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Irão intensifica a guerra através do mar. Eis os riscos que se seguem

CNN , Issy Ronald
12 mar, 09:33
Uma vista de satélite do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica entre o Irão e Omã que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico. Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2025/Getty Images

 

 

EUA atacam navios iranianos enquanto Estreito de Ormuz permanece bloqueado

O Irão pode estar em desvantagem em termos de armamento e de recursos financeiros face aos EUA e Israel, mas tem uma grande vantagem — o controlo do Estreito de Ormuz.

Ao atacar navios que navegam por esta estreita via, o Irão praticamente bloqueou a rota, através da qual passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo. Agora, Teerão também terá minado o estreito, dissuadindo ainda mais navios de tentarem a travessia e marcando uma nova escalada da guerra.

Aqui está o que precisa de saber:

O que está a fazer o Irão?

Nos últimos dias, o Irão começou a colocar algumas dezenas de minas no estreito, segundo duas pessoas familiarizadas com informações de inteligência dos EUA sobre o assunto. A colocação de minas não é extensa, mas o Irão ainda mantém entre 80% a 90% das suas pequenas embarcações e navios minadores, disse uma fonte à CNN, contradizendo a afirmação do Presidente dos EUA, Donald Trump, de que Teerão “não tem marinha”.

Esta ação sublinha a dependência do Irão na guerra assimétrica e o caos que estas táticas podem causar, mesmo enquanto o país é atingido por ataques aéreos dos EUA e de Israel.

Na quarta-feira, Trump criou confusão sobre o assunto, afirmando não acreditar que o Irão tivesse conseguido colocar minas e que os EUA tinham destruído “quase todos” os seus navios de colocação de minas.

A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), uma organização britânica gerida pela Marinha Real que fornece informações de segurança a partes interessadas, também alertou que “não há ainda evidência confirmada de colocação ou detonação de minas” na via marítima.

O Irão possui cerca de 5.000 a 6.000 minas navais, estimou um relatório do Congresso dos EUA no ano passado. Esse total inclui muitos tipos diferentes de minas, explicou o relatório. Algumas são minas limpet, geralmente colocadas manualmente no casco de um navio por um mergulhador; outras são minas ancoradas, que flutuam pouco abaixo da superfície e explodem ao entrarem em contacto com um navio; e algumas são minas de fundo, que repousam no leito do mar antes de detonarem quando detectam uma embarcação próxima.

As minas são apenas uma parte da ameaça que o Irão representa no estreito.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma força militar que possui a sua própria marinha, ainda é capaz de lançar uma "barreira" de minas, barcos suicidas carregados de explosivos e baterias de mísseis baseadas em terra, levando uma fonte norte-americana a descrever o estreito como o “Vale da Morte”.

Isso ficou evidente na terça-feira, quando os guardas afirmaram ter disparado contra o cargueiro de bandeira tailandesa Mayuree Naree enquanto este tentava atravessar, causando uma explosão na sala das máquinas do navio. Três dos 23 tripulantes, que se acreditava estarem de serviço na sala das máquinas, continuam desaparecidos, segundo as autoridades tailandesas. Outro navio, o Express Rome, de bandeira liberiana, também foi atingido por projéteis iranianos na mesma manhã, acrescentaram as forças armadas do Irão.

O navio tailandês Mayuree Naree em chamas após um ataque no Estreito de Ormuz na quarta-feira. Royal Thai Navy

Como respondeu os EUA?

O Comando Central dos EUA disse na terça-feira que destruiu múltiplos navios navais iranianos — incluindo 16 navios minadores — perto do estreito, embora não tenha mencionado a destruição de quaisquer minas, que podem já ter sido colocadas.

Mais cedo, Trump publicou na Truth Social: “Se o Irão colocou alguma mina no Estreito de Ormuz, e não temos relatos de que o tenha feito, queremos que sejam removidas, IMEDIATAMENTE!”

Se o Irão não removesse quaisquer minas que pudesse ter colocado, o país enfrentaria consequências “a um nível nunca antes visto”, acrescentou Trump. No entanto, se removesse “o que poderá ter sido colocado, será um grande passo na direção certa!”

As capacidades americanas de varredura de minas no Golfo Pérsico não são tão fortes como outrora. A Marinha dos EUA desativou o último dos seus quatro navios dedicados à varredura de minas na região em setembro passado, deixando-se dependente de navios menos especializados.

Na altura, o Comando Naval Central dos EUA disse que quatro navios de combate litoral (LCS) assumiriam a responsabilidade pela varredura de minas. No entanto, estas embarcações têm um historial de problemas, levando os seus críticos a apelidá-las de “Little Crappy Ships” (“Pequenos Navios Péssimos”).

O que está em jogo?

O navio de carga Galaxy Globe e o petroleiro Luojiashan estão ancorados em Mascate, Omã, na segunda-feira, enquanto o Irão prometia fechar o Estreito de Ormuz. Benoit Tessier/Reuters

Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer intransitável, mais graves serão as implicações para a economia global.

Com o estreito efetivamente fechado, quase 15 milhões de barris por dia (BPD) de crude e 4,5 milhões de BPD de petróleo refinado permanecem presos no golfo, segundo analistas, significando que os depósitos de armazenamento em toda a região estão a encher rapidamente.

Mesmo em tempos de paz, é necessária grande perícia para navegar pelo estreito, com o seu canal estreito e tráfego intenso. As minas acrescentam perigo a qualquer embarcação que tente passar e dificultam ainda mais a reabertura do estreito.

As reservas de petróleo do Irão são as terceiras maiores do mundo
O Irão detém cerca de 13% das reservas mundiais de petróleo, segundo os dados mais recentes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Principais países por reservas de petróleo bruto, 2024, em milhares de milhões de barris
Nota: Os dados excluem as areias betuminosas, exploradas principalmente pelo Canadá.
Fonte: Organização dos Países Exportadores de Petróleo
Gráfico: Rosa de Acosta e Jhasua Razo, CNN

Trump propôs fornecer escoltas para os navios que transitam o estreito, mas isso envolveria colocar navios de guerra em perigo apenas para proteger navios petrolíferos, sem vantagem estratégica óbvia para a guerra em si.

Embora existam algumas outras opções para exportar crude através de oleodutos, o maior exportador de petróleo do mundo, a Saudi Aramco, avisou na terça-feira sobre as potenciais “consequências catastróficas” para os mercados de petróleo se os fluxos não forem retomados através do estreito.

Isto já aconteceu antes?

Sim. Durante a guerra Irão-Iraque na década de 1980, ambos os países atacaram os petroleiros um do outro no Golfo Pérsico. A marinha iraniana colocou minas perto do Estreito de Ormuz, e uma delas chegou a atingir um navio de guerra dos EUA, o USS Samuel B. Roberts, em abril de 1988.

O navio sofreu danos substanciais, e a administração Reagan retaliou danificando ou afundando três navios de guerra iranianos e três plataformas petrolíferas, reduzindo drasticamente a capacidade de Teerão de atuar no golfo.

Natasha Bertrand, Brad Lendon, Catherine Nicholls, Tim Lister e Sophie Tanno contribuíram para esta reportagem

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