Grande entrevista | Sociais-democratas estão a "alcatroar a autoestrada" à extrema-direita. "As democracias estão em risco de extinção"

9 ago 2025, 07:30
Steven Forti (cortesia Steven Forti)

 

 

O ESPELHO ESPANHOL || "Estamos a assistir a uma 'ultradireitização' da direita tradicional", avisa Steven Forti, e o erro está no pretenso esvaziamento da agenda da extrema-direita, que acaba por dar-lhe mais força. O historiador e politólogo explica que as estratégias de partidos como o Vox ou o Chega são "as mesmas de todos os outros partidos de extrema-direita" e "o bombardeamento de informação contínua torna quase impossível reter e recordar o que se passou há 24 ou 48 horas"

Historiador e politólogo especializado em fascismos, nacionalismos e extremas-direitas, Steven Forti (Trento, 1981) tem-se dedicado a estudar os movimentos populistas em forte crescimento na União Europeia na última década, inclusive em Portugal

Em entrevista à CNN Portugal, a primeira de uma série de cinco sobre grandes temas que dominam a atualidade em Espanha, o historiador italiano fala sobre a ascensão do Vox e o recente "pogrom" em Torre Pacheco, mas alarga a sua análise ao auge do autoritarismo em todo o mundo. "O que se passou em Espanha recentemente foi muito grave, uma caçada, um pogrom do século XXI frente a populações migrantes, principalmente muçulmanos"

 

"Todas as democracias pluralistas do ocidente estão em risco de extinção"

O título do seu último livro começa assim: "Democracias em extinção". A Espanha é uma democracia em extinção, ou em risco de vir a sê-lo? 

Todas as democracias pluralistas que conhecemos, do mundo ocidental, tanto na Europa como no continente americano, estão em risco de extinção. Evidentemente, isso não quer dizer que vão acabar mal, ou que vão deixar de ser democracias pluralistas. Mas estamos a enfrentar esse risco, e esse risco está presente em Espanha, que tem, atualmente, um dos raros Governos progressistas de todo o Ocidente. E o mesmo risco aplica-se a outros países como Portugal, a Argentina... os Estados Unidos desde o regresso de [Donald] Trump... e outros países europeus, como Itália, governada por [Giorgia] Meloni.

É um risco existencial para as democracias. E acontece tanto em relação com o auge das formações de extrema-direita — que são, neste momento, a principal ameaça à existência de modelos políticos pluralistas e liberais — mas também como consequência de uma série de problemáticas internas, e pela incapacidade dessas mesmas democracias de oferecer respostas aos problemas que estamos a viver.

A extrema-direita é a principal ameaça à existência das democracias pluralistas, mas não é a causa. É um sintoma" 

Convém sublinhar uma questão fundamental. A extrema-direita é, desde logo, a principal ameaça à existência das democracias pluralistas, mas não é a causa. É um sintoma. Há problemas que, nalguns países mais do que noutros, mas de uma forma geral, se arrastam e têm vindo a agravar-se nas últimas décadas. A extrema-direita surge, precisamente, porque existem esses problemas. É um ator que quer dar a machadada definitiva nas democracias liberais, e está em vias de conseguir isso mesmo.

Vemos isso na Hungria, onde [Viktor] Orbán governa há 15 anos. Estamos a ver isso nos EUA e, num contexto de genocídio, em Israel, onde também há um enfraquecimento da separação de poderes e do Estado de direito. E noutros países como El Salvador, desde a chegada ao poder de [Nayib] Bukele.

Qual é a razão do êxito de Orbán? Ele é, porventura, o líder mais antigo e duradouro da "extrema-direita 2.0", para usar outra expressão tirada de um livro seu ["Extrema-direita 2.0. O que é e como combatê-la" (2021), ainda sem tradução portuguesa].

A Hungria tornou-se um modelo. E isto não é uma opinião baseada nas paranóias de um investigador da extrema-direita que, enquanto cidadão, se preocupa com o futuro das democracias. Baseio-me em dados, nos contactos e nas redes que estão a tecer as extremas-direitas — entre elas as húngaras, particularmente ativas — por todo o mundo, e no interesse demonstrado por 'think tanks', fundações, partidos políticos de extrema-direita, ou ultraconservadores, no que aconteceu na Hungria nos últimos 15 anos.

