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Vance envia recado a Netanyahu: "Se eu estivesse no governo israelita, não atacaria o único aliado poderoso que me resta"

18 jun, 21:06
Vice-presidente dos EUA, JD Vance (Heather Diehl/Getty)
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Vice-presidente dos Estados Unidos criticou as ações de Israel durante as negociações com o Irão. Acordo para o cessar-fogo foi recebido com críticas por republicanos e apreensão pelos países do Golfo

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que as operações militares israelitas no Líbano têm, por vezes, dificultado o avanço das negociações com o Irão, o que tem sido motivo de frustração para o presidente Donald Trump.

Trump fica "frustrado" por vezes quando parece que estão "na iminência de um grande avanço no acordo e, de repente, ocorre uma grande explosão num centro populacional civil em Beirute, e muitas pessoas que não têm qualquer ligação com o Hezbollah perdem a vida", disse Vance. "Isto é inaceitável. É por este tipo de situações que pedimos uma coordenação mais estreita, para garantir que isto não acontece."

Os seus comentários surgem numa altura em que Israel reafirma a sua intenção de não se retirar do Líbano, apesar do primeiro ponto do acordo EUA-Irão exigir "o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano". Israel continua a realizar ataques no sul do Líbano, onde afirma estar a visar o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irão.

Vance reiterou o direito de Israel se defender, mas instou o país a "respeitar este processo de paz". "Os israelitas - assim como todos os outros - precisam de respeitar este processo de paz que é fundamentalmente bom para eles e para toda a região", disse Vance.

O vice-presidente dos Estados Unidos também enviou um recado à administração de Benjamin Netanyahu: "Donald J. Trump é o único chefe de Estado no mundo que é simpático à nação de Israel atualmente", afirmou o político republicano. "Se eu estivesse no Governo israelita, não atacaria o único aliado poderoso que me resta". 

Países do Golfo preocupados com acordo

Além de Israel, que garante que não irá retirar as tropas do sul do Líbano, outros Estados demonstram preocupação com o acordo entre Estados Unidos e Irão. Segundo a Reuters, o Líbano entende que perdeu força, uma vez que o fim dos ataques israelitas ao país acabou por ser negociado sem a participação do país. 

Por outro lado, fontes do Hezbollah afirmaram à agência de notícias britânica que a situação fortalece a posição de Beirute no cenário internacional, dado que a região passa a ser considerada fundamental para a manutenção do cessar-fogo. Além disso, tanto os EUA como o Irão poderão pressionar os seus aliados regionais por um acordo. 

No entanto, países do Golfo também veem a situação com apreensão. Isso porque a confiança na proteção americana diminuiu, enquanto a posição iraniana na região se fortaleceu. 

O acordo entre Estados Unidos e Irão inclui 14 pontos que ainda serão discutidos nos próximos 60 dias. Ao final deste prazo, que ainda pode ser prorrogado, os países devem assinar o documento final. 

No memorando inicial, segundo noticiado pela CNN Portugal, os EUA garantem que revogarão as sanções aplicadas ao Irão, que, por sua vez, reabrirá o Estreito de Ormuz. Além disso, os americanos, assim como seus aliados regionais, farão parte de um plano para o desenvolvimento económico do país árabe com um financiamento de no mínimo 300 milhões de dólares. 

Enquanto Trump coloca o acordo como uma vitória ao país, os termos geraram críticas por parte de lideranças republicanas. "O Reagan deve estar a revirar-se no túmulo", escreveu o senador Bill Cassidy na rede social X (antigo Twitter). "As ambições nucleares do Irão não foram contidas, e o país percebeu que ameaçar o Estreito de Ormuz funciona e, sem dúvida, irá tirar partido disso no futuro. Agora, o Irão vai poder construir infraestruturas totalmente novas ao abrigo deste acordo".

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