"Tudo seria varrido do mapa": primeira-ministra da Estónia receia que possível invasão russa possa "destruir por completo" os países Bálticos

23 jun, 14:19
A primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas (AP Photo/Sergei Grits)

Kaja Kallas falou com militares estrangeiros destacados na Estónia, que lhe confessaram que, ao abrigo dos atuais planos da NATO, o país seria praticamente eliminado perante uma eventual invasão russa

Desde o início da invasão russa da Ucrânia que vários países do Leste europeu manifestam preocupação com a possibilidade deste conflito extravasar para o seu território. A primeira-ministra da Estónia fez este exercício e diz não ter dúvidas de que uma eventual invasão russa resultaria numa "destruição por completo" dos países Bálticos, nomeadamente Estónia, Letónia e Lituânia.

"Se compararem a dimensão da Ucrânia e dos países Bálticos, os nossos países e culturas ficariam completamente destruídos", afirma Kaja Kallas, em entrevista ao Financial Times.

A governante vai mais longe e admite mesmo que a Estónia seria "varrida do mapa" nesta situação: "Quem já foi a Tallinn [capital da Estónia] e conhece a nossa velha cidade e os séculos de história e de cultura que contempla - tudo isso seria varrido do mapa, incluindo as pessoas, a nossa nação." 

E tudo isto perante os olhos da NATO, cujos atuais planos de defesa não seriam suficientes para travar uma situação destas, adverte Kaja Kallas. A primeira-ministra contou nesta entrevista que falou com militares estrangeiros destacados na Estónia - a maioria proveniente do Reino Unido - e que lhe confessaram que, ao abrigo dos atuais planos da NATO, o país seria praticamente eliminado perante uma eventual invasão russa.

Face a estas preocupações, os governos da Estónia, Letónia e Lituânia estão a pressionar a NATO para que substitua a atual estratégia de destacar milhares de militares estrangeiros em cada país por uma nova estratégia, assente na defesa de cada centímetro do território.

A resposta da NATO

Citado pelo Financial Times, um funcionário da NATO garantiu que a aliança atlântica "tem planos para travar ameaças e defender todos os aliados". "Mas nunca entrámos em detalhes operacionais", acrescentou, respondendo assim a Kaja Kallas.

A mesma fonte lembrou que o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, já deixou claro que o fortalecimento da defesa dos aliados será "uma das principais decisões" a ser discutida na cimeira da próxima semana, que irá decorrer em Madrid.

“Vamos fazer mais ainda para garantir que conseguimos defender cada centímetro do território, em qualquer altura e contra qualquer ameaça. Vamos adaptar a estrutura de forças da NATO com mais forças em estado de prontidão. Também teremos mais formações avançadas de combate da NATO, com o objetivo de fortalecer os grupos de batalha no leste”, acrescentou, citado pelo Financial Times.

A primeira-ministra da Estónia sugeriu que a NATO faça uma divisão tripartida das suas tropas, dividindo os cerca de 25.000 militares por cada um dos países Bálticos. Mas isso não significa que todos os militares seriam estrangeiros ou que teriam de estar permanentemente destacados no país, sublinhou, propondo que milhares de militares da Estónia, Letónia e Lituânia - entre 3.000 a 5.000 - sejam incluídos numa brigada de tropas estrangeiras no país.

Por sua vez, a Alemanha propõe uma “brigada de combate robusta” de militares na Lituânia - a adicionar ao batalhão já existente de cerca de 1.000 soldados - mas com a maioria dos soldados destacados na Alemanha, com a possibilidade de se deslocarem para países os Bálticos em pouco tempo.

Questionada sobre este modelo alemão, Kaja Kallas foi peremptória: WEu não estaria tão fixada nos diferentes modelos a aplicar, desde que consigam garantir que somos capazes de nos defendermos a nós próprios desde o primeiro dia."

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