Centenas de adolescentes usados como escudo humano por jihadistas em fuga de prisão síria

25 jan, 11:27
Estado Islâmico

Mais de 700 jovens que estavam detidos na prisão de Ghwayran que militantes do autoproclamado Estado Islâmico atacaram. Milhares de jihadistas estavam ali detidos e são agora acusados de usar os rapazes como escudo humano

Terroristas do autoproclamado Estado Islâmico atacaram uma prisão síria onde estão detidos milhares de jihadistas, na passada sexta-feira. Na tentativa de fuga da prisão, os jihadistas ali detidos utilizaram centenas de adolescentes, também eles detidos, como escudo humano.

De acordo com as Forças Democráticas Sírias, lideradas pelo exército curdo, mais de 700 rapazes, alguns deles com 12 anos apenas, foram usados como escudo no cerco à prisão de Ghwayran, em Hasakah, no norte da Síria, quando os prisioneiros do Estado Islâmico se esconderam num dormitório para evitar o ataque das forças curdas. A mesma fonte avança que há vários adolescentes feridos ou mortos. 

Segundo o The Guardian, a organização Save the Children, que apoiou os prisioneiros nos últimos três anos, pediu esforços renovados para repatriar os rapazes, muitos dos quais são de fora da Síria e foram detidos durante a ascensão e queda do chamado califado como crianças dos membros do Estado Islâmico.

“O que estamos a ouvir da prisão de Ghwayran é realmente perturbador. Os relatos de que crianças foram mortas ou feridas são trágicos e escandalosos. A responsabilidade por qualquer coisa que aconteça a estas crianças recai nas mãos dos governos internacionais que pensaram que podiam simplesmente abandonar as suas crianças na Síria. O risco de morte ou ferimento está diretamente ligado com a recusa desses governos em levar as crianças para casa. Todas as crianças estrangeiras devem ser repatriadas - com as suas famílias - sem mais demoras. A comunidade internacional não pode ter o sangue de nenhuma dessas crianças nas mãos”, afirmou a diretora da organização Save the Children na Síria, Sonia Khush.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, vários presos terão conseguido escapar.

Muitos dos adolescentes detidos teriam sido convocados para as fileiras dos chamados “Filhos do Califado”, um exército infantil usado pelos líderes do Estado Islâmico como "carne para canhão" ou como terroristas que poderiam se infiltrar mais facilmente nas áreas civis. 

A prisão onde aconteceu o ataque é uma das maiores prisões onde estão militantes do grupo terrorista, mais de 12.000, de 50 nacionalidades, havendo muitos franceses e tunisinos, de acordo com as autoridades curdas. 

O ataque causou ainda 18 vítimas mortais entre os militares curdos e guardas prisionais e cerca de 40 mortos entre os jihadistas, a maioria na sequência dos confrontos que se seguiram dentro da prisão.

O Observatório Sírio diz que este ataque é o maior desde que foi anunciado o fim do califado, em março de 2019.

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