“Rainha das criptomoedas” colocada na lista dos 10 mais procurados do FBI

1 jul, 15:33
Ruja Ignatova (Facebook OneCoin)

Ruja Ignatova é a grande responsável por um esquema Ponzi que terá defraudado os investidores em quase 4 mil milhões de euros

O FBI colocou a “Rainha das Criptomoedas” (Cryptoqueen) na sua lista dos 10 criminosos mais procurados do mundo.

Ruja Ignatova, cidadã germano-búlgara, é responsável por um esquema Ponzi, considerado “um dos maiores da história” pelas autoridades norte-americanas, que terá defraudado os investidores em quase 4 mil milhões de euros.

Em 2019, Ignatova foi acusada de oito crimes, incluindo por fraude por correspondência e fraude de investimento, por fundar e gerir a empresa OneCoin como um esquema em pirâmide.

"Ela planeou de forma perfeita o esquema, capitalizando na especulação frenética dos primeiros dias das criptomoedas", disse Damian Williams, procurador federal de Manhattan, citado pela CNN Internacional.

A suposta criptomoeda OneCoin foi criada em 2014 para rivalizar com a original e mais conhecida Bitcoin. O negócio prometia aos investidores retornos astronómicos e Ignatova, num dos muitos eventos de promoção do esquema, garantiu que em dois anos “ninguém iria ouvir falar em Bitcoins”.

A OneCoin foi um sucesso instantâneo. Milhares de investidores de mais de 170 países “despejaram” dinheiro na moeda através da compra de cursos online sobre criptomoedas e tokens - estes últimos podiam ser usados para minerar OneCoins.

Apesar de múltiplos alertas por parte de autoridades financeiras e bancos nacionais para o facto de a OneCoin ser um esquema Ponzi, o negócio foi de vento em popa. Entre 2014 e 2016 a plataforma terá gerado lucros de 3,5 mil milhões de euros.

Todo este dinheiro fez de Ignatova uma mulher muito rica. Podia ser vista a frequentar os restaurantes mais caros e a comprar as roupas e joias mais extravagantes nas lojas mais exclusivas de Londres. Na sua penthouse de 16 milhões de euros na capital inglesa, várias obras de arte de artistas como Andy Warhol e Michael Mobius decoravam as vastas paredes.

Mas, como todos os esquemas Ponzi, a OneCoin foi eventualmente desmascarada. O dinheiro era feito pela angariação de novos clientes e não pela valorização da moeda. O trading fora da plataforma não era possível, pelo que, quando esta encerrou, em janeiro de 2017, milhares ficaram sem acesso ao dinheiro que depositaram.

Talvez o aspeto mais curioso de toda esta história seja o facto de nem sequer haver uma criptomoeda. A plataforma não dispunha de um blockchain, ferramenta indispensável para uma criptomoeda credível. A mineração de moedas era, de igual modo, falsa.

Com a esquema a ser destapado, o cerco a Ignatova apertou. Em outubro de 2017, pouco após ser emitido um mandado para a sua detenção pelas autoridades americanas, Ignatova embarcou num voo da Ryanair de Sófia para Atenas. Desde então, o seu paradeiro é desconhecido.

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