Como se detém 124 adeptos de uma vez? Foi assim a "rápida" intervenção da PSP em Alvalade

20 fev, 12:06

Graças à "pronta atuação", a PSP determina que foi possível "evitar incidentes de maior expressão, cessar e mitigar os que já se encontravam em desenvolvimento", bem como "devolver a ordem e tranquilidade públicas ao local"

O jogo da 16.ª jornada da liga de futsal portuguesa terminou com um empate 2-2, entre Sporting e Benfica, mas também com um total de 124 detidos no exterior do Pavilhão João Rocha, em Alvalade. Mas como se detém mais de uma centena de pessoas de uma só vez?

O comissário da PSP Vítor Patrica admite à CNN Portugal que "não é normal numa única ocorrência haver um número de detenções tão elevado". No entanto, lembra que o elevado número de detidos "é apenas o reflexo do bom trabalho da PSP, que conseguiu imediatamente fazer cessar os conflitos e intercetar todos os envolvidos".

Após terem furado a caixa de segurança da PSP, Vítor Patrica conta que os adeptos encarnados surgiram de várias partes junto à escadaria do Estádio de Alvalade e atiraram potes de fumos e foguetes contra a sede da claque leonina Juve Leo, que reagiu de imediato.

"Vieram por um local e em número diferente do que é habitual", e que foi assim que "conseguiram efetivamente alcançar os seus intentos de entrar em confrontos".

"É difícil sempre prever o sítio pelo qual se vão deslocar ao pavilhão. A verdade é que as imediações do Pavilhão João Rocha é uma área muito extensa, muito vasta e os caminhos são mais do que muitos para chegar ao local", sublinha o comissário da PSP.

A PSP, através de um comunicado enviado à CNN Portugal, explica que “a intervenção policial foi célere e coordenada” e fulcral para o desfecho rápido da situação. Vítor Patrica detalha que estava no local como é usual em todos os eventos desportivos na Área Metropolitana de Lisboa. "Nos dérbis e clássicos a PSP está presente com efetivo redobrado atendendo ao histórico de conflitos e rivalidade entre as massas adeptas", como era o caso deste jogo no Pavilhão João Rocha.

"Assim que tivemos notícia que os adeptos do Benfica e do Sporting se encontravam em confrontos e graves desordens, nomeadamente a incorrer no crime de participação em rixa, rapidamente agimos, cessando os confrontos que estavam a ocorrer, conseguindo separar os adeptos e prevenindo que males piores pudessem acontecer", explica o comissário.

As autoridades destacam a importância da reação rápida dos agentes no local. Graças à “pronta atuação”, a PSP determina que foi possível “evitar incidentes de maior expressão, cessar e mitigar os que já se encontravam em desenvolvimento”, bem como “devolver a ordem e tranquilidade públicas ao local”.

A PSP entende que o tempo de reação diminuto foi a chave para que se tenham evitados danos maiores e lesões físicas graves entre os intervenientes na rixa e terceiros. Antes dos confrontos, já estavam no local "cerca de 50 polícias empenhados no jogo no Pavilhão João Rocha, as valências da unidade Metropolitana de Informações Desportivas - os spotters -, equipas de intervenção rápida, equipas de trânsito e policiamento uniformizado para o pavilhão", detalha Vítor Patrica, que lembra que, na sequência da rixa entre os adeptos, foi ainda ativado o "apoio das equipas de prevenção e reação imediata da PSP".

Para haver controlo policial do local de jogo, os adeptos visitantes são categorizados pelas autoridades como "adeptos de risco". "É sempre definido um ponto de encontro para os adeptos visitantes neste tipo de jogos, mas, como nós, spotters, sabemos, habitualmente não se concentram nestes pontos de encontro definidos pelas autoridades e pelos clubes", diz, indicando que a maior parte dos 124 detidos tem cadastro prévio e alguns estão mesmo impedidos de entrar em espaços desportivos.

Cessada a rixa entre adeptos, os 124 detidos – 63 apoiantes do Benfica e 61 do Sporting - foram transportados para salas de retenção provisória nos estádios dos dois emblemas. Estes adeptos são suspeitos dos crimes de participação em rixa, entre outros ilícitos conexos, designadamente utilização, uso indevido e arremesso de artigos de pirotecnia.

 A PSP adianta que foram apreendidos engenhos de pirotecnia deflagrados, ferros, pedras, cintos, paus, um martelo, uma arma branca e balaclavas - material de ocultação de identidade – que foram utilizados durante a rixa.

Do evento ocorrido junto à escadaria do Estádio José Alvalade resultaram pelos menos dois feridos, que tiveram de receber assistência pré-hospitalar. 

O comissário Vítor Patrica refere ainda que, tendo em conta o elevado número de adeptos que foram detidos, a PSP e o Ministério Público decidiram que esta sexta-feira só os adeptos do Benfica serão ouvidos em tribunal, enquanto na segunda-feira será a vez dos adeptos do Sporting.

“A PSP lamenta profundamente a ocorrência deste tipo de incidentes e comportamentos de violência associados ao desporto”, adianta a autoridade que aproveita também para agradecer “à grande maioria dos adeptos presentes no Pavilhão João Rocha pelo comportamento cívico e ordeiro”.

Vítor Patrica reforça que os "eventos desportivos querem-se num espaço seguro para todas as pessoas, nomeadamente crianças e famílias". "Foi uma situação que é de todo indesejável e não é o queremos nos eventos desportivos em Portugal", culmina o comissário.

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