"Até na Alemanha de Hitler as pessoas podiam fugir": Robert F. Kennedy Jr. compara vacinas obrigatórias ao regime Nazi

24 jan, 22:09
Robert F. Kennedy Jr

Declarações polémicas do sobrinho do antigo presidente dos Estados Unidos associam as medidas de combate à pandemia ao regime totalitário, sugerindo até que Anne Frank estava numa situação melhor quando tentou fugir

Robert F. Kennedy Jr, sobrinho do antigo presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, fez uma comparação entre a vacinação obrigatória contra a covid-19 e o regime da Alemanha Nazi, durante um discurso numa manifestação em Washington.

O também filho do antigo senador e candidato presidencial, Robert F. Kennedy, tornou-se uma das principais figuras do movimento anti-vacinação nos Estados Unidos, onde alguns estados já decretaram a inoculação como obrigatória. 

“Até na Alemanha de Hitler, as pessoas podiam fugir para a Suíça, pelos Alpes, ou podiam esconder-se num sótão, como fez Anne Frank“, começou por afirmar Robert F. Kennedy Jr, citado pela CNN, no Lincoln Memorial, acrescentando: “Eu visitei a Alemanha Oriental, em 1962, com o meu pai e conheci pessoas que tinham subido o Muro e tinham conseguido escapar – era possível escapar. Muitos morreram, é verdade, mas era possível…”. 

O discurso, que contou com uma referência a Anne Frank - a adolescente judia que se escondeu num sótão e acabou por ser apanhada e enviada para um campo de concentração, onde viria a morrer - gerou controvérsia, sobretudo nas redes sociais. As declarações são, contudo, historicamente imprecisas, uma vez que Kennedy ignora o facto de que Anne Frank e cerca de seis milhões de outros judeus foram assassinados pelos nazis. 

O Auschwitz Memorial respondeu às declarações de Robert Kennedy, através do Twitter, alegando que “explorar a tragédia de pessoas que sofreram, que foram humilhadas, torturadas e assassinadas pelo regime totalitário da Alemanha Nazi – incluindo crianças como Anne Frank – num debate sobre vacinas e medidas restritivas durante uma pandemia é um triste sintoma de decadência moral e intelectual”.

Robert F. Kennedy Jr., de 68 anos, já tem um historial de disseminação de desinformação sobre vacinas. A manifestação deste domingo, anunciada como um protesto contra a obrigação de vacinação, contou com oradores que repetidamente espalharam desinformação sobre vacinas e exibiu várias comparações preconceituosas com o Holocausto, relata a CNN. Pelo menos um homem foi visto a exibir uma estrela de David, que os judeus eram obrigados por lei a usar como identificador na Alemanha nazi.

Embora a linguagem referenciando o totalitarismo fosse comum em todos os discursos do protesto, as referências ao Holocausto foram encontradas em muitos cartazes, um dos quais dizia: "Tornem o Código de Nuremberga grande novamente!" e outro dizia: "Tragam de volta os Julgamentos de Nuremberga". 

Embora não haja obrigatoriedade de vacinação para todos os norte-americanos, várias cidades do país, incluindo Washington, exigem certificado de vacinação para acesso a muitos restaurantes, bares, ginásios e outros estabelecimentos. A tentativa do governo norte-americano de exigir vacinas nas grandes empresas foi bloqueada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos no início deste mês, embora tenha permitido que a obrigação de vacinação para certos profissionais de saúde entrasse em vigor em todo o país.

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