Exposição a doenças, medo de sair à noite, perda de consciência e reações a fármacos. Autoridades espanholas preocupadas com “picadas misteriosas” em clubes noturnos

CNN Portugal , DCT
5 ago, 12:30
Discoteca (Pexels)

O fenómeno não é novo, mas agora está a alastrar por várias regiões espanholas. No espaço de cinco dias, foram feitas mais de 60 denúncias

Os locais variam entre discotecas, clubes, festas e festivais de música, mas as vítimas são maioritariamente mulheres (para já há apenas a denúncia de um homem). Em Espanha, o fenómeno tem-se multiplicado nos últimos dias, mas ainda sem detenções e motivos aparentes. As consequências, por seu turno, começam a ser já medidas.

Até ao momento, apenas num dos casos, o único em que envolve uma menor de idade, foi encontrado ecstasy líquido no organismo da vítima, uma jovem de 13 anos. Mas esta pode ser uma das consequências daquilo a que os espanhóis chamam “pinchazos”: a injeção não consentida de substâncias ilícitas, que podem, por exemplo, provocar inibição, incapacidade de defesa ou tomada de decisões, queda da pressão arterial e perda de consciência. 

O risco de exposição a doenças ou vírus, como hepatite B e VIH (pois não se sabe se a mesma seringa foi usada em mais do que uma pessoa) e reações a fármacos (uma vez que também não se sabe, ainda, que substâncias estão a ser administradas) são outros potenciais efeitos que têm alarmado o Conselho Geral de Enfermagem de Espanha, conta o La Vanguardia. Mas há outro, adianta o El País: a insegurança e o medo de sair à noite e de ir para locais movimentados, sobretudo por parte de mulheres, uma situação que a médica espanhola Nerea Barjola chama de “terror sexual”.

O El Mundo dá conta que, até ao momento, foram feitas 60 denúncias e que várias autarquias estão já em trabalho conjunto com as autoridades para investigar o fenómeno. Dezenas de casos ocorreram nos últimos dias no País Basco, Catalunha (onde há o relato de um homem picado e é palco de 25% dos casos até agora detetados, sendo que o foco de maior preocupação está em Lloret del Mare, por ser um local de atração turística nesta altura do ano), Cantábria, Andaluzia, Aragão, Valência, Ilhas Baleares, Navarra e Castilla-La Mancha. O fenómeno não é novo a nível europeu e já foi detetado na Bélgica, França ou Reino Unido. Só no outono do ano passado, o Reino Unido contabilizou 1382 casos (maioria mulheres), entre setembro de 2021 e janeiro de 2022. Não só em discotecas, mas também em festas, festivais e eventos públicos.

Prestar atenção aos efeitos imediatos e apresentar queixa

Numa altura em que Espanha se assume como destino de férias de muitas famílias e grupos de amigos, nomeadamente portugueses, o Conselho Geral de Enfermagem apela a que todos fiquem atentos aos sintomas que até agora têm sido associados à picada - e mantêm-se também os conselhos para que vigiem o copo que estão a usar.

Comichão, tontura, náuseas, visão turva e sonolência são os efeitos mais imediatos que não devem ser ignorados. Os especialistas aconselham que a pessoa vá de imediato a uma unidade de saúde sem trocar de roupa, devendo reportar a situação à polícia e apresentar queixa.

O organismo apela ainda a que as pessoas mais próximas da vítima estejam também atentos e reportem às autoridades o sucedido. Além disso, são aconselhados a retirar a pessoa picada do meio da multidão e a chamar os serviços de emergência caso os efeitos se agravem.

Perante a escalada do fenómeno, a federação de empresários donos de discotecas e bares em Espanha assinou um acordo com o ministério da Igualdade de modo a adotar medidas de prevenção e a facilitar o processo de denúncia. Uma das medidas adotadas foi a colocação de “pontos violeta” nas casas de banho destes locais. Esses “pontos violeta”, sob a forma de um QRCode, têm informação útil de como agir em caso de agressão.

Segundo o El País, embora não estejam a ser detetadas drogas nos testes laboratoriais feitos às vítimas, as picadas não consentidas podem constituir crime, conforme explicou esta semana a ministra da Justiça, Pilar Llop.

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