Comissão parlamentar iraniana aprova portagens no Estreito de Ormuz

Agência Lusa , TFR
30 mar, 22:50
Estreito de Ormuz (CNN)

O plano inclui ainda "uma proibição de passagem para os americanos e o regime sionista"

Uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano para cobrar portagens aos navios que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz, informaram esta segunda-feira os meios de comunicação estatais.

A televisão estatal iraniana informou, citando um membro da comissão de segurança do parlamento, que o plano inclui "disposições financeiras e sistemas de portagens em rials", a moeda iraniana, bem como a cooperação com Omã, localizado do outro lado do estreito.

O plano inclui ainda "uma proibição de passagem para os americanos e o regime sionista" (Israel), bem como para outros países que impuseram sanções contra o Irão, segundo a mesma fonte.

Em tempos de paz, aproximadamente um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo transita pelo Estreito de Ormuz, que o Irão declarou encerrado à navegação após os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro.

Desde então, o tráfego marítimo caiu cerca de 95%, segundo a plataforma de rastreio marítimo Kpler. 

Com países como a Arábia Saudita e Qatar impedidos de expedir as suas exportações de petróleo e gás pela via estratégica, as repercussões estão a fazer-se sentir em todos os mercados globais de energia.

Teerão tem respondido aos ataques também com visando alvos militares e estratégicos em diversos países aliados de Washington no Médio Oriente.

As infraestruturas energéticas de países vizinhos como o Qatar e a Arábia Saudita têm sido particularmente visadas pelos mísseis iranianos, bem como outras instalações de natureza civil. 

Os Estados Unidos defenderam hoje que a situação no Estreito de Ormuz está a melhorar e que, em breve, "retomarão o controlo" desta via marítima estratégica para que os navios petroleiros possam circular pela rota sem restrições.

A garantia foi dada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, numa entrevista à estação de televisão Fox News.

"O mercado está bem abastecido e todos os dias vemos um número crescente de navios a transitar [pelo estreito], mas, com o tempo, os Estados Unidos retomarão o controlo dos estreitos e a liberdade de navegação será restabelecida, quer através de escoltas norte-americanas quer por meio de uma escolta multinacional", referiu Bessent.

Ainda assim, o representante estimou o atual défice do mercado entre 10 e 12 milhões de barris, perante o qual a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a fornecer cerca de quatro milhões de barris por dia, no âmbito da decisão dos 32 países da Agência Internacional da Energia (AIE) de libertar 400 milhões de barris das reservas de emergência. 

O risco de uma profunda crise económica mundial persegue a administração Trump, que solicitou a ajuda de países aliados para reabrir o tráfego no Estreito de Ormuz, sem conseguir apoios à sua proposta, após o que chegou a qualificar como "cobardes" os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Trump adiou até 06 de abril o ultimato a Teerão para desbloquear esta passagem estratégica, dando margem a negociações cuja existência o Irão nega, reconhecendo apenas a troca de mensagens através de intermediários como o Paquistão.

Já hoje, o Presidente norte-americano afirmou, numa mensagem publicada na sua rede social, Truth Social, que "foram alcançados grandes progressos" nas conversações "para pôr fim às operações militares [dos EUA] no Irão", sem entrar em pormenores, ao mesmo tempo que ameaçou atacar instalações energéticas e petrolíferas do país persa caso não seja alcançado um acordo.

O Presidente norte-americano assegurou no domingo que o Irão permitirá a passagem de 20 navios petroleiros através do Estreito de Ormuz como um "presente" e "sinal de respeito" para com os Estados Unidos.

As declarações de Trump surgem num contexto de aumento da presença militar de Washington no Médio Oriente, com o destacamento de cerca de 50.000 militares no total e alegados planos do Pentágono (Departamento de Defesa) para uma incursão terrestre no Irão, segundo informações divulgadas por meios de comunicação social norte-americanos. 

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