Palavras de um eurodeputado francês enfureceram a administração Trump
Um debate histórico entre o lado de cá e o lado de lá do Atlântico, ainda que alguns acontecimentos tenham sido ignorados. E no meio está a Estátua da Liberdade, icónico monumento da cidade de Nova Iorque que foi oferecido por França para comemorar o centenário da independência dos Estados Unidos.
Tudo começou quando o eurodeputado francês Raphaël Glucksmann, do partido de centro-esquerda Espaço Público, acusou os Estados Unidos de terem mudado de lado no alinhamento geopolítico mundial.
Perante esse cenário, o eurodeputado pediu aos Estados Unidos que devolvam a Estátua da Liberdade: “Vamos dizer aos norte-americanos que escolheram o lado de tiranos, aos norte-americanos que despediram investigadores que exigem a liberdade científica: ‘Devolvam-nos a Estátua da Liberdade’”.
“Demo-la como presente, mas aparentemente desprezam-na. Assim, será melhor estar aqui, em casa”, reiterou.
Apesar de este ser um claro fait-diver, o caso chegou mesmo à Casa Branca, onde a porta-voz escolheu não ignorar o assunto, para atirar com veemência à nação francesa.
“Nem pensar”, começou por dizer Karoline Leavitt, que depois foi mais longe: “O meu conselho para este político francês desconhecido de baixo nível é que se relembrem que é só por causa dos Estados Unidos da América que os franceses não estão a falar alemão agora”.
Isto numa clara referência à decisiva intervenção dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, nomeadamente a partir do Dia D, e que foi decisiva na expulsão das tropas da Alemanha do território francês, que foi em grande parte ocupado por Adolf Hitler entre 1939 e 1945.
“Eles deviam ser mais gratos”, reiterou Karoline Leavitt, sem fazer qualquer referência ao que aconteceu em 1776 e nos anos que se antecederam, com França a dar uma ajuda decisiva para que os Estados Unidos se tornassem independentes de Inglaterra – basta lembrar que a praça nas traseiras da Casa Branca ainda tem uma estátua do Marquês de La Fayette, francês decisivo nessa luta norte-americana.
O próprio Raphaël Glucksmann já veio reagir às palavras vindas da Casa Branca, nomeadamente para agradecer às tropas norte-americanas que ajudaram na libertação de França e da Europa. Mas também aproveitou para dizer aos norte-americanos que merecem muito mais do que "traição à Ucrânia e à Europa, xenofobia, obscurantismo".
Dear Americans,
— Raphael Glucksmann (@rglucks1) March 17, 2025
Since the White House press secretary is attacking me today, I wanted to tell you this ⤵️