Amnistia Internacional teme que RD Congo use o Barça para «limpar imagem»

1 ago 2025, 17:43
Novo equipamento Barcelona (Barcelona/Site oficial)
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Organismo dá o exemplo do Ruanda, que patrocina alguns dos mais importantes clubes da Europa

A Amnistia Internacional teme que o acordo entre a República Democrática do Congo e o Barcelona seja uma forma de ajudar o país africano a limpar a sua imagem e a apresentar-se ao mundo como «aberto e moderno».

O responsável pela Europa e Médio Oriente da Amnistia Internacional, o espanhol Carlos de las Heras, explicou que, embora a organização não se oponha à assinatura deste acordo, receia que este se torne um instrumento para apresentar a República Democrática do Congo como um país reformista, sendo que «a realidade dos direitos humanos neste país é tremendamente complicada».

Carlos de las Heras recordou que este tipo de situação «não é nova» e que esta estratégia de visibilidade internacional tem sido adotada nos últimos anos pelo Ruanda (país que faz fronteira com a Congo), que conseguiu patrocínios com clubes de futebol como Arsenal, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Atlético de Madrid.

As tentativas de alguns países para «limpar a sua imagem» através do futebol não foram bem-sucedidas, assegurou o responsável da Amnistia Internacional, dando o exemplo do Campeonato do Mundo do Qatar.

No âmbito do acordo, pelo qual o clube espanhol receberá cerca de 44 milhões de euros, todas as equipas profissionais do Barcelona exibirão a frase «RD Congo-Coeur de Afrique» (RD Congo-coração de África) nas costas das suas camisolas de treino durante as próximas quatro épocas. O clube de futebol também promoverá um programa de atividades desportivas no Congo destinado às crianças.

De las Heras reconhece que o acordo inclui «questões positivas» no domínio desportivo, mas apelou a que este tipo de aliança fosse «mais longe» e incluísse compromissos em matéria de direitos humanos.

«Nem tudo é válido por razões económicas, mas as questões que vão para além do dinheiro também devem ser tidas em conta», denunciou.

O responsável da AI detalhou a situação dos direitos humanos no Congo, mergulhado num contexto de violência devido ao conflito entre o grupo rebelde Movimento 23 de março (M23) e as autoridades governamentais, que já causou milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados, acrescentando ainda que existem outras preocupações mais gerais, como a repressão da comunidade LGBTI e a violência sexual contra as mulheres, que foram também agravadas pelo conflito.

O dirigente da Amnistia Internacional considera ainda que o acordo com o Barcelona pode dever-se ao facto de as autoridades do Congo terem visto como o Ruanda «os derrotou» e terem decidido que «também vão jogar este jogo».

O responsável considera ainda «curioso» que dois países que estiveram em conflito durante anos, «com uma rivalidade muito amarga», tenham levado o conflito armado a uma corrida através de um «branqueamento desportivo».

A República Democrática do Congo acusa o Ruanda de apoiar o M23 na sua ofensiva no leste do país. No entanto, a 27 de junho, os dois países assinaram, em Washington, um acordo a nível ministerial para tentar pôr fim a mais de três décadas de tensões bilaterais.

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