Cuidado a comprar alimentos online. Pode faltar informação importante

CNN , Madeline Holcombe
29 jan, 10:00
Cuidado com as compras de alimentos online. Pode faltar informação importante

Informação obrigatória quando vamos ao supermercado não está disponível quando se compra pela Internet

Quando a Covid-19 apareceu nos Estados Unidos, um dos primeiros setores da vida que foi revirado foram as compras de supermercado: os corredores ficaram vazios, enquanto o público se abastecia e, depois, as pessoas recorreram às compras online para se manterem seguras em casa.

No entanto, a transição online não foi perfeita, de acordo com um novo estudo publicado na quinta-feira.

Os alimentos embalados são obrigados por regulamentos federais a ter informações nutricionais e indicar os ingredientes incluídos aos consumidores, quando estes fazem as compras em supermercados físicos. Contudo, as informações de alguns produtos em muitos supermercados online não foram incluídas, segundo o estudo publicado na revista Public Health Nutrition.

“Acho que há a ideia errada de que as pessoas não leem os rótulos dos alimentos”, afirmou a co-autora do estudo Jennifer Pomeranz, professora assistente de Política e Gestão de Saúde Pública na Escola de Saúde Pública Global da Universidade de Nova Iorque. “Pessoas que foram diagnosticadas com uma doença ou que estão em risco de doença, idosos, pessoas com crianças... Pessoas com alergias. As pessoas leem os rótulos dos alimentos por razões diferentes e é extremamente importante por motivos de segurança.”

O estudo analisou os 10 principais produtos nacionais embalados em nove lojas online no início de 2021 e descobriu que os dados nutricionais e as listas de ingredientes não foram incluídos de todo em quase 11% dos produtos. Nos produtos que os continham, 63% não revelaram a presença de alergénios alimentares comuns, segundo o estudo.

A Food and Drug Administration dos Estados Unidos especifica as informações que têm de estar disponíveis para os consumidores. Isto inclui o tamanho das porções, calorias, açúcares adicionados, alergénios, ingredientes e valores diários de sódio, açúcar, hidratos de carbono, gorduras e proteínas.

“Diria que não divulgar o painel de informações nutricionais e a lista de ingredientes, incluindo alergénios, é um ato injusto ou enganoso”, afirmou Jennifer Pomeranz.

O estudo tem uma limitação em relação ao tamanho da amostra, que é pequeno, explicou Wendy White, gerente da indústria de alimentos e bebidas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, que não estava afiliada com o estudo. A gerente acrescentou que a pequena amostra pode limitar a capacidade da investigação de fornecer uma visão precisa do estado das informações nutricionais online.

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Num mundo em que as pessoas estão cada vez mais conscientes sobre o que os seus alimentos contêm, Pomeranz especula que omitir as informações nutricionais é uma estratégia para vender alimentos embalados.

Porém, Wendy White acha que a questão está mais relacionada com logística do que com estratégia.

“A pandemia mudou tudo para todos”, afirmou White. “Acelerou realmente o crescimento das vendas (online) de uma maneira que ninguém poderia prever e, de repente, tornou-se um problema de primeiro plano.”

“Esta é uma desculpa como qualquer outra, mas acho que, com a pandemia, muitos supermercados foram apanhados de surpresa e tiveram de preparar as suas plataformas de comércio eletrónico online muito, muito rapidamente", acrescentou.

Para uma empresa que deseja levar muitos produtos a muitas pessoas rapidamente, é muito mais fácil colocar uma fotografia da embalagem online do que garantir que todas as informações estão facilmente acessíveis, explicou.

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA é responsável por regular as práticas de colocação dos rótulos e, embora White tenha afirmado que a agência tomou medidas para resolver a falta de informações online, este processo pode demorar.

“Creio que a FDA está, de facto, a tomar medidas para corrigir a lacuna que temos atualmente em alguns tipos de vendas de alimentos online, mas infelizmente a velocidade a que a FDA pode criar e reforçar os regulamentos é notavelmente lenta”, afirmou.

No passado, a FDA recomendou que a informação nutricional seja semelhante à do produto correspondente na loja, mas “reconhecemos que a maioria das nossas exigências na colocação dos rótulos precedem as práticas de venda online”, afirmou a porta-voz da FDA Courtney Rhodes. A agência tem aprendido mais sobre a divulgação dos rótulos online para fazer recomendações informadas e discutiu o assunto numa cimeira de comércio eletrónico em outubro.

“A FDA prevê envolver-se ainda mais com as partes interessadas no assunto para dar a conhecer os próximos passos”, afirmou a porta-voz.

As pessoas têm de saber

Seja por alergia, diabetes, hipertensão ou mesmo apenas por ter cuidado com a saúde, White explicou que muitas pessoas são cautelosas com o que comem.

“Entender o que está num produto, especialmente um produto processado, é vital para muitos consumidores”, afirmou White.

Os EUA têm normas e regulamentos sobre como as empresas devem divulgar informações nutricionais, que indicam os ingredientes que estão nos alimentos e a quantidade de elementos potencialmente prejudiciais, como sódio e açúcar, que uma porção contém.

“Os consumidores norte-americanos habituaram-se a poder aceder a estas informações com muita facilidade. Eles estão habituados a ir ao supermercado, pegar numa lata, ler o rótulo e entender exatamente o que está naquele produto”, explicou White.

Embora a implementação de políticas a nível nacional possa ser lenta, os consumidores podem promover a transparência dos supermercados online através da seleção do sítio onde gastam o dinheiro, afirmou Pomeranz.

“As lojas online têm a capacidade de seguir o que compramos e o que pesquisamos na Internet, por isso, é importante que as pessoas saibam que não estão a fazer compras numa folha em branco”, explicou. “Com esse conhecimento, vale a pena procurar supermercados que forneçam as informações.”

Pomeranz acrescentou: “Está a tornar-se um assunto mais popular entre os consumidores mais jovens e, obviamente, eles podem ter muito poder de compra. Por isso, seria uma mais-valia para os supermercados competirem nesta questão de transparência.”

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