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Há polémica em Moscovo por causa de uma estátua do único homem que ainda está à frente de Putin

23 mai 2025, 17:18
Metro de Moscovo inaugura monumento a Estaline (AP Photo/Pavel Bednyakov)

Metro de Moscovo tem uma nova estátua dedicada ao "Líder e Comandante", mas nem todos ficaram especialmente agradados com o monumento

É o único homem que está à frente de Vladimir Putin na liderança da Rússia desde que acabou o tempo dos czares. Agora, Josef Estaline tem mais um monumento em Moscovo, ainda que a estátua esteja a causar alguma polémica.

É que há debate em torno do monumento erigido no metro da capital, com alguns russos a defenderem que se trata de um tributo histórico ao homem que liderou a União Soviética por 29 anos, enquanto outros dizem que é um erro comemorar a figura de uma pessoa que causou tanto sofrimento.

A estátua, construída em tamanho real, localiza-se na estação de metro de Taganskaya, e mostra Estaline num dos momentos em plena Praça Vermelha perante uma multidão de soviéticos. Trata-se de uma recriação de um monumento que tinha sido colocado naquela mesma estação em 1950, três anos antes da morte do ditador.

O metro de Moscovo lembra que a estátua original se perdeu em 1966, na altura da reconfiguração daquela estação.

Agora, a Rússia volta a recordar o homem que esteve na base da execução de cerca de 700 mil pessoas entre os anos de 1937 e 1938, numa purga em que perseguiu ferozmente os seus inimigos, nomeadamente com a criação dos campos de trabalho forçado, os famosos gulag.

Em comunicado, o metro de Moscovo sublinha que esta estátua, ali colocada desde 15 de maio, é um “presente” para os passageiros que por ali passam todos os dias, numa altura em que a estação celebra 90 anos.

Metro de Moscovo inaugura monumento a Estaline (AP Photo/Pavel Bednyakov)
"Gratidão do Povo ao Líder e Comandante” é o nome do monumento (AP Photo/Pavel Bednyakov)

O título original da obra, “Gratidão do Povo ao Líder e Comandante”, é dedicado a Estaline e ao seu papel na vitória conseguida pela União Soviética na Segunda Guerra Mundial, que este ano atingiu o número redondo de 80 anos.

Yevgeny Ivanov, que vive em Moscovo e já aproveitou para visitar o monumento, diz à agência Reuters que “este homem criou muito”. “Tem algo com que se orgulhar. Não nos cabe a nós mandá-lo abaixo. Um homem que fez alguma coisa - devemos respeitar o que fez”, refere.

Kirill Frolov é mais cauteloso. Aponta que há um misto de sentimentos em relação ao ditador, pelo que não podemos dizer simplesmente que o seu registo é “bom”. Ainda assim, entende que o papel de Estaline na Segunda Guerra Mundial e na industrialização da União Soviética deve ser relembrado.

“Este homem fez mais pelo nosso país do que ninguém. Penso que é por isso [que o monumento] é bom e devia haver mais… porque esta geração de 2000 e mais tarde não percebe exatamente quem foi”, reitera.

Mas há quem tenha uma visão diferente. A ala liberal do partido Yabloko já veio apresentar um protesto formal, acusando o Kremlin de fazer regressar um “tirano e ditador” e pedindo ao metro da capital que se concentre em comemorar antes as vítimas.

“O regresso de símbolos do Estalinismo a Moscovo é cuspir na face da história e um ato de gozo para com os descendentes dos oprimidos”, escreveu o partido em comunicado.

Nos primeiros momentos após a inauguração, a estátua chegou a ter dois sinais com frases em que Vladimir Putin e Dmitry Medvedev, presidente e ex-presidente da Rússia, criticavam o ditador. Os cartazes foram retirados entretanto.

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