Aautoridades iranianas reconheceram os crescentes problemas económicos e sociais após cinco meses de conflito
Embora se mostrem persistentemente desafiadores perante as ameaças dos Estados Unidos, as autoridades iranianas reconheceram os crescentes problemas económicos e sociais após cinco meses de conflito.
"A guerra de hoje não é apenas uma guerra de mísseis", afirmou o presidente Masoud Pezeshkian, no mês passado, numa intervenção numa reunião do Conselho Judicial Supremo do Irão.
"O campo de batalha mais importante hoje é a economia e o sustento do povo. Se as pressões económicas provocarem o surgimento de descontentamento social e este descontentamento se alastrar, o enorme capital social que o povo criou em apoio ao sistema será perdido".
O desemprego no Irão agravou-se desde o início do conflito, e a sua moeda atingiu novos mínimos. Em junho, a taxa de inflação anual situava-se nos 88%, de acordo com dados oficiais.
O bloqueio dos seus portos pelos EUA, que foi restabelecido no mês passado após uma breve acalmia, bem como o reinício das sanções norte-americanas às suas exportações de petróleo, colocaram sob pressão as finanças públicas já frágeis.
A isto acrescem cortes regulares de energia no calor escaldante do verão e a escassez de medicamentos como a insulina, bem como danos no valor de milhares de milhões de dólares nas infraestruturas: estradas, caminhos-de-ferro, portos e instalações industriais.
A negligência em relação aos problemas no sul, que tem sofrido o impacto mais forte dos ataques dos EUA, significa que se perdeu uma oportunidade "de impedir que a insatisfação económica se transformasse numa divisão social. Como resultado, o sul do Irão tornou-se a linha da frente de uma crise", noticiou no domingo o meio de comunicação moderado Asriran.
As finanças públicas do Irão beneficiaram, de facto, da trégua no conflito, que lhe permitiu retomar as exportações. Entre março e o final de julho, as receitas das exportações de petróleo do Irão totalizaram 7,5 mil milhões de dólares, de acordo com o Ministério do Petróleo iraniano, em comparação com menos de 5 mil milhões de dólares no mesmo período do ano passado.
Mas o panorama geral é sombrio. O Fundo Monetário Internacional prevê que o PIB real do Irão registe uma contração de 6,1% este ano.
