Previsões erradas no Afeganistão e na Ucrânia. Estarão os EUA a subestimar a capacidade militar da China?

21 jun, 13:49
Exército da China (AP)

No espaço de um ano, o país falhou as previsões sobre as forças russas e afegãs. Modernização rápida das Forças Armadas da China preocupa Washington D.C., que está a elaborar novos relatórios confidenciais sobre o país asiático

Em fevereiro, poucos dias antes da invasão russa da Ucrânia, a expectativa entre os altos funcionários dos EUA era de que uma eventual ofensiva ordenada pelo Kremlin durasse apenas duas semanas a conquistar toda a Ucrânia. As previsões, no entanto, estavam erradas.

Já no ano passado, aquando da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, os EUA esperavam que as forças governamentais segurassem os avanços dos talibãs durante largos meses. Contudo, Kabul e as províncias mais próximas foram conquistadas em apenas uma semana.

"No espaço de 12 meses, sobrestimámos a vontade dos afegãos de lutar e subestimámos a vontade dos ucranianos de lutar", disse o senador Angus King, independente pelo Estado do Maine, durante uma audiência no Congresso no início deste ano. "Tivemos testemunhos de que Kiev iria cair em três ou quatro dias e que a guerra iria durar duas semanas. Isso acabou por estar grosseiramente errado", atirou.

A guerra na Ucrânia não é a única preocupação da Casa Branca. Do outro lado do Pacífico, a rápida modernização das Forças Armadas da China fez soar os alarmes das agências norte-americanas. As previsões falhadas sobre o Afeganistão e a invasão da Ucrânia vieram, também, aumentar o medo de que o país possa estar a avaliar de forma incorreta as capacidades militares do país comunista.

O jornal Politico escreve que os esforços no capítulo do contraterrorismo e no mundo árabe desviaram recursos empregues na investigação à China, “deixando algumas agências com poucos falantes de Mandarim”. Para além disso, a China foi capaz de neutralizar redes secretas norte-americanas no país, tendo executado mais de uma dúzia de fontes americanas a partir de 2010.

De acordo com o relatório do Pentágono sobre a China em 2021, o país liderado por Xi Jinping tem agora a maior marinha do mundo, composta por 355 navios, enquanto o Exército de Libertação do Povo conta com quase um milhão de militares ativos. A Defesa norte-americana espera, também, que o arsenal nuclear da república popular atinja, pelo menos, as mil ogivas em 2030.

"Não estamos realmente seguros das lições que Xi Jinping está a tirar"

O risco sempre presente de um ataque a Taiwan levou vários congressistas americanos a propor a redação de relatórios confidenciais sobre a China. "É difícil, mas, no final das contas, penso que há muito espaço para perguntarmos se podemos aprender. Teria sido bom, pelo menos em relação aos fatores não humanos, ter tido uma visão mais clara do que iria acontecer na Ucrânia, e provavelmente há lições a serem aprendidas lá com respeito à China", disse o congressista Jim Himes, eleito no Connecticut pelos Democratas e membro do Comité de Inteligência da Câmara dos Representantes, citado pelo Politico.

Apesar de o Pentágono divulgar, todos os anos, um relatório sobre as capacidades militares do país, nem todas as informações chegam aos EUA. De acordo com fontes ouvidas pela CNBC, o Departamento de Defesa foi surpreendido pelo teste de um míssil hipersónico por parte da China.

"O teste mostrou que a China tinha feito progressos espantosos em matéria de armas hipersónicas e estava muito mais avançada do que os oficiais americanos sabiam", pode ler-se num relatório citado por aquele meio de comunicação. Esta informação não foi negada pelo Secretário de Estado da Defesa, Lloyd Austin.

"Não vou comentar esses relatórios específicos. O que vos posso dizer é que acompanhamos de perto o desenvolvimento de armamentos e capacidades avançadas da China, e de sistemas que só irão aumentar as tensões na região. Ouviram-me dizer antes que a China é um desafio, e nós vamos continuar concentrados nisso", afirmou Austin.

Numa audiência no Senado, várias congressistas questionaram Avril Haines, diretora da Inteligência Nacional, e o major-general Scott Berrier, líder da Agência de Informações Nacional (DIA), sobre as lições que a China poderá estar a retirar do atual conflito na Ucrânia.

"Não estamos realmente seguros das lições que Xi Jinping está a tirar deste conflito neste momento. Esperamos que sejam as certas”, disse Berrier. “Penso que a China é um adversário formidável”, completou.

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