Mitsui OSK Lines avisa que os armadores não deverão atravessar a passagem estratégica durante "semanas ou até um mês"
Foram mais de três meses com a navegação no Estreito de Ormuz em suspenso, mas após alcançado um entendimento entre EUA e Irão o presidente norte-americano, Donald Trump, já fala numa rota “segura, protegida e imaculada”, pronta a ser navegada.
Ainda assim, uma das maiores operadoras mundiais de petroleiros garantiu ao Financial Times (FT) que pode demorar até ser reposta a normalidade das travessias naquela passagem estratégica.
O diretor-executivo da Mitsui OSK Lines (MOL), Jotaro Tamura, afirmou que os armadores não deverão retomar a navegação pela via marítima durante semanas, até que seja claro que o acordo fechado este domingo é “concreto”.
“O que terá de ser implementado não é apenas um simples acordo entre os países envolvidos. Tem de ser concreto e traduzir-se em situações reais no Estreito de Ormuz, para que as companhias marítimas se sintam à vontade para atravessá-lo”, sublinhou, recordando as várias tentativas falhadas de reabrir a rota ao longo do conflito.
Com base nas experiências dos últimos dois meses, disse o responsável, “é razoável supor que isso possa demorar pelo menos algumas semanas ou talvez até um mês”.
A empresa opera mais de 900 navios. Desses, mais de 200 transportam petróleo bruto, produtos petrolíferos e produtos químicos, tornando a MOL na maior operadora de petroleiros do mundo em número de embarcações.
O diretor marítimo da Intertanko, uma associação da indústria de petroleiros, Philip Belcher, também mantém reservas em relação à retoma imediata das travessias. “Deve ser adotada uma abordagem cautelosa”, afirmou, acrescentando que cada navio deve realizar uma avaliação de risco específica para cada embarcação, antes de iniciar viagem.
A Organização Marítima Internacional, um órgão que integra a própria ONU, está, entretanto, a avaliar a viabilidade de os navios transitarem e realizarem o comércio de forma segura, evitando possíveis perigos como minas, bem como o congestionamento que poderia levar a acidentes”, declarou Arsenio Dominguez, secretário-geral da organização, citado pelo FT.
