O que é o Estreito de Ormuz e porque é tão importante?

CNN Portugal | CNN
2 mar, 21:03
Dois dhows tradicionais passam por um grande navio porta-contentores no Estreito de Ormuz em 2023. (Jon Gambrell/AP)

Em termos de economia mundial, há poucos sítios tão importantes do ponto de vista estratégico

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou, esta noite, que fechou o Estreito de Ormuz, a rota petrolífera mais importante do mundo, de acordo com a agência Reuters, que cita Ebrahim Jabbari, um conselheiro sénior do comandante-chefe da Guarda.

As forças iranianas avisam ainda que atacarão qualquer navio que tente passar pelo estreito.

"O estreito [de Ormuz] está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha atacarão esses navios", disse Jabbari em declarações divulgadas pela imprensa estatal.

O responsável iraniano afirmou ainda que os americanos estão "sedentos pelo petróleo da região" e que o Irão "atacará os seus oleodutos na região e não permitirá a exportação de petróleo dessa área".

Em termos de economia mundial, há poucos sítios tão importantes do ponto de vista estratégico. A via navegável, situada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, tem apenas 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito. É a única forma de transportar o crude do Golfo Pérsico, rico em petróleo, para o resto do mundo. O Irão controla o seu lado norte.

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Cerca de 20 milhões de barris de petróleo, cerca de um quinto da produção global diária, passam pelo estreito todos os dias, de acordo com a Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA), que considerou o canal um “ponto crítico de estrangulamento do petróleo”.

A influência geográfica sobre o transporte marítimo global dá ao Irão a “capacidade de causar um choque nos mercados petrolíferos, fazer subir os preços do petróleo, fazer subir a inflação, fazer colapsar a agenda económica de Trump”, afirmou à CNN Mohammad Ali Shabani, especialista em Irão e editor do canal de notícias Amwaj.

Quando se trata de transportar petróleo, o Estreito é, na verdade, muito mais estreito do que a sua largura oficial de 33 quilómetros. As rotas de navegação para os enormes superpetroleiros têm apenas cerca de três quilómetros de largura em cada direção, exigindo que os navios passem pelas águas territoriais iranianas e omanenses.

O encerramento do Estreito seria particularmente prejudicial para a China e outras economias asiáticas que dependem do petróleo bruto e do gás natural transportados através da via navegável. A EIA calcula que 84% do petróleo bruto e 83% do gás natural liquefeito que passaram pelo Estreito de Ormuz em 2024 se destinaram aos mercados asiáticos.

A China, o maior comprador de petróleo iraniano, abasteceu-se de 5,4 milhões de barris por dia através do Estreito de Ormuz no primeiro trimestre de 2025, enquanto a Índia e a Coreia do Sul importaram 2,1 milhões e 1,7 milhões de barris por dia, respetivamente, de acordo com as estimativas da EIA. Em comparação, os EUA e a Europa importaram apenas 400.000 e 500.000 barris por dia, respetivamente, no mesmo período, de acordo com a EIA.

*Artigo originalmente publicado em junho de 2025 mas editado sem o contexto de então

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