Forças de Estados Unidos e Rússia operam lado a lado em África (o que faz aumentar a tensão)

3 mai, 17:34
Base aérea 101, em Niamey, Níger (Bertrand Guay/AFP/Getty Images/File)

Estados Unidos fazem de tudo para tentar controlara a situação, que está cada vez mais próxima de virar a favor da Rússia

Há tropas russas e norte-americanas a operar na mesma base. A situação ocorre no Níger há algumas semanas, confirmou a CNN junto de responsáveis da Defesa dos Estados Unidos. Entretanto, o secretário norte-americano da Defesa, Lloyd Austin, também já confirmou a situação, que coloca lado a lado duas forças inimigas, ainda para mais numa altura de maior tensão, com o desenvolvimento da guerra na Ucrânia.

"A base aérea 101, onde estão as nossas forças, é uma base áerea nigerina localizada perto de um aeroporto internacional na capital [Niamey]. Os russos estão num complexo separado e não têm acesso às forças norte-americanas ou ao nosso equipamento", garantiu Lloyd Austin.

Em paralelo há o desejo da junta que governa o Níger atualmente, depois do golpe de Estado de julho de 2023. As autoridades no poder foram bem claras: querem os Estados Unidos fora do país, o que dá uma alavancagem à Rússia para fazer pressão.

O que se sabe é que os russos têm estado a utilizar um hangar da base 101, evitando operações no mesmo espaço dos norte-americanos, mas partilhando a mesma base, até porque “não é uma área assim tão grande”, como confirmou uma das fontes à CNN.

A resistência norte-americana em deixar o local prende-se com dois fatores: o Níger é um local estratégico para as operações de contraterrorismo dos Estados Unidos; a influência russa aumentaria substancialmente numa região já de si complicada.

Talvez pela importância dessa mesma presença o comandante do Comando dos Estados Unidos em África e a vice-secretária da Defesa para os Assuntos de Segurança Internacional visitaram o Níger em março, expressando preocupação pelo aumento da presença militar russa no território.

O general Michael Langley e Celeste Wallander levantaram também preocupações sobre o futuro daquela base em específico, temendo que possa virar de vez para os russos que a ocupam.

Esses encontros, diz a CNN, foram tensos, culminando no anúncio do Níger de que iria revogar o acordo que permitia a presença de militares e civis norte-americanos a trabalhar no país desde 2014.

Mas o exército dos Estados Unidos tenta resistir: está a trabalhar diretamente com as autoridades nigerinas para que a saída seja feita de forma ordenada. Em paralelo, uma delegação norte-americana vai ao Níger – o Pentágono “espera” que seja ainda “esta semana” - para tentar amenizar a discussão.

A influência russa e grande cooperação de Moscovo com a nova junta do Níger tem estado no foco das discussões entre a mesma junta e os Estados Unidos. Níger e Rússia acordaram um fortalecimento dos laços militares em janeiro, confirmou o ministério russo da Defesa.

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