Em causa estará a cobrança de serviços marítimos, segundo Teerão, mas não portagens de trânsito. Vice-presidente dos Estados Unidos diz que cenário será discutido em negociações mais "técnicas"
O Irão pretende cobrar “taxas” por vários serviços marítimos prestados em conjunto com Omã no Estreito de Ormuz quando a via navegável for reaberta, afirmou esta segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, citado pela agência noticiosa Tasnim, ligada ao Estado. O responsável sublinhou, contudo, que a República Islâmica “não procura cobrar portagens de trânsito”.
“Sempre dissemos que não procuramos cobrar portagens de trânsito. No entanto, em contrapartida pelos serviços que iremos prestar — incluindo serviços de navegação, proteção ambiental, potencialmente seguros para navios e outros serviços oferecidos pelo Irão e por Omã — os custos necessários serão cobertos e as respetivas taxas serão cobradas”, afirmou Baghaei, segundo a Tasnim, acrescentando que a questão está agora “bastante clara”.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram no domingo ter alcançado um acordo, que deverá ser assinado na sexta-feira, na Suíça, para pôr fim às hostilidades. O texto integral ainda não foi divulgado, mas o presidente Donald Trump afirmou que os EUA levantarão o bloqueio aos portos iranianos e que o Estreito de Ormuz será reaberto sem portagens.
O responsável iraniano disse ainda que estão previstas visitas a “vários países da região e vizinhos” antes do início da reunião de Genebra, acrescentando que mais detalhes serão anunciados em breve.
Anunciou também que uma decisão final sobre o “mecanismo de assinatura” do memorando de entendimento será tomada “hoje ou amanhã”.
Reabertura sem portagens discutida em negociações mais "técnicas"
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou esta segunda-feira que a reabertura permanente e sem portagens do Estreito de Ormuz será discutida em futuras “negociações técnicas”, indicando que a questão ainda não está totalmente resolvida.
“Bem, a nossa expectativa é que o estreito seja reaberto de forma permanente e sem portagens, e esse é precisamente o tipo de assunto que iremos resolver nestas negociações técnicas”, disse Vance à CNBC. “Há muitos detalhes importantes para definir e vamos sentar-nos à mesa, discuti-los em conjunto e encontrar uma forma de avançar.”
A CNN noticiou que agências de notícias ligadas ao Irão sugeriram que o país concordou em permitir a livre circulação pelo estreito durante 60 dias, mas pretende retomar a cobrança de taxas depois desse período.
Vance afirmou que o convite ao Irão para regressar à economia mundial constitui um “ponto de influência” no âmbito do acordo, funcionando como incentivo para que Teerão cumpra o compromisso de não adquirir nem desenvolver armas nucleares.
“Dizemos aos iranianos que são bem-vindos a ter acesso a uma economia sem sanções, que são bem-vindos a ser reintegrados na economia mundial, mas apenas se honrarem os compromissos assumidos neste acordo. Esse é o nosso ponto de influência e, simultaneamente, o mecanismo de fiscalização que temos sobre o programa nuclear iraniano”, sublinhou.
“A escolha que os iranianos têm de fazer é esta: querem acesso à economia mundial? Se sim, terão de abdicar das ambições nucleares de longo prazo”, acrescentou.
*Kit Maher contribuiu para este artigo
