"A Mayra já esteve dentro do útero que agora está dentro dela. É um marco científico". Mulher dá à luz após receber transplante de útero da mãe

CNN Portugal , BCE
23 jan, 20:35
Mayra Montez com o filho (Créditos: Hospital Clínic)

É o segundo parto que acontece em Espanha com um útero transplantado. O primeiro ocorreu em março de 2022

Mayra Montes cumpriu um sonho que, até há bem pouco tempo, lhe parecia impossível de concretizar: engravidou e teve um filho saudável, apesar de não ter útero. Isto porque Mayra sofre de uma doença rara, a síndrome de Rokitansky, que afeta uma em cada cinco mil mulheres em todo o mundo, que nascem sem vagina e sem útero.

O nascimento do menino, que chamou de Manuel, só foi possível depois de um transplante de útero da própria mãe, em abril de 2022, conta o El País. Dois meses depois do transplante, Mayra teve a primeira menstruação, começando o processo de fertilização logo de seguida. No passado dia 2 de janeiro, Manuel nasceu saudável, com 2,9 quilos, na sequência de um parto por cesariana, às 37 semanas de gravidez. 

O parto foi realizado por uma equipa do Hospital Clínic, em Barcelona, dirigida pelo chefe do Serviço de Ginecologia, Francisco Carmona, e pelo chefe do Serviço de Urologia e Transplante Renal, Antonio Alcaraz.

"A Mayra já esteve dentro do útero que agora está dentro dela. É um marco científico que merece um grande crédito, fruto da competência de uma excelente equipa de profissionais que o tornou possível. É uma mudança absoluta de paradigma na medicina", declarou Francisco Carmona, citado em comunicado divulgado no site oficial daquele hospital.

Mas não é a primeira vez que esta equipa faz um parto nas mesmas condições. O primeiro bebé nascido de um útero transplantado em Espanha ocorreu em março do ano passado, quando uma mulher, que tinha exatamente a mesma síndrome de Mayra Montes, recebeu um transplante de útero da sua irmã.

"Esta é uma das cirurgias mais complexas que podem ser efetuadas e nós demonstrámos, não uma, mas duas vezes, que somos capazes de a realizar com resultados muito bons", assinalou Antonio Alcaraz., citado no mesmo comunicado.

Ambos os partos ocorreram no âmbito de um programa experimental do Hospital Clínic para transplantes de útero em casos com síndrome de Rokitansky. O primeiro transplante de um útero ocorreu em 2013, no hospital universitário  Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo, Suécia, e que resultou no primeiro bebé nascido de um útero transplantado, em 2014. Desde então, já foram registados mais de 50 casos em todo o mundo.

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