Trump avisa que discurso sobre o Estado da União na terça-feira será longo
Vários sobreviventes do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein vão assistir ao discurso do Estado da União do Presidente norte-americano Donald Trump no Capitólio.
O discurso, o primeiro do segundo mandato de Trump, surge num momento politicamente tenso, marcado pelas últimas revelações nos documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça.
Além das detenções do ex-príncipe Andrew e do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, o terramoto político ameaça também a administração Trump ao envolver o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, que está sob investigação por mentir sobre a sua relação com Epstein.
Neste contexto, vários representantes democratas utilizaram a tradição de convidar pessoas para o Congresso para destacar as questões pendentes em torno do caso de abuso que envolve o criminoso sexual condenado, que morreu na sua cela em 2019 depois de, segundo as autoridades, se ter suicidado.
Os congressistas Suhas Subramanyam e Jamie Raskin convidaram a família da falecida Virginia Roberts Giuffre, uma das mais conhecidas vítimas de Epstein, que publicou postumamente um livro de memórias sobre a sua experiência intitulado "Nobody's Girl" ("A Rapariga de Ninguém").
Entretanto, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, convidou Dani Bensky, uma bailarina que sobreviveu a Epstein, e os congressistas democratas Ro Khanna e James Walkinshaw convidaram Haley Robson e Jess Michaels, outras duas vítimas do criminoso sexual condenado.
No seu discurso desta terça-feira, espera-se que Trump destaque as conquistas do seu Governo no primeiro ano do seu segundo mandato, mas também dedique uma secção especial ao revés imposto pelo Supremo Tribunal às suas políticas económicas, ao anular parcialmente as tarifas.
Questões internacionais, como a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o embargo económico a Cuba e a potencial intervenção militar no Irão, estão entre os temas que deverão ter destaque no discurso de Trump.
O discurso surge também em plena paralisação do Departamento de Segurança Interna, enquanto as negociações entre democratas e republicanos sobre a política de imigração continuam, na esperança de desbloquear a aprovação do orçamento para a imigração.
Trump, que detém o recorde do discurso mais longo perante as duas câmaras do Congresso — 1 hora e 42 minutos em março do ano passado — já avisou que o pronunciamento de terça-feira será longo porque tem "muito para dizer".
A resposta democrata ao Presidente norte-americano virá da governadora da Virgínia, Abigail Spanberger, eleita em novembro de 2025.
Trump avisa que discurso será longo
O Presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu que o seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira será longo, por ter "muito a dizer" sobre a situação do país, após o recorde estabelecido no ano passado.
"Temos um país que está a correr bem. Temos a melhor economia que já tivemos, a maior atividade económica que já tivemos. Amanhã à noite [terça-feira] vou fazer um discurso, e vão ouvir-me dizer a mesma coisa. Será longo, porque temos muito que conversar", indicou Trump num evento na Casa Branca.
O presidente já tinha estabelecido um recorde em março do ano passado com um discurso perante as duas câmaras do Congresso que durou 1 hora e 42 minutos, o discurso mais longo até à data na história do Congresso.
Até à data, o discurso sobre o Estado da União mais longo alguma vez registado já tinha sido proferido pelo próprio Trump em 2019, durante o seu primeiro mandato (2017-2021).
Embora siga o mesmo formato de um discurso sobre o Estado da União — proferido anualmente para avaliar o desempenho do governo —, o discurso do ano passado não é considerado como tal, uma vez que Trump o fez apenas seis semanas depois de ter tomado posse.
Os presidentes utilizam geralmente estes discursos no início dos seus mandatos para estabelecer prioridades e apresentar a sua visão para o rumo que darão ao país, bem como as suas políticas externa e económica.
O discurso de terça-feira, o primeiro sobre o Estado da União do seu segundo mandato, surge num momento de elevada tensão política.