Pedro Sánchez culpa Rússia e Israel pela crise migratória em Ceuta

31 ago, 09:15
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Governo de Espanha entende que houve tentativa de utilizar um tema que "divide e polariza" a Europa para semear a confusão

O primeiro-ministro de Espanha culpou Rússia e Israel pela entrada maciça de migrantes vindos de África em Ceuta.

Em entrevista na rádio Cadena Ser, Pedro Sánchez afirmou que a passagem de mais de 70 mil pessoas de Marrocos para Espanha no espaço de poucas horas está relacionada com desinformação espalhada nas redes sociais.

“Foi emitida uma sentença do Tribunal Supremo que foi expandida pelas redes sociais através de mentiras e desinformação também de organizações criminosas”, sublinhou, garantindo que foram identificadas ligações de Rússia, Israel e de “um movimento internacional de extrema-direita que utiliza sempre a migração não só para atacar Espanha, mas também a Europa e dividi-la."

“Houve redes russas e israelitas que difundiram essas mentiras e atacaram o governo de Espanha e os europeus num tema corrosivo como a migração ilegal, que divide e polariza muitas sociedades europeias”, continuou, referindo que a desinformação pretendeu passar a mensagem de “se [os migrantes] entrassem a nado na cidade autónoma de Ceuta, era impossível o retorno na fronteira, o que não é verdade”.

Na ótica de Pedro Sánchez, tanto Rússia como Israel tentaram vingar-se de Espanha e do seu governo pela posição que este tem mantido em relação às guerras que envolvem aqueles países.

Como praticamente toda a União Europeia desde 2022, Espanha tem sido vocal contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia. Para além disso, o país assumiu uma postura claramente contra a guerra na Faixa de Gaza, criticando abertamente Israel pelo que está a acontecer.

Quanto à atual situação em Ceuta, Pedro Sánchez confirmou que ainda permanecem no local cerca de cinco mil pessoas, sendo que 1.200 são menores não acompanhados. O mesmo é dizer, segundo o primeiro-ministro de Espanha, que já regressaram perto de 90% dos migrantes que entraram a 30 e 31 de julho no exclave que o país mantém no continente africano. Por outro lado, houve já mais de 100 deportações no último mês de pessoas que cometeram crimes.

De resto, Espanha entende que Marrocos tem estado a cooperar desde o primeiro momento com as autoridades, pelo que o governo afasta um possível envolvimento do país africano no que aconteceu.

“O que quero dizer com isto é que temos de ter consciência de que esta crise só pode ser resolvida com cooperação e não com falta de confiança em Marrocos, o que apenas agravaria ainda mais uma situação já complexa em Ceuta”, acrescentou.

"Continuamos a investigar [o que aconteceu em Ceuta no final de julho]. O Governo de Espanha tem de agir sobre dados, sobre factos certos", sublinhou.

Pedro Sánchez considerou que Espanha e a UE sofrerem um "ataque híbrido" que usou a imigração e defendeu que a Europa deve e tem de ser sempre solidária, "em Lampedusa, na Gronelândia, em Ceuta ou nas Canárias", e lamentou as críticas e reações ao ocorrido em Ceuta de governos como o de Itália ou Dinamarca.

O primeiro-ministro reiterou ainda que o governo espanhol não teve qualquer informação nos dias anteriores à entrada de mais de 70 mil pessoas em Ceuta - onde a população residente ronda as 83.500 - que previsse "a magnitude da crise".

Segundo Sánchez, que aquilo que houve foram relatórios sobre um pico de tentativas de acesso à cidade a nado que levaram a reforços de meios de controlo da fronteira e de instalações de acolhimento de migrantes.

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