Rússia perdeu metade dos espiões que tinha na Europa, revelam secretas britânicas

22 jul, 09:17
Sergei Lavrov e Vladimir Putin (Valery Sharifulin/AP)

Seriam cerca de 800 os agentes que atuavam na Europa, a maioria deles como diplomatas

Os serviços secretos do Reino Unido afirmam que cerca de metade dos espiões ao serviço da Rússia foram expulsos da Europa desde o início da guerra na Ucrânia. De acordo com o diretor do MI6, que falou à CNN à margem do Fórum de Segurança de Aspen, eram agentes que trabalhavam sob disfarce de figuras diplomáticas.

Ao todo, terão sido cerca de 400 os agentes expulsos pelos países europeus, nos quais Richard Moore incluiu Alemanha e França, o que permitiu reduzir a capacidade de Moscovo obter informações sobre o Ocidente. No caso britânico, ainda não foram expulsos quaisquer espiões, o que se deve, em grande parte, ao facto de o Reino Unido já ter expulsado, em 2018, cerca de 20 diplomatas russos na sequência do caso dos envenenamentos de Salisbury, que terminaram com tentativas de assassínio de alguns espiões russos, entre eles Sergei Skripal, que trabalhou vários anos como agente duplo.

O responsável não deu mais informações específicas sobre as expulsões, mas sabe-se que vários países expulsaram funcionários diplomáticos russos dos seus países, entre os quais Portugal, que expulsou 10 diplomatas russos, numa medida que também foi utilizada por Moscovo: cinco diplomatas portugueses foram expulsos da embaixada na capital russa.

Estas expulsões fazem parte de uma “boa concertação” de esforços das agências de informação do Ocidente, revelou Richard Moore, que falou numa “provável redução da habilidade de espionagem da Rússia na Europa”.

Esta foi a primeira vez que serviços secretos europeus deram conta da dimensão da situação. Já se sabia que seriam cerca de 400 os espiões ao serviço da Rússia que tinham sido expulsos, mas a proporção é novidade.

Como a maioria dos espiões, aqueles que estão ao serviço de Moscovo utilizam um cargo na embaixada de um país para ali estabelecerem a sua atividade. Existem outros que se disfarçam de civis normais, mas numa proporção muito menor. Nessa condição foram apanhados dois espiões russos, segundo Richard Moore, que desvendou o caso de um russo que se fazia passar por um cidadão de dupla nacionalidade irlandesa e brasileira, e que tentou, sem sucesso, obter um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, no mês de abril. O homem foi identificado como Sergey Cherkasov e foi mesmo condenado por um tribunal brasileiro a 15 anos de prisão por falsificação de documentos.

O porta-voz principal da União Europeia confirmou em maio que havia funcionários de embaixadas da Rússia a funcionarem como "capa para esconder atividades de espionagem".

Rússia sem "vapor"

Questionado sobre o decorrer da guerra na Ucrânia, Richard Moore acredita que a Rússia pode estar "prestes a ficar sem vapor" para continuar com a operação: "As nossas informações apontam que os russos vão perceber cada vez mais que é difícil fornecer poder humano nas próximas semanas".

"Vão ter de parar de alguma forma e isso vai dar oportunidade aos ucranianos para contra-atacarem", acrescentou.

Sobre o lado ucraniano, o chefe das secretas britânicas vê o moral das tropas elevadas, nomeadamente pelo recebimento de maiores quantidades de armas enviadas pelo Ocidente, e que começam a fazer-se notar em algumas zonas do terreno. Em sentido contrário, disse Richard Moore, a Rússia tem falhado de forma significativa os objetivos traçados inicialmente, nomeadamente a captura de Kiev, cidade que deixaram de tentar tomar há várias semanas.

O responsável sugere mesmo que, perante os insucessos, a Rússia está a utilizar "carne para canhão" na utilização das tropas.

Na mesma intervenção, Richard Moore falou ainda daquilo que considera ser uma das maiores preocupações das secretas ocidentais: a China.

O Fórum de Segurança de Aspen junta alguns dos mais importantes responsáveis de Defesa e Segurança do mundo. Foi também ali que o diretor da CIA falou abertamente sobre a saúde do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

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