Irão perdeu parte significativa do controlo sobre o Estreito de Ormuz

CNN , David Goldman
18 ago, 23:16
Um homem está sentado numa prancha de surf enquanto um navio porta-contentores e outras embarcações comerciais parecem ancoradas no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, no Irão, a 27 de julho de 2026 (Razieh Poudat/ISNA/AP)
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Mais de 80% dos navios evitam esta rota

A batalha pelo controlo do Estreito de Ormuz tornou-se o ponto central da guerra com o Irão. Nos últimos meses, tanto o Irão como os Estados Unidos reivindicaram vantagem — e a retórica contraditória provocou considerável confusão e dúvidas.

Neste momento, porém, os indícios são claros: os Estados Unidos, que patrulham o estreito com a sua Marinha, estão a ganhar terreno — e o Irão está a perder grande parte do controlo sobre esta via marítima crucial.

Mais de 80% das travessias de navios pelo Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas utilizaram a rota de Omã — um corredor marítimo autorizado pelas Nações Unidas ao qual o Irão se opõe veementemente —, segundo a Kpler, que acompanha os navios através de transponders e dados de satélite.

O Irão, que declara ter o estreito sob o seu controlo, atacou dezenas de navios que tentaram atravessar esta via marítima junto à costa norte de Omã. Apesar do risco, a maioria dos navios optou recentemente por ignorar as exigências iranianas e atravessar o estreito, contando com a promessa de proteção das forças navais norte-americanas.

"Cada vez mais parece que o Irão perdeu, pelo menos parcialmente, o controlo sobre o estreito", afirma Homayoun Falakshahi, responsável pela análise de petróleo bruto na Kpler.

Um controlo em mudança

Isto contrasta fortemente com a situação de há um mês, quando a Kpler praticamente não registava tráfego marítimo através da rota de Omã. A forte redução do tráfego na rota preferida pelo Irão impediu Teerão de cobrar portagens aos navios que atravessam o estreito — como fez na primavera.

O fim, esta semana, do Memorando de Entendimento entre os Estados Unidos e o Irão permite, em teoria, que o Irão volte a cobrar portagens. Mas, segundo a Kpler, o país não parece ter conseguido fazê-lo.

"O pedido do Irão para cobrar portagens é algo que a maioria dos países do Médio Oriente não quer fazer e não tem feito", diz Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners. "Por isso, a rota de Omã faz absolutamente mais sentido."

O Kuwait, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos fretaram Very Large Crude Carriers (VLCC), os maiores navios-tanque de petróleo, para transportar petróleo do Golfo Pérsico através do Estreito de Ormuz e, depois, transferi-lo para navios-tanque dos clientes fora da zona de perigo, no Golfo de Omã, segundo Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.

Para escapar aos ataques iranianos, têm desligado os seus transponders, muitas vezes durante semanas. Este chamado tráfego clandestino parece também ter escapado a alguns serviços de monitorização de dados, como a Kpler. Embora alguns navios possam ser detetados por satélite, são mais difíceis de acompanhar através dos meios tradicionais.

Mas os Estados Unidos, com uma presença militar significativa no mar, têm capacidade para monitorizar todos os navios que atravessam o estreito e reportaram números de transporte de petróleo significativamente superiores à maioria das estimativas tradicionais anteriormente divulgadas.

O secretário da Energia, Chris Wright, afirmou na semana passada que o volume combinado de petróleo transportado através do estreito e desviado em torno desta via marítima atingiu cerca de 15 milhões de barris por dia ao longo de uma semana — um valor muito mais próximo da média de 20 milhões de barris registada antes da guerra.

Falta de clareza

Isto levou o presidente Donald Trump a declarar, na segunda-feira, que os Estados Unidos têm "controlo total sobre o estreito", uma afirmação questionável que tem repetido frequentemente ao longo do conflito. Os ataques contínuos do Irão e os fluxos de petróleo ainda muito abaixo dos níveis anteriores à guerra sugerem que os Estados Unidos não controlam totalmente o Estreito de Ormuz.

Mas o Irão também não.

"Se o objetivo deles é estar 'no comando', então diria que, para começar, nunca tiveram um controlo total", defende Pickering. "Parece-me que o objetivo deles é a dissuasão, para serem reconhecidos como estando no controlo. Acho que continuam a exercer essa dissuasão."

Mas, se os navios-tanque estão realmente a conseguir transportar através do estreito tanto petróleo quanto os Estados Unidos afirmam, então a capacidade de dissuasão do Irão e o seu controlo sobre o Estreito de Ormuz diminuíram em comparação com o que eram há um ou dois meses.

A situação é ainda mais complicada pelo facto de Omã e o Irão estarem em conversações para restaurar a liberdade de navegação através do estreito — sem a participação dos Estados Unidos —, para grande desagrado de Trump. Não é claro de que forma essas discussões poderão afetar o tráfego de petróleo ou o controlo sobre esta via marítima.

"Eu trataria toda a informação e todas as notícias com prudência", observa Lipow. "Mas é justo dizer que o Irão perdeu parcialmente o controlo sobre o estreito."

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