O que é que aconteceu a Juana? O que é que aconteceu a Juana? O que é que aconteceu a Juana?

CNN Portugal , FMC
4 jul, 12:52
Juana Canal, ossos encontrados depois de 19 anos desaparecida (Twitter)

ESPANHA Este é um mistério com quase 20 anos - há novos dados mas são novos dados ainda insuficientes. A polícia continua a investigar - mas é uma investigação fragilizada pelo tempo

Juana Canal desapareceu em 2003, em Madrid. Há um facto: está morta. Há outro facto ainda: a polícia soube três anos antes da família que Juana estava morta. Há um não facto, um mistério: que lhe aconteceu mesmo?

Dezasseis anos após o desaparecimento, um homem que passeava numa zona rural, em Ávila, a cerca de 110 km da capital, encontrou em 2019 um crânio e um fémur. Em poucos meses, os ossos foram identificados como sendo de Juana. Contudo, só recentemente é que a família recebeu a notícia.  

Através da comparação do ADN na base de dados espanhola de pessoas desaparecidas, confirmou-se que pertenciam a Juana. As autoridades sabiam mas no processo alguma coisa correu mal e a informação não chegou à família.

Citada pelo El País, fonte policial indicou que, "normalmente, quando há uma correspondência, o organismo correspondente deve informar o tribunal e o tribunal deve continuar com o processo", indicando que estão a tentar entender o que aconteceu para que a notícia tenha chegado tão tardiamente à família.  

Apesar da demora, a família sabe agora que Juana morreu, o que finda as buscas. A questão que ainda se coloca é: o que é que aconteceu?  

A última vez que se soube de Juana foi a 22 de fevereiro de 2003, quando tinha 38 anos. Segundo relatado na altura, um dos filhos, Sergio, encontrou, quando chegou a casa, um bilhete que lhe era dirigido, escrito pelo parceiro da mãe da altura. "A tua mãe e eu tivemos uma grande discussão e ela fugiu. Saí à procura dela mas não a encontrei", lia-se na mensagem.  

Havia suspeitas de violência doméstica. O parceiro, Jesús, prestou, mesmo que relutante, um depoimento logo após o desaparecimento, mas pouco havia contra ele e o caso não avançou nesse sentido. E desde aí nunca mais se soube do seu paradeiro, confirmou a irmã de Juana, Ana María, ao Caso Abierto, em março de 2022: "Depois do desaparecimento da minha irmã ele dirigiu-se à casa dos pais e nunca mais voltou a casa, não nos ajudou a procurar, nunca mais ligou, nem nunca mais se interessou". Reforçou ainda que "a única testemunha do que aconteceu naquela noite é o parceiro da minha irmã". 

As autoridades também seguiram a pista da hipótese de fuga - que se sustentava no passado problemático de Juana, ligado ao alcoolismo, depressão e ansiedade. Contudo, a família sempre rejeitou essa opção, acreditando que ela seria incapaz de abandonar os seus dois filhos que tinha de um casamento anterior e que todos os problemas antigos estavam na altura resolvidos.   

As investigações foram agora retomadas. A Polícia Nacional, responsável pela investigação, alerta que, mesmo com as novas provas, a tarefa de perceber o que aconteceu mantém-se complexa. Os ossos encontrados podem não indicar o que aconteceu, a não ser que seja identificado algum ferimento específico no crânio. Ademais, encontrar o local do crime passado tanto tempo é quase impossível, o que impossibilita que se proceda à reconstrução das últimas horas de vida da vítima.  

Ao longo dos últimos anos María não desistiu de procurar respostas, criando até uma rede em que publicava com alguma frequência informações sobre Juana e que pedia pistas sobre o seu paradeiro. "O objectivo é aproveitar a oportunidade que esta rede nos dá de estender a sua imagem e dados a amigos e a amigos de amigos. Quanto mais melhor", escreveu há seis anos. Infelizmente, todas informações que foram dadas nunca resultaram em nada. 

"Minha querida irmã, encontraste as tuas escadas para o céu..... Espera por mim lá e cantaremos juntas novamente para sempre", escreveu a irmã depois de ter tido conhecimento da morte de Juana, citada pelo jornal Caso Abierto

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