"A existência do mal não é motivo para desarmar cidadãos que respeitam a lei": Trump critica "esforços grotescos" para controlar venda de armas nos EUA

Agência Lusa , CF
28 mai, 08:47
Donald Trump participa na convenção anual da Associação Nacional de Armas, em Houston, Texas (AP Photo/Michael Wyke)

O ex-presidente criticou as declarações de Joe Biden sobre o papel do lóbi das armas no massacre do Texas. "Ele estava a falar de norte-americanos como vocês", declarou na convenção anual da Associação Nacional de Armas

O ex-presidente norte-americano Donald Trump acusou esta sexta-feira membros do Partido Democrata de "politizarem" o tiroteio numa escola primária do Texas que matou 19 crianças e dois professores, criticando os "esforços grotescos" para controlar a venda de armas.

"Quando Joe Biden [atual Presidente dos Estados Unidos] culpou o 'lobby' das armas, ele estava a falar de norte-americanos como vocês e sugeriu que os republicanos estão de acordo em permitir que haja tiroteios desses em escolas", disse Trump na convenção anual da Associação Nacional de Armas (NRA, na sigla em inglês) realizada em Houston, no estado do Texas.

O multimilionário acusou ainda Biden e os democratas de explorarem politicamente "as lágrimas de famílias enlutadas" ao tentar aprovar leis sobre armas.

Donald Trump abriu o seu discurso autoelogiando-se por comparecer no evento, ao contrário de vários participantes que cancelaram a sua presença depois do massacre na escola primária.

"Ao contrário de alguns, eu não vos decepcionei não aparecendo", afirmou o republicano.

Perante milhares de proprietários de armas e de políticos republicanos, o antigo chefe de Estado pediu que se "armem os cidadãos" de forma a combater o "mal na sociedade" norte-americana, que responsabilizou pelo massacre que tirou a vida a 19 crianças e dois professores.

"A existência do mal na nossa sociedade não é motivo para desarmar cidadãos que respeitam a lei", disse no encontro anual do principal 'lobby' de armas norte-americano, que está reunido a algumas centenas de quilómetros de distância da cidade onde ocorreu o tiroteio.

"A existência do mal é a razão para armar os cidadãos cumpridores da lei", defendeu ainda, deixando claro que não vê as armas como o problema quando se trata de tiroteios em massa no país.

Face aos apelos para que se limite o acesso a armas de fogo nos Estados Unidos, os conservadores opõem-se, sublinhando, por outro lado, a necessidade de uma mudança "drástica" na abordagem dos Estados Unidos a questões de saúde mental, um ponto no qual Trump insistiu particularmente neste seu discurso.

O atirador era um "lunático fora de controlo” avaliou o antigo mandatário, acrescentando que o jovem de 18 anos "vai arder no inferno".

O magnata também pediu uma maior segurança nas escolas do país, sugerindo a instalação de "cercas robustas" e detetores de metal na entrada das instituições de ensino.

Ted Cruz diz que proibição de armas seria contraproducente

Alguns minutos antes de Donald Trump discursou o senador republicano do Texas Ted Cruz, que defendeu que confiscar ou proibir armas nos Estados Unidos levaria a um aumento no crime. "Muitas mães solteiras seriam agredidas, violadas ou assassinadas no metro", argumentou Ted Cruz.

Cruz, um dos membros republicanos que mais contribuições financeiras recebeu do NRA, defendeu ainda que o massacre na escola primária do Texas se deveu ao facto de uma das portas da escola estar destrancada, apelando à colocação de guardas armados nas instituições de ensino.

"As escolas devem ter um único ponto de entrada e devemos ter vários polícias armados ou, se necessário, veteranos militares treinados para fornecer segurança e manter as nossas crianças seguras", frisou Cruz.

Já o líder da NRA, Wayne LaPierre, disse aos membros do seu grupo que o recente tiroteio em massa “nunca deveria repetir-se”, mas rejeitou as propostas de controlo de armas, declarando que a sua posse é um “direito humano fundamental”.

“Restringir o direito humano fundamental dos norte-americanos cumpridores da lei de se defenderem não é a resposta. Nunca foi”, disse LaPierre, pedindo segurança adicional nas escolas, mudanças no sistema judicial e financiamentos adicionais para “corrigir o sistema de saúde mental disfuncional" do país, de forma a impedir futuros tiroteios em escolas.

Milhares saíram às ruas em protesto contra convenção

Milhares de pessoas concentraram-se nos arredores do centro de convenções em Houston, em protesto contra a conferência anual da NRA, após o tiroteio de terça-feira.

De acordo com imagens transmitidas pelos media locais, os participantes no protesto empunharam cartazes com mensagens como "Proíbam as espingardas de assalto agora”, "Quando gostarão mais dos vossos filhos do que de armas de fogo?" ou "As espingardas de assalto são para matar".

Muitos cartazes continham mensagens críticas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, do senador republicano do Texas Ted Cruz, e do governador do Texas Greg Abbott, também conservador.

Milhares protestam em Houston contra convenção do 'lobby' das armas de fogo (AP Photo/Jae C. Hong)

Os manifestantes também cantavam slogans como "vergonha" e "vamos expulsá-lo nas eleições", numa referência a Greg Abbott.

A NRA decidiu avançar com o encontro, que decorre até domingo no “George R. Brown Convention Center” em Houston, apesar dos numerosos apelos para que fosse cancelado após o tiroteio escolar em Uvalde.

Greg Abbott anunciou, na sexta-feira, que não iria participar na conferência da NRA, embora seja projetado um vídeo previamente gravado do político conservador. Já na quinta-feira, os artistas de música country Don McAlean, Larry Gatlin e Larry Stewart anunciaram que tinham cancelado as suas atuações marcadas para este fim de semana na reunião da NRA.

A convenção anual da NRA é a maior reunião do ‘lobby’ a favor das armas de fogo e acontece depois de ter sido cancelada em anos anteriores devido à pandemia da covid-19.

A NRA ajudou a financiar as campanhas políticas de centenas de membros do Congresso, tanto democratas como republicanos, de acordo com a base de dados ‘Open Secrets’, do Centro para uma Política Responsável.

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