Mais apetite? Micróbios nos intestinos influenciam vontade de comer

22 mai, 19:00
Nas pessoas, a microbiota intestinal pode mudar à boleia de hábitos alimentares e formas de confeção de alimentos, por exemplo (Pexels)

Os micróbios que compõem a microbiota intestinal produzem substâncias que estimulam o desejo por determinados alimentos.

Mais vontade de comer doces do que vegetais? A culpa pode ser dos micróbios que compõem a microbiota intestinal e que são capazes de estimular o desejo por determinados alimentos, mudando o padrão alimentar.

A descoberta foi feita por uma equipa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e incluiu pela primeira vez ratos de laboratório, usados comummente para simular o organismo humano. Até agora, a associação entre a microbiota e as escolhas alimentares estava apenas estudada na mosca-da-fruta.

Segundo a investigação, comprovou-se mais uma vez que o intestino e o cérebro estão em constante ligação, influenciando-se mutuamente, e que determinados tipos de moléculas atuam como intermediários e determinam se há ou não saciedade. Mas o que este estudo descobriu foi que os micróbios no intestino podem produzir algumas dessas mesmas moléculas intermediárias, retirando-as da linha de comunicação e mudando o significado da mensagem para se beneficiarem: além de terem a capacidade de aumentar a sensação de apetite, conseguem influenciar as escolhas alimentares. Uma dessas moléculas é o triptofano, um aminoácido com ação no humor, no sono e no apetite.

Para o estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas recorreram a 30 ratos de laboratório que não tinham micróbios intestinais. A estes animais foi dado um cocktail de organismos de três espécies de roedores selvagens com dietas naturais muito diferentes e os cientistas concluíram que o microbioma que receberam - e que passou a ser deles - mudou o padrão alimentar que tinham.

Os animais com diferentes composições de micróbios intestinais escolhem diferentes tipos de dieta”, explica Kevin Cohn, um dos autores da investigação.

Apesar de o estudo ter sido feito em animais, o impacto em humanos pode ser semelhante. “Estou impressionado com todos os papéis que estamos a descobrir que os micróbios desempenham na biologia humana e animal”, disse Kohl.

Nas pessoas, a microbiota intestinal pode mudar à boleia de hábitos alimentares e formas de confeção de alimentos, com a toma de determinados medicamentos (como antibióticos) e com o estilo de vida e meio ambiente. As mudanças causadas no microbioma podem ter impacto na saúde.

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