Espanha: Vox acusa equipa feminina de competir com dois homens

23 out 2024, 10:46
Álex Alcaide Santos e Nil Alcón Labella, do Europa B, de Espanha (DR)

Argumentos surgiram depois do encontro entre Terrasa e Europa B, da II Liga feminina

Alicia Tomás, porta-voz do partido Vox no município de Terrasa, levantou este fim-de-semana suspeitas de que, no encontro entre a equipa local, o Terrasa, e o Europa B, os adversários tenham jogado com dois homens em campo, pondo em causa a justiça do jogo.

Na origem da polémica estão duas atletas que atuam pela segunda equipa do Europa e que, para a deputada «é injusto que numa competição feminina participem homens que se intitulam mulheres, como que participem mulheres que estão a passar pelo processo hormonal masculino.» Alicia Tomás acrescentou ainda que «no VOX, vamos defender as mulheres e a luta que durante décadas travaram os nossos antepassados contra a perversa ideologia de género»

 

Naturalmente a equipa acusada reagiu com a emissão de um comunicado.

«Perante a violência exercida sobre duas das jogadoras da equipa reserva feminina, do Club Europa dizemos não à violência transfóbica e LGTIfóbica e a qualquer tipo de violência. Elas também trabalham e lutam pelo direito que todas as pessoas possam viver as suas vidas livres de todos os tipos de violência. Vidas que merecem ser vividas. Combater os crimes de ódio e a violência transfóbica é um dever coletivo que desafia toda a sociedade. Por isso, reiteramos e afirmamos bem alto que seguimos firmes. Contra a agressão e o fascismo, dizemos ‘nem um passo atrás.»

 

Dada a polémica que se instaurou em Espanha devido ao caso, o jornal Marca investigou sobre o mesmo e apurou, junto das próprias atletas em questão, que Álex Alcaide Santos e Nil Alcón Labella são efetivamente duas pessoas que nasceram como mulheres, com características primárias femininas, e estão num processo de transição para serem considerados homens.

O problema é que, neste processo, as jogadoras não são aceites para jogarem em ligas masculinas, porque legalmente ainda são mulheres. É por essa razão que continuam a jogar no campeonato feminino, algo que as próprias rivais consentiram, apesar das consequências destes processos biológicos e hormonais, o que acaba por provocar um maior volume muscular e até barba.

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