Vulcão Cumbre Vieja: três meses de lava que podem chegar ao fim pelo Natal

19 dez 2021, 13:03

Ausência de indicadores de atividade vulcânica “corrobora sinais de esgotamento do processo eruptivo”, explica María José Blanco, porta-voz do Comité Científico do Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias

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O vulcão Cumbre Vieja, na ilha espanhola de La Palma, entrou em erupção, na zona de Las Manchas, há exatamente três meses. O desastre natural aconteceu após mais de uma semana de registos de milhares de sismos naquela região.

Três meses depois, os especialistas consideram que, dentro de poucos dias, o vulcão pode dar finalmente "tréguas" à população.

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O Cumbre Vieja de La Palma é um dos complexos vulcânicos mais ativos das ilhas Canárias, sendo o responsável por duas das três últimas erupções nas ilhas: o vulcão San Juan, em 1949, e o Teneguía, em 1971.

O Instituto Geográfico Nacional e o Instituto Vulcanológico das Canárias registaram, desde 11 de setembro, um importante acumulado de milhares de pequenos sismos na periferia do Cumbre Vieja, com epicentros a mais de 20 quilómetros de profundidade, que, progressivamente, foram ascendendo à superfície.

Desde o início da semana de 19 de setembro que a ilha se encontrava em alerta amarelo devido ao risco de erupção vulcânica na zona (nível 2 de 4). 

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Lembre-se que o local onde o vulcão entrou em atividade não era habitado, como foi confirmado no próprio dia 19 de setembro pelo presidente das Canárias, Ángel Víctor Torres. No entanto, os fluxos de lava desceram das encostas do vulcão a avançar aproximadamente 700 metros por hora, com uma temperatura de 1.075 graus Celsius, de acordo com o Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan).

Desde o início da erupção do Cumbre Vieja, a ilha espanhola de La Palma aumentou pelo menos 43 hectares devido à criação de deltas de lava e fajãs que atingiram as águas do Atlântico.

Os últimos dados referentes aos valores da extensão foram publicados pelo sistema europeu de satélites Copernicus, referindo também que 2.651 casas foram destruídas pela lava.

Perto de 80 mil habitantes da ilha têm vindo a sofrer as consequências da erupção deste vulcão durante estes três meses. Também a qualidade do ar foi profundamente devastada, chegando as emissões de dióxido de enxofre do vulcão a oscilar entre as sete e as 18 mil toneladas diárias.

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O início do fim

O Cumbre Vieja começa a mostrar sinais de esgotamento: há apenas uma ligeira atividade de fumo e não há evidências de lava a fluir do cone principal. Os sismos registados indicam uma atividade quase inexistente e sem a saída de lava. Por isso, esta quinta-feira, as autoridades de Pevolca avançaram que, se tudo se mantiver, vão dar como “oficialmente encerrada a erupção” do vulcão até ao Natal, segundo avançou o jornal espanhol El Mundo.

A ausência de indicadores de atividade vulcânica “corrobora os sinais de esgotamento do processo eruptivo”, explicou María José Blanco, porta-voz do Comité Científico do Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias.

Apesar destas previsões, não é possível descartar a recuperação da atividade estromboliana e da emissão de resíduos, mas pela primeira vez já há um prazo específico para que o processo eruptivo que teve início a 19 de setembro seja interrompido, prevendo-se, à data deste domingo, que faltem sete dias.

“Para poder dizer que o processo eruptivo que teve início a 19 de setembro está completo, os dados registados devem permanecer nos níveis atuais durante dez dias”, disse María José Blanco, esta quinta-feira.

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“Mesmo que termine a atividade a 23 ou 24, não quer dizer que a emergência acabou. Há medidas que têm de continuar a ser tomadas para garantir a segurança dos cidadãos”, alertou.

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