Dono de galeria de arte afasta sem-abrigo à mangueirada. Foi filmado, indignou a internet e agora foi detido

20 jan, 10:06

Primeiro, Collier Gwin recusou pedir desculpa e explicou que ligou dezenas de vezes para a polícia sem obter resposta para lidar com a situação. Depois, retratou-se e disse que estava "arrependido". O aumento repentino da população sem-abrigo em várias cidades está a preocupar os EUA

A polícia de São Francisco, nos Estados Unidosdeteve o dono de uma galeria de arte, Shannon Collier Gwin, depois de este ter sido visto de mangueira na mão a tentar afastar uma pessoa sem-abrigo que decidiu acampar em frente à porta da sua loja, na semana passada.

Gwin foi filmado e o vídeo acabou por ser partilhado no TikTok. O clipe já conta com milhares de visualizações e provocou uma crescente onda de indignação, sendo descrito por vários internautas como um abuso “cruel e insensível”.

Na quarta-feira, as autoridades norte-americanas emitiram um mandado para a detenção de Collier Gwin por “alegada pulverização intencional e ilegal de água sobre e ao redor” de uma pessoa sem-abrigo, como explicou a procuradora Brooke Jenkins no Twitter.

Shannon Collier Gwin tem 71 anos e acabou por ser detido, ainda na quarta-feira, nas imediações da galeria de arte e, à afiliada da CNN KGO, revelou que esta pessoa sem-abrigo, que costuma estar naquela área, recusou mover-se e resistiu perante a ajuda que ofereceu para mudar os pertences de lugar, acrescentando que não sentiu qualquer remorso pelas suas ações.

“Para mim é difícil pedir desculpa quando não temos qualquer ajuda perante esta situação. Ligámos à polícia. Devem ter umas 25 chamadas no gravador”, justificou o dono da galeria de arte.

"Profundamente arrependido e aborrecido ao ver o vídeo"

Todavia, desde que fez as primeiras declarações, Shannon Collier Gwin partilhou um vídeo, em que faz um pedido de desculpa pelo sucedido.

“Estou profundamente arrependido e aborrecido ao ver o vídeo. Estou completamente arrasado. Não estou preparado ou treinado para lidar com problemas a longo-termo de uma cidade como esta. Sei que é muito difícil de ver. Apenas posso pedir que se esforcem para tentar compreender que atingi o meu ponto de rutura, que olhem para ações repentinas que possam ter tido na vida, como elas possam ter sido extrapoladas, e como agora se sentiram humildes e arrependidos”, disse.

O caso ganhou ainda mais contornos quando a indignação popular saiu das redes sociais para o mundo real e a galeria de arte foi vandalizada como reposta ao sucedido.

“A alegada agressão de um sem-abrigo da nossa comunidade é completamente inaceitável, O sr. Gwin vai enfrentar as consequências apropriadas pelas suas ações”, garantiu Brooke Jenkins, assegurando que “da mesma forma, o vandalismo da galeria Foster Gwin também é visto como completamente inaceitável e deve parar de imediato - dois erros não tornam um deles certo”, culminou a procuradora.

Medidas não são "levar as pessoas para uns quarteirões ao lado”

Terena Hamidi, coproprietária do bar ao lado galeria, confessou à CNN que ficou furiosa quando viu o vídeo, mas revelou que a pessoa sem-abrigo em questão já tinha provocado problemas no passado, incluindo gritar obscenidades.

“A cidade tem de tomar medidas e fazer algo para apoiar estas pessoas que precisam e não mudá-las para uns quarteirões ao lado”, apelou Hamidi.

São Francisco e outras cidades norte-americanas com rendas elevadas estão a ter dificuldades em controlar o aumento repentino de pessoas sem-abrigo. Cerca de 4,4 mil pessoas vivem nas ruas de São Francisco e há ainda 3,4 mil que estão hospedadas em abrigos estatais, de acordo com os dados disponibilizados por este estado dos EUA.

E.U.A.

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