Polícia espanhola investiga dezenas de casos de mulheres picadas em discotecas

3 ago, 11:01
Discoteca

Até ao momento o motivo é desconhecido já que as vítimas não foram alvo de nenhum roubo, nem de nenhum outro tipo de agressão

A polícia espanhola está a investigar dezenas de casos de mulheres alvo de picadas, com seringas ou agulhas, em discotecas, um pouco por todo o país, escreve o jornal espanhol El País. Só na Catalunha existem 23 queixas, no País Basco são 12 e na Andaluzia já há 10 casos. Mas as denúncias não se ficam por aqui e estão espalhadas por todo o país. 

Apesar de se sentirem tontas depois das picadas, ainda não foi identificada nenhuma substância no organismo das vítimas. Por isso, até ao momento, o motivo das picadas é desconhecido. Nenhuma das vítimas foi alvo roubo, ou de outro tipo de agressão. Segundo o El País, apenas num caso, relativo a uma menor de 13 anos, as análises detetaram ecstasy líquido.

Eram cinco da manhã de uma sexta-feira e Eva estava com os amigos no terraço de uma discoteca, quando percebeu que tinha uma marca na perna esquerda. Foi à casa de banho e descobriu a picada de uma agulha. Confessa, em declarações ao El País, que já tinha visto marcas iguais nas redes sociais, nos últimos tempos. “Fiquei nervosa e tonta. Chorei e contei ao segurança da discoteca que não acreditou em mim”, recorda a jovem de 18 anos.
 
Nenhuma detenção foi feita até ao momento e as intenções dos autores são um mistério para as autoridades. Há ainda registo de um homem vítima de uma picada.

O fenómeno não é novo a nível europeu. E já foi detetado na Bélgica, França ou Reino Unido. Só no outono do ano passado, o Reino Unido contabilizou 1382 casos (maioria mulheres), entre setembro de 2021 e janeiro de 2022. Não só em discotecas, mas também em festas, festivais e eventos públicos.

Dados policiais em França, contabilizam até junho deste ano, 800 denuncias. As autoridades espanholas acreditam que este fenómeno chegou agora a Espanha: picadas aleatórias, sem rasto de substâncias no sangue das vítimas, nem motivos que justifiquem o ato.

Andrea (nome fictício) tem 22 anos e é de Cádiz. Também ela relatou ao jornal espanhol El País o que testemunhou. Saiu com a melhor amiga, sábado passado. “Fomos à casa de banho e no caminho, enquanto passávamos no meio da multidão, ela agarrou o meu braço e gritou que tinha sido picada. Ela viu o rapaz que a picou. Disse que estava vestido de preto e tinha uma seringa na mão”. Avisaram as pessoas no local e o espaço foi encerrado.

A polícia foi chamada ao local, tal como uma ambulância. Outra jovem também se queixou de ter sido picada. Os sintomas depois da picada são idênticos: tonturas e vómitos. No entanto, nunca acusam a presença de uma substância conhecida ou desconhecida.

Estes casos estão a preocupar as autoridades, que pedem a todas as vítimas que denunciem a situação à polícia.  Há várias medidas que estão a ser discutidas, para que estes casos continuem a crescer e, identificar todos os homens à entrada das discotecas, é uma delas, escreve o El País.
 

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