Tinha uma mensagem positiva, mas acabou em polémica. O que se passou com a campanha "o verão também é nosso" em Espanha?

CNN Portugal , FMC
3 ago, 23:50

Governo responsabiliza artista e defende não saber tratar-se de "pessoas reais", mas não convence as lesadas

A campanha "o verão também é nosso", criada pelo governo espanhol e o Instituto da Mulher, tinha uma mensagem positiva. O objetivo era celebrar o corpo feminino, promover a inclusão e abolir estereótipos. Só que as mulheres representadas na campanha revoltaram-se: as imagens foram usadas sem autorização prévia e foram adulteradas. O governo diz que não sabe que se tratavam de representações de “pessoas reais”, as lesadas não acreditam na explicação. 

A iniciativa lançada pelo Ministério da Igualdade de Espanha e o Instituto da Mulher mostrava cinco mulheres, todas fisicamente diferentes, a desfrutar de um dia de praia, primando pelo princípio de que a praia é de todos. Contudo, a campanha viu-se rapidamente envolvida em polémica. Apesar de aparentar ser uma imagem gráfica, as cinco mulheres nela presentes baseiam-se em fotografias de pessoas reais e as mulheres em causa pronunciaram-se. Três delas afirmaram não conceder autorização para o uso da sua imagem.  

Depois da polémica se ter instalado o governo veio explicar o incidente. Numa entrevista à Rádio 1 Newsbeat, o executivo defendeu que "em nenhum momento estava ciente de que as mulheres nas imagens eram pessoas reais", citado pela BBC News

"O trabalho contratado era para uma ilustração sem a utilização de quaisquer modelos", continuaram. 

"Portanto, o Instituto da Mulher, como parte interessada, tem estado em contacto com os modelos para esclarecer a situação, e está à espera de que a ilustradora e os modelos cheguem a um acordo", acrescentaram ainda. 

Sian Green-Lord, uma das lesadas, teve de amputar umas das pernas e usa agora uma prótese, mas na imagem usada, a prótese foi apagada. Sobre as justificações do governo defende "não acreditar, de todo."

"Estou sem palavras, na verdade é selvagem, não posso acreditar que se estejam a cavar neste buraco maior", declarou.

A modelo mostrou estar fortemente indignada e zangada com a situação e afirmou que irá lutar por justiça. "Eles nem sequer pediram desculpa - é irónico. Temos de levar isto o mais longe que pudermos. Só quero justiça com todos nós, porque isto tem causado muita perturbação". 

Nyome Nicholas-Williams reitera a retórica de Sian e não aceita a explicação do governo: "Parece que estão apenas a transferir a culpa para o ilustrador, mas foi o governo que as contratou", disse. 

 "A campanha poderia ter sido ótima se nos tivessem convidado a ir a Espanha, tivessem feito a sessão fotográfica e nos tivessem pagado, mas decidiram pôr a minha cabeça noutra pessoa e apagar a perna de Sian", acrescenta. 

Juliet FitzPatrick, uma sobrevivente de cancro que teve de ser submetida da uma mastectomia, partilhou que acreditava que uma das mulheres do cartaz seria baseada nela e que a edição teria sido exagerada. Juliet fez uma mastectomia dupla, porém, a mulher do cartaz mostra ter tirado apenas um dos seios. 

O governo espanhol pediu desculpa apenas a Juliet, mas negligenciou as outras queixas. Pelo contrário a criadora da campanha, Arte Mapache, emitiu um pedido:

"Dada a - justificada - controvérsia sobre os direitos de imagem na ilustração, decidi que a melhor maneira de reparar os danos que possam ter resultado das minhas ações é partilhar o dinheiro que recebi pela obra e dar partes iguais às pessoas no cartaz", disse a artista. 

Também no Twitter, Arte Mapache, partilhou várias publicações onde assume o erro e pede desculpa pela situação. 

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