PJ investiga causas do deslizamento de terras que matou dois jovens em Esposende. Casa ficou inabitável

Agência Lusa , AM/WL, Atualizada às 17:40
23 nov, 15:26

Corpos das vítimas foram já retirados durante a tarde, depois de as autoridades terem admitido que essa seria “uma operação demorada”

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar as circunstâncias do deslizamento de terra registado esta quarta-feira de madrugada em Palmeira de Faro, Esposende, distrito do Braga, e que matou duas pessoas que se encontravam em casa.

Fonte da PJ disse à Lusa que já foi feita uma primeira deslocação de inspetores ao local, designadamente para recolha de informação e registo fotográfico.

“Posteriormente, quando a situação no terreno estiver consolidada e tivermos luz verde da Proteção Civil, voltaremos lá para continuar a investigação”, acrescentou.

Um deslizamento de terra e de pedras de grandes dimensões em Palmeira de Faro, Esposende, atingiu uma habitação unifamiliar, em que se encontravam seis pessoas.

Dois jovens de 22 anos que se encontravam no primeiro piso morreram.

As restantes pessoas – um casal entre os 40 e os 50 anos e duas crianças, de 2 e 12 anos, foram retiradas ilesas.

Os corpos das vítimas foram resgatados dos escombros pelas 14:50, depois de as autoridades terem admitido que essa seria “uma operação demorada”.

Em declarações à Lusa, o 2.º comandante distrital de Operações e Socorro de Braga, Rui Costa, adiantou que a remoção dos cadáveres está agora apenas dependente da autorização do delegado de Saúde e da Polícia Judiciária (PJ). Os corpos serão levados para o Instituto de Medicina Legal de Viana do Castelo.

Os técnicos ainda estão a avaliar as causas do acidente, mas o porta-voz admitiu que os primeiros indícios apontam para que o deslizamento tenha sido causado pela chuva que se fez sentir naquela região do Minho.

“[O deslizamento] foi, possivelmente, causado pela chuva, mas tal carece de confirmação dos técnicos no local, que vão ter apoio de mais dois engenheiros da Universidade de Minho. Serão as autoridades a avaliar as causas”, disse Rui Costa.

A casa sofreu “danos estruturais” e ficou “sem condições de habitabilidade”, disse ainda. Por isso, será necessário o realojamento dos quatro membros da família que escaparam ilesos.

O alerta para o deslizamento de terra foi dado às 03:55.

Câmara reage

A Câmara de Esposende veio dizer que o processo de licenciamento da casa atingida por um deslizamento de terra em Palmeira de Faro “decorreu com normalidade”, adiantando desconhecer qualquer reclamação do proprietário quanto a eventuais situações de risco.

Em comunicado, a câmara acrescentou que a habitação está inserida numa operação de loteamento datada de 1994, constituída por 14 lotes.

"O processo de licenciamento desta habitação decorreu com normalidade, desconhecendo-se a existência de qualquer reclamação apresentada pelo proprietário desta habitação quanto a eventuais situações que pudessem pôr em perigo a mesma", lê-se no comunicado.

No mesmo explica-se ainda que o lote atingido pelo deslizamento “dispõe de autorização de utilização, sendo que a área derrocada se encontra parcialmente dentro da delimitação do mesmo lote”.

Relacionados

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça

Patrocinados