Espanha, Portugal e França chegam a acordo sobre as interconexões energéticas

20 out, 13:22
António Costa e Pedro Sánchez

A ligação entre a rede energética ibérica e a Europa será feita por via marítima, entre Barcelona e Marselha. O acordo permite ainda completar a interconexão da rede portuguesa com a espanhola, entre Celorico da Beira e Zamora

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta quinta-feira que Espanha, Portugal e França chegam a acordo sobre as interconexões energéticas, com a criação de um “Corredor de Energia Verde”, com a ligação por via marítima de Barcelona a Marselha.

"Agradeço a António Costa e Emmanuel Macron. Chegámos um acordo para acelerar o processo de interconexão", afirmou Pedro Sánchez, em declarações à margem do Conselho Europeu, que se reúne esta quinta-feira em Bruxelas para debater a crise energética.

De acordo com o primeiro-ministro espanhol, os três países "chegaram a acordo para substituir midcat por um novo projeto, chamado “Corredor de Energia Verde” , um gasoduto entre Barcelona e Marselha".

Há muito que Portugal e Espanha têm pressionado França a honrar os seus compromissos, assumidos designadamente numa cimeira de interligações celebrada em Lisboa em 2018 - já com Macron, e, anteriormente, numa cimeira em Madrid, em 2015.

À chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, o primeiro-ministro português enalteceu o acordo com o presidente francês e espanhol que "permitiu ultrapassar um bloqueio histórico" das interligações energéticas da península ibérica com a restante Europa. António Costa adiantou que o acordo permite ainda completar a interconexão da rede portuguesa com a espanhola, entre Celorico da Beira e Zamora.

À semelhança do antigo projeto que passava pelos Pirineus, este gasoduto será vocacionado para o fornecimento de hidrogénio, mas, a curto prazo e durante um período de transição, será utilizado para o fornecimento de gás natural vindo dos vários terminais de gás natural liquefeito existentes na Europa. 

Para o primeiro-ministro, esta crise mostrou que é importante diversificar as rotas de fornecimento de energia e apostar nas energias que permitam substituir a dependência destes recursos.

"É uma boa notícia. Está ultrapassado um dos bloqueios mais antigos da Europa. É um bom contributo que Portugal, Espanha e França dão para o conjunto da Europa, mostrando como é possível ultrapassando bloqueios ajudar ao espírito de solidariedade comum", destacou António Costa.

Questionado sobre o custo do projeto, o líder português destacou que, para o lado português, que diz respeito aos 160 quilómetros de ligação entre Celorico da Beira e Zamora, o custo vai-se manter em relação ao antigo projeto. "Só a parte de ter uma ligação a Espanha já é um grande passo. Passamos de ter acesso a um mercado de dez milhões, para passar a ter acesso a um mercado de 60 milhões", explicou.

Faltará agora, segundo o chefe de Governo português, “acertar os pormenores, do ponto de vista técnico”, em termos de financiamento europeu, nomeadamente através do que a Comissão Europeia pode destinar às interconexões europeias.

A crise energética na UE marcar a discussão na cimeira europeia que hoje arranca em Bruxelas, até sexta-feira, com os líderes europeus a estudarem medidas para combater os elevados preços e assegurar a segurança do abastecimento.

Realizado dias depois de a Comissão Europeia ter apresentado novas medidas para aliviar os preços do gás e da luz, a maior parte das quais terão efeito no inverno do próximo ano, o Conselho Europeu praticamente dedicado à crise energética acentuada pela guerra na Ucrânia começa hoje à tarde com as discussões entre os chefes de Governo e de Estado da UE sobre a energia.

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