Guia Michelin: cinco novas estrelas em Portugal (e uma delas é inédita)

22 nov, 21:23
Prato do restaurante Encanto (Facebook)

Dois dos espaços são de comida japonesa, que volta a ganhar importância no guia em Portugal

Há cinco novos restaurantes no Guia Michelin de Portugal, que este ano fez aumentar, novamente, o número de estrelas na nossa gastronomia. Desde o já habituado José Avillez ao menos conhecido Paulo Alves, um total de cinco chefs juntaram-se à lista onde todos querem estar.

Com o projeto Encanto, uma aposta virada para a cozinha vegetariana, José Avillez faz história por duas vezes: torna-se no primeiro chef a conseguir uma estrela Michelin para um restaurante português que serve pratos vegetarianos, ao mesmo tempo que é o primeiro cozinheiro a receber o galardão por dois restaurantes diferentes. Recorde-se que o chef também é dono do Belcanto, restaurante com duas estrelas, e que continua mais um ano sem conseguir uma terceira estrela há muito prometida.

Também em Lisboa ficam o Kabuki e o Kanazawa, projetos de cozinha japonesa diferentes, e que surgiram em tempos diferentes. O primeiro, que fica no Hotel Ritz, é o irmão mais novo do espanhol, que tem o mesmo nome. Aberto em 2021, o Kabuki Lisboa, dirigido por Paulo Alves, junta mais uma estrela àquele hotel, depois de o Cura ter conseguido o mesmo no ano passado. Já o Kanazawa, um projeto inovador fundado pelo japonês Tomoaki Kanazawa, é agora dirigido por Paulo Morais, que consegue uma estrela que, para muitos, devia ter chegado ao restaurante há vários anos.

Do Porto chegam o Euskalduna, de Vasco Coelho Santos, e o Le Monument, de Julien Montbabut. O primeiro é outro restaurante para o qual muita gente já pedia uma estrela Michelin, num chef que foi buscar inspiração ao País Basco e à Catalunha. Quanto ao segundo, chefiado por um francês, e que fica num hotel do grupo Maison Albar.

De Passos de Silgueiros, em Viseu, chegou outra grande novidade: Portugal recebeu a terceira estrela verde, uma distinção que premeia os restaurantes que apostam na sustentabilidade. Diogo Rocha, o chef do Mesa de Lemos, foi quem recebeu o prémio. Este restaurante já tinha uma estrela Michelin desde 2019, e junta-se na categoria da sustentabilidade aos premiados do ano passado Esporão, em Reguengos de Monsaraz e Il GAllo d'oro, no Funchal.

“É sempre muito bom ouvir português numa gala como esta”, disse o chef português ao receber o galardão, deixando ainda o desafio de que se visite a sua região.

Restaurante Mesa de Lemos (Facebook)

O Mesa de Lemos distingue-se por produzir os seus produtos no local, incluindo todos os vinhos que são servidos no restaurante, e que são produzidos na Quinta de Lemos, onde fica o espaço.

Este ano, a distinção de uma estrela foi entregue pelo chef português Ricardo Costa (The Yeatman, Porto, duas estrelas Michelin), uma novidade nas cerimónias de apresentação do guia.

O Guia Michelin divulgou, a partir da cidade espanhola de Toledo, quais são os restaurantes de Portugal e Espanha distinguidos na edição de 2023.

Portugal passa a ter guia próprio

Os restaurantes portugueses distinguidos no Guia Michelin Espanha e Portugal serão anunciados a partir do próximo ano numa cerimónia autónoma, uma forma de valorizar “a crescente excelência” da gastronomia nacional, anunciou o diretor internacional da publicação.

“A partir do próximo ano, não vamos ter apenas uma celebração, mas duas, em Espanha e Portugal”, anunciou Gwendal Poullennec, na abertura da cerimónia de apresentação do guia do próximo ano, que decorreu na cidade espanhola de Toledo.

“Não vamos voltar a desvendar a seleção ao mesmo tempo, mas vamos dar aos dois destinos a sua própria celebração”, adiantou, acrescentando: “As cenas culinárias dos dois países merecem o seu próprio impulso e queremos promover melhor o que as faz únicas”, disse Gwendal Poullennec, que agradeceu ao Turismo de Portugal o apoio nesta iniciativa.

Desde o início da década de 2010, cada edição é apresentada numa cerimónia, que decorre normalmente numa cidade espanhola – apenas em 2018 Lisboa acolheu o evento.

“Com a organização de um evento próprio em Portugal, a revelação da seleção de restaurantes e a consequente implementação de conteúdos editoriais e de comunicação, que serão partilhados nas nossas diferentes plataformas, queremos contribuir para a promoção de Portugal como destino gastronómico europeu incontornável”, referiu o guia, em comunicado.

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