Rússia defende conversações bilaterais sobre segurança estratégica com os EUA

Agência Lusa , AG
18 dez 2021, 09:32
Reunião entre Joe Biden e Vladimir Putin (AP)

Diplomata do governo russo diz que as relações entre os dois países estão numa situação sem precedentes

As conversações sobre segurança estratégica devem ser realizadas exclusivamente entre Washington e Moscovo, sem a participação de países terceiros, disse hoje o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergey Riabkov.

"Propusemos conversações aos Estados Unidos numa base bilateral. Se trouxermos outros países para estas [conversações], vamos simplesmente afogá-las em debates e conversas", disse o diplomata à agência noticiosa russa TASS, comentando as declarações da Casa Branca sobre possíveis consultas com os seus aliados ocidentais.

Riabkov lamentou que as relações entre a Rússia e os EUA se encontrem atualmente numa situação sem precedentes e perigosa.

"Espero que os americanos não subestimem que tudo mudou para pior. Mas por agora, infelizmente, não há sinais de que estejam dispostos a abandonar os seus padrões", disse.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que as propostas apresentadas por Moscovo na véspera poderiam "estabilizar e melhorar" a situação.

"Mas sem elas a situação continuará a ser extremamente complexa e tensa. Ninguém deve subestimar a determinação de Moscovo em defender os seus interesses de segurança nacional. Ninguém deve tomar de ânimo leve a nossa perceção do perigo do que está a acontecer", advertiu.

Contudo, o diplomata disse que a Rússia está pronta a procurar compromissos, o que tem sido expresso "repetidamente nos últimos dias, tanto em contactos com representantes dos EUA como por outras vias".

O diplomata sublinhou que a Rússia não compreende a posição dos EUA ou muitas das suas exigências.

"Há já vários meses que lhes pedimos que escrevam no papel o que querem dizer. E eles não o fazem. Não sei se não estão em condições de o fazer ou se não o querem fazer. Eles publicam as mesmas declarações, diretas e fortes. Se seguirmos o que eles dizem nestas declarações, não conseguiremos chegar a um acordo", disse.

O diplomata salientou que, quando a Rússia pede garantias de segurança, assume que a resposta permitirá um avanço cardinal para melhor.

Moscovo divulgou na sexta-feira os projetos do tratado e do acordo que propõe aos EUA e à NATO, respetivamente, para dar início a uma nova era de segurança que ponha fim à instabilidade provocada, segundo o Kremlin, pelo fim da Guerra Fria e da hegemonia solitária de Washington sobre o globo.

Nos projetos, Moscovo advertiu que a adesão da Ucrânia à NATO é uma linha vermelha não negociável, propôs a assinatura de um novo tratado que exclua o estacionamento de armas nucleares fora das fronteiras da Rússia e dos EUA, e o regresso aos seus silos de armas já implantados antes da entrada em vigor do documento vinculativo proposto.

Numa proposta sem precedentes, ambas as partes comprometer-se-iam também a destruir as infraestruturas de armas nucleares existentes no estrangeiro, além de cessarem os testes nucleares e de treinarem especialistas civis e militares de outros países, entre outras propostas.

Os EUA, que receberam as propostas na quarta-feira, responderam rapidamente que têm de consultar os seus aliados europeus antes de se pronunciarem.

E.U.A.

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