Dois polícias despedidos por jogarem Pokémon GO e ignorarem alerta de assalto

CNN , Sara Smart
26 jan, 10:13
A aplicação Pokémon GO foi lançada em 2016 e teve sucesso rapidamente. Foto: Tomohiro Ohsumi/Getty Images

Em vez de responderem a uma chamada, os dois agentes estiveram a jogar Pokémon GO durante 20 minutos

Dois agentes da polícia de Los Angeles, nos EUA, perderam o recurso de uma sentença e os empregos após um jogo de Pokémon GO em abril de 2017.

Em vez de responderem a uma chamada nas redondezas, Louis Lozano e Eric Mitchell foram apanhados à procura de personagens de Pokémon através da aplicação Pokémon GO, segundo a sentença de um tribunal de última instância da Califórnia.

Segundo o acórdão, nesse sábado, foi enviada uma chamada de rádio devido a “um 211 (assalto) em progresso”. A loja Macy’s em Crenshaw Plaza, situada no sudoeste da baixa de Los Angeles, estava a ser assaltada por vários suspeitos. 

A sentença indica que o Comandante Darnell Davenport ouviu a chamada enquanto se dirigia a uma cena de homicídio. Do sítio onde se encontrava, ele conseguia ver a Macy’s e um carro de polícia escondido num beco. Dentro do carro patrulha, estavam os agentes Lozano e Mitchell.

Como o Comandante não os ouviu a responder à chamada, encarregou-se dela, mas reparou que o veículo se afastava.

O agente Jose Gomez, supervisor da patrulha nesse dia, reparou que Lozano e Mitchell estavam nas proximidades e pediu-lhes para serem o reforço no assalto, mas não recebeu resposta, segundo consta na sentença do tribunal.

Mais tarde, Gomez percebeu que o veículo tinha respondido a outra chamada ao mesmo tempo que Davenport respondia ao assalto. Esta situação despertou-lhe a curiosidade e questionou os dois agentes.

Ambos afirmaram que não ouviram o pedido de reforços para o assalto, porque estavam num parque, onde havia muito barulho. No acórdão, o agente Mitchell é citado e declarou que havia “música alta” e que “havia muito barulho no parque”.

Lozano foi citado na sentença e acrescentou: “Não temos controlo sobre o sistema e o barulho, estava muito barulho.”

Não ficando totalmente convencido, no dia seguinte, Gomez decidiu verificar a gravação de vídeo digital do veículo. As gravações revelaram que, em vez de responderem à chamada, os dois agentes estiveram a jogar o jogo de realidade aumentada, Pokémon GO, durante 20 minutos, declarava-se na sentença.

A aplicação foi lançada em 2016 e teve sucesso rapidamente. Através de GPS, os utilizadores têm de encontrar e colecionar personagens virtuais.

Era evidente que os agentes ouviram a chamada, mas ignoraram-na, afirma Greg G. Yacoubian. 

No acórdão, Lozano foi citado. Ele respondeu: “Ah, que se lixe”, enquanto decidiam se deviam responder à chamada.

Numa localização próxima, encontrou-se um Snorlax, uma das personagens de Pokémon, por isso, os dois homens estavam empenhados em apanhá-lo. Provas registadas na sentença revelam que Mitchell apanhou a criatura e exclamou: “Apanhei-os”.

Apareceu outra personagem chamada Togetic e ambos deixaram o local para a apanhar também. “Não fujas. Não fujas”, foi o que disse Mitchell, segundo citação no acórdão do tribunal.

Segundo o registo, Mitchell disse: “Caraças. Esta coisa está a dar luta” e “os outros vão ficar com tanta inveja.”

Quando foram interrogados, os agentes afirmaram que estavam a discutir Pokémon e não a jogar.

De acordo com o mandato apresentado pelo advogado dos dois homens, Greg G. Yacoubian, os indivíduos foram despedidos em 2018 após ter sido determinado que cometeram má conduta e violaram a confiança do público.

Os agentes pediram recurso e alegaram que as gravações foram usadas indevidamente como prova. Porém, esse argumento foi negado por um tribunal superior e o tribunal de última instância manteve essa decisão na sexta-feira, segundo consta no acórdão.

Lozano e Mitchell estão desiludidos com a decisão, comentou Yacoubian à CNN.

“Os fins não justificam os meios. Estamos a avaliar a melhor forma de proceder”, afirmou o advogado.
 

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