Um ciclone-bomba provocou um nevão histórico no Nordeste dos Estados Unidos, com acumulações superiores a 60 centímetros, ventos de força equivalente a furacão, cancelamentos de voos, cortes de energia e estados de emergência. Apesar do abrandamento da tempestade, há previsão de nova queda de neve nos próximos dias
O Nordeste dos Estados Unidos está a recuperar de uma queda de neve extrema e de ventos muito fortes que atingiram a região entre a noite de domingo e todo o dia de segunda-feira, criando condições de nevão, com mais de 60 centímetros de neve a cobrirem vários estados.
A tempestade atingiu o estatuto de ciclone-bomba nas primeiras horas de segunda-feira, ao intensificar-se de forma extremamente rápida, com rajadas de vento de força equivalente a furacão e bandas de neve cada vez mais intensas. As autoridades locais acompanharam as declarações de estado de emergência emitidas pelos estados e decretaram interdições à circulação, enquanto dezenas de milhões de pessoas sob avisos de nevão permaneceram em casa.
A tempestade histórica provocou múltiplos impactos: escolas encerradas em toda a região, adiamento das primeiras votações da semana na Câmara dos Representantes e no Senado dos EUA, alterações em grandes rotas ferroviárias, suspensão dos transportes públicos e até a interrupção do serviço da plataforma de entregas DoorDash na maior cidade do país.
A tempestade perdeu força ao final do dia, deixando um rasto generalizado de neve intensa — mas há previsão de mais neve. Eis o que precisa de saber:
- Acumulações impressionantes de neve: Do Médio Atlântico à Nova Inglaterra, entre 30 e 90 centímetros de neve soterraram comunidades durante este nevão histórico. Às 19:00 (hora de leste), Providence, no estado de Rhode Island, registava o maior valor, com 96,3 centímetros. Seguiam-se Whitman, em Massachusetts, com 85,6 cm; Central Islip, no estado de Nova Iorque, com 78,7 cm; North Stonington, no Connecticut, com 78,2 cm; e Lyndhurst, em Nova Jérsia, com 78 cm.
- Recordes batidos em toda a região: O ciclone-bomba teve impactos históricos em várias cidades do Nordeste, tornando-se a maior tempestade de neve alguma vez registada em Providence. Em Newark, Nova Jérsia, quando pouco mais de 68 centímetros já tinham caído por volta das 13:00, a tempestade passou a ser oficialmente a segunda mais intensa desde que há registos, em 1931. Em Nova Iorque, este foi o inverno em que mais nevou desde a época de 2020-2021. Na Filadélfia, os valores registados correspondem à maior queda de neve provocada por uma única tempestade desde janeiro de 2016.
- Possibilidade de mais neve: Uma nova oportunidade para queda de neve poderá surgir pouco depois desta tempestade severa. Felizmente, deverá ser um episódio rápido e menos intenso. O novo sistema levará alguma neve à região dos Grandes Lagos na terça-feira e chegará ao Nordeste durante a noite de terça para quarta-feira. A maioria das localidades deverá registar menos de cinco centímetros, embora as zonas de maior altitude da Pensilvânia, Nova Iorque e Nova Inglaterra possam acumular um pouco mais.
- Cancelamentos de voos em massa: O ciclone-bomba causou também grande perturbação no tráfego aéreo, com mais de 10 mil voos cancelados nos EUA entre domingo e terça-feira. Cerca das 10:00 de segunda-feira, aproximadamente 63% desses cancelamentos — mais de 3.500 voos — estavam programados para chegar ou partir dos três principais aeroportos que servem a área de Nova Iorque: LaGuardia, JFK e Newark Liberty International.
- Falhas de eletricidade estabilizaram, mas continuam generalizadas: As falhas de energia aumentaram ao longo de segunda-feira, provocadas pelos ventos extremos e pela neve intensa, com cerca de 400 mil clientes sem eletricidade às 6:30. Cinco horas depois, o número subiu para 650 mil. As interrupções no fornecimento de energia no Nordeste e no Médio Atlântico começaram a estabilizar por volta das 13:00 e, às 17:00, mais de 500 mil clientes continuavam afetados. Alguns trabalhos de reposição foram atrasados devido às próprias condições de nevão que causaram os danos.
Chris Boyette, Aaron Cooper, Holly Yan, Alaa Elassar e Zoe Sottile, da CNN, e os meteorologistas Mary Gilbert, Briana Waxman e Chris Dolce contribuíram para esta reportagem.