critérios do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla original).

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A suspeita de miocardite ocorreu na maioria dos casos (131) ligada à vacina da Pfizer e 128 (91,4%) após a toma da segunda dose.

Destes, foram confirmados 49 casos.

Dor no peito foi o sintoma mais comum

A maior parte dos pacientes eram do sexo masculino (90,6%), com uma média de idades de 15,8 anos, e os sintomas começaram com uma média de dois dias após a vacinação.

Os sintomas descritos mais comuns foram "dor no peito", em 99,3% dos casos.

A maior parte dos pacientes foram tratados com anti-inflamatórios não esteroides (AINE) e alguns não precisaram de qualquer tratamento.

No entanto, 26 destes pacientes estiveram internados em cuidados intensivos, dois foram tratados com inotrópicos (que aumentam a força de contração do coração) e nenhum precisou de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorporal), técnica de suporte vital, ou morreu.

A média de internamento hospitalar foi de dois dias.

Todos tinham elevada troponina I ou T (designação de um complexo de substâncias que regulam a contractibilidade das fibras musculares cardíacas) e a maioria (69,8%) apresentava eletrocardiogramas e/ou arritmias anormais (sete com taquicardia ventricular não sustentada).

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Os investigadores dizem, ainda, que as ressonâncias magnéticas cardíacas (cMRI) com dados "anormais" foram "frequentes".

"Apesar das evidências de lesão, a maioria dos adolescentes e jovens adultos apresentaram rápidas melhorias dos sintomas", apontam.

Os cientistas lembram, no entanto, que "faltam dados de resultados de longo prazo".

"Sublinhamos a importância de relatar suspeitas de casos de miocardite após a vacinação contra a covid-19 (...) para definir melhor as características desta síndrome e a sua relação com as vacinas covid-19", pedem.

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