"Ainda se avizinham horas difíceis": corrida contra o tempo em Espanha e França para controlar os incêndios antes de uma nova onda de calor

CNN Portugal , MJC
28 jul, 07:08

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Noite mais tranquila, mas os bombeiros continuam a trabalhar nos vários focos de incêndio, sobretudo nas regiões de Ávila e Madrid (Espanha) e Gironda (França)

Os bombeiros espanhóis continuam esta manhã a tentar controlar os incêndios que assolam as proximidades de Madrid, a poucas horas da chegada de um vento do sul que traz o risco de agravamento dos fogos.

Os incêndios florestais que assolam Ávila e Madrid continuam ativos esta terça-feira. Durante a madrugada, 50 equipas terrestres trabalharam numa das zonas que mais preocuparam ontem: a região em redor do rio Cofio. Os esforços "têm sido positivos", informou o canal 112 da Comunidade de Madrid na sua atualização das 7:00, publicada no X. A descida da temperatura durante a noite ajudou o combate aos incêndios. "Esta terça-feira, prevê-se um aumento das temperaturas, o que voltará a afetar os trabalhos de combate aos incêndios." São horas cruciais até à chegada de uma nova onda de calor a Espanha. 

O jornal El Mundo fala na "maior evacuação da história espanhola": 73 mil pessoas desalojadas pelos incêndios que já devastaram quatro províncias.

O vento deverá mudar de direção a meio do dia de hoje. "Soprará então do sul e tudo o que não tiver sido contido poderá muito bem complicar novamente a situação. É isso que torna tão importante o esforço que vai ser envidado" até lá, sublinhou durante a noite o delegado do Governo na região de Madrid, Fran Martin Aguirre.

O dia de hoje será "absolutamente determinante", afirmou em conferência de imprensa o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que disse esperar "controlar e domar o fogo" e referiu "previsões verdadeiramente desfavoráveis" a partir de quarta-feira.

Já esta terça-feira,o ministro referiu que a noite foi “razoavelmente positiva” para o progresso dos incêndios florestais em Madrid, Ávila e Toledo, graças ao trabalho das equipas de combate aos incêndios. “Hoje podemos estar um pouco mais tranquilos, sobretudo tendo em conta as condições meteorológicas que vamos enfrentar nas próximas horas”, disse em entrevista ao programa televisivo “La hora de La 1”. Marlaska explicou que a prioridade passa agora por “consolidar os progressos realizados na última noite”.

O incêndio da "Sierra del Oeste", na região de Madrid, estava a juntar-se ao gigantesco fogo de Ávila, na região vizinha de Castela e Leão, o incêndio florestal "mais grave" da história recente de Espanha, de acordo com o Governo.

Estes incêndios devastaram, em poucos dias, cerca de 75 mil hectares. 

"Ainda se avizinham horas difíceis" com "o aumento das temperaturas", alertou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, na segunda-feira, durante uma visita ao centro de coordenação de socorro na região de Valência (este). Num discurso dedicado aos "refúgios climáticos" destinados a proteger a população durante ondas de calor, o primeiro-ministro considerou que estes incêndios, de uma magnitude sem precedentes, são "a expressão mais dolorosa de uma emergência climática". "Já não é uma exceção, é a regra", alertou, em tom grave, referindo "mais de 170 mil hectares queimados" em Espanha desde o início do ano.

Continua o combate mas a "noite foi tranquila" em Gironda

Em França, onde se combatem vários incêndios simultaneamente, o regresso do calor e a chegada de um vento mais seco também fazem temer um agravamento da situação, numa altura em que 42 mil hectares já foram consumidos pelas chamas no departamento da Gironda (sudoeste).

O incêndio que deflagrou na quinta-feira perto de Biscarrosse, na região de Landes, está agora "contido", anunciou o presidente Emmanuel Macron na noite de segunda-feira. Isto significa que já não está a alastrar, após queimar 3.600 hectares e destruir 198 edifícios. Cerca de 8.000 dos 30.000 residentes retirados puderam regressar às suas casas.

No entanto, o incêndio de grandes proporções na região de Gironde está apenas "estabilizado", anunciaram os serviços estatais na manhã desta terça-feira. A autarquia informou que "a noite foi tranquila". "Vários focos isolados foram combatidos durante a noite, mas estão sob controlo (a norte de Le Porge, a norte de Cap Ferret, na zona das dunas) graças ao trabalho dos bombeiros", acrescentou.

Os trabalhos em "caleiras táticas" realizados por engenheiros militares e pelo serviço de prevenção de incêndios florestais foram retomados às 6:30, informa o jornal Le Monde. “Até ao momento foram criados 103 quilómetros de caleiras táticas para estabelecer as barreiras necessárias para impedir a propagação do fogo”, segundo a mesma fonte.

Nenhum comboio TGV circulará a sul de Bordéus na terça-feira, exceto os que servem Agen e Toulouse.

A agência Météo-France emitiu um alerta amarelo de onda de calor para o departamento a partir do meio-dia, com as temperaturas a atingirem entre os 33 e os 35 °C, acompanhadas por um vento sueste em toda a região de Gironda, que, no entanto, beneficiará das brisas marítimas, carregadas de humidade, ao longo da costa. "Uma receita perfeita para o ressurgimento dos incêndios florestais", disse um especialista ao Libération.

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