Est. Amadora-F.C. Porto, 2-3 (destaques)

21 mai 2001, 23:51

Quando até os erros ajudam

Motivação

Méritos iguais para as duas equipas ao encontrarem motivação num jogo que nada decidia, nada podia decidir. O prazer de fazer coisas bonitas ¿ como dizia uma figura marcante do futebol português, há não muito tempo ¿ sobrepôs-se a tudo o resto. Não contou para nada, dirão ¿ como se o orgulho fosse coisa menor no futebol. Aliás, face ao boçal anonimato de tantos jogos que contam para alguma coisa, apetece perguntar se não poderia ser sempre assim...  

Ricardo Silva

Dois golos para um central é motivo de destaque, seja em que jogo for. Não mostrou nada de novo em relação àquilo que dele se conhece. Não é subtil e elegante como Jorge Andrade, sábio como Aloísio, e ainda lhe falta um pouco de personalidade para ser tão influente como Jorge Costa. Mas tem temperamento, vontade e espírito de guerreiro para singrar no balneário das Antas. Como se viu pelo empenho que colocou nos lances.  

Cristóvão

Veloz, oportuno e decidido, explorou enquanto teve forças os buracos no flanco esquerdo portista. Da primeira vez rematou à trave, da segunda adiantou a bola um cheirinho a mais. À terceira, resolveu o lance com a calma e a simplicidade dos grandes. São golos destes que fazem com que os miúdos queiram ser jogadores de futebol... 

Capucho

No meio, ou à direita, a mesma delicadeza no toque de bola, a mesma facilidade assombrosa de fazer as coisas depressa com a tranquilidade de quem joga de pantufas. Não marcou, e o trabalho que deu origem ao segundo golo acaba por ser tradução escassa para tudo o que fez de bom. Mas seja: num jogo em que os pontos contavam tão pouco e a qualidade do futebol contou tanto, era impossível passar despercebido. 

Tiago Lemos

Todos os argumentos para ser chefe de orquestra. De preferência uma orquestra com outras ambições. Segurança a manter a posse de bola, lucidez na alternância entre jogo curto e longo, aberturas luminosas para os flanqueadores. Deu para ver muita coisa, e para ficar na expectativa em relação ao futuro. 

Rebelo

O adeus ao estádio onde passou as últimas 14 temporadas. Aos 40 anos, o mais veterano jogador da I Liga continua igual a si próprio. Sereno, discreto, eficaz na medida do possível ¿ nem se perturbou com a perturbação dos dois companheiros do eixo defensivo, um em cada parte. É também com figuras destas que se constrói a história do futebol nacional: há várias maneiras de ser grande, Rebelo escolheu a mais demorada. Aplausos.  

Erros defensivos

Nos jogos de altíssimo nível, não é suposto as defesas cometerem muito erros. Estamos conversados, portanto: este não foi um jogo de altíssimo nível. Mas nos jogos empolgantes, os erros defensivos são mais que bem-vindos: são condições quase tão importantes como a inspiração dos artistas para que os lances de perigo se sucedam. Ariomar só não foi desastroso na primeira parte porque as dificuldades sentidas perante Capucho não tiveram tradução em golos. E o seu suplente, Raúl Oliveira, errando menos, cmeteu erros mais importantes. Ovchinnikov, por seu lado, depois de um punhado de boas defesas, colaborou de forma generosa com o pontapé de Djalma. O espectáculo agradeceu. Por fim, Esquerdinha, foi de uma generosidade comovente: sem ritmo (não jogava para o Campeonato desde 1 de Abril, com o Alverca), deixou-se ultrapassar três vezes por Cristóvão e uma por Gaúcho até o Estrela marcar o primeiro.

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