O êxito de Orbán é este: não só ter deixado que a Hungria se transforme num sistema autoritário, em sentido amplo, mas também ter mantido esta fachada de democraticidade que lhe permite ser, até certo ponto, bem recebido nos fóruns e organismos internacionais, e por isso mesmo, um modelo para ser estudado por outros"

Orbán está a ter um êxito estrondoso que lhe permite governar com maiorias 'absolutíssimas' e, graças a isso, pode mudar quando bem entende a Constituição, pode controlar o Parlamento, está a controlar já a magistratura, e o pluralismo informativo brilha pela sua ausência. Na Hungria, mais de 90% dos media são controlados pelo Governo ou estão em mãos de testas de ferro, oligarcas amigos de Orbán. A perda de direitos é uma evidência, inclusive com barbaridades como a proibição, por lei, da celebração do Orgulho Gay, como aconteceu agora em 2025, por mais que depois houvesse um protesto...

Diria então que a Hungria não é uma democracia plena?

Com certeza que não. Há toda uma série de estudos e relatórios independentes que afirmam isso mesmo desde há muitos anos. Este processo paulatino de erosão interna da democracia na Hungria não começa em 2025, começa em 2010 e, no mínimo, é uma realidade desde 2018. Não devemos esquecer a brincadeira macabra que o então presidente da Comissão Europeia, [Jean-Claude] Juncker, fez [em 2015], quando disse a Orbán "Olá, ditador". Houve uma resolução, que obteve maioria absoluta no Parlamento Europeu em 2022, que diz que a Hungria já não é uma democracia plena, mas sim um regime híbrido de autocracia eleitoral.

22 de maio de 2015. O luxemburguês Jean-Claude Juncker (à direita), então presidente da Comissão Europeia, recebe "especialmente alegre" o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, durante a receção oficial dos chefes de Estado na cimeira europeia em Riga, Letónia. Juncker diz-lhe "Olá ditador!". À esquerda está Donald Tusk, então presidente do Conselho Europeu. AP Photo/Mindaugas Kulbis, File

Esse é também, gostaria de sublinhar, o êxito de Orbán: conseguir que o seu país continue a ser membro da UE e da NATO e, ao mesmo tempo, deixar de ser uma democracia. Seguindo o modelo de autocracias eleitorais que está a consagrar-se, estamos perante regimes autoritários distintos dos que houve no passado, que tentam manter uma aparência de democraticidade. O êxito de Orbán é este: não só ter deixado que a Hungria se transforme num sistema autoritário, em sentido amplo, mas também ter mantido esta fachada de democraticidade que lhe permite ser, até certo ponto, bem recebido nos fóruns e organismos internacionais, e por isso mesmo, um modelo para ser estudado por outros que pretendem fazer o mesmo que ele fez na Hungria.

 

"Estamos a viver a primeira grande vaga de 'desdemocratização' desde a Segunda Guerra Mundial"

Nessa mesma categoria de autocracia eleitoral estaria a Rússia, num grau extremo, ou a Rússia nem sequer encaixa nesta categoria?

Há um debate sobre a definição dos diferentes tipos de autoritarismo. Na segunda metade do século XX, debatia-se que tipo de autoritarismo encarnavam o Portugal de Salazar ou a Espanha de Franco. Eram regimes fascistas, ou autoritários... mas de outro tipo? Há muita literatura e posições encontradas, e o debate continua atualmente face a outro tipo de autoritarismo, que tem obviamente elementos do passado, mas que incorporou outros novos, como esta fachada de democraticidade de que falava há pouco.

Estudos importantes e muito citados, como é o caso dos relatórios do Instituto V-Dem da Universidade de Gotemburgo, publicados anualmente e que dão conta da saúde das democracias, afirmam que estamos a viver a primeira grande vaga de 'desdemocratização' desde a II Guerra Mundial. É uma vaga que dura há quase duas décadas, e o que significa é que cada vez mais países deixam de ser democracias e cada vez há mais regimes autocráticos.

Hoje em dia, menos de 28% da população mundial vive em regimes democráticos plenos. A Rússia, por exemplo, continua a organizar eleições e tem, supostamente, embora cada vez menos, partidos de oposição. Conquistam de 1 a 4% dos votos e os seus dirigentes são presos, e por isso é claro que a Rússia é um regime autocrático. A Rússia de Putin começou, antes de outros regimes, esta transição de uma democracia, que já era frágil, para um regime autocrático pleno. Podemos debater se definimos a Rússia como autocracia eleitoral ou fechada, mas não há dúvidas de que Orbán, que tem excelentes relações com a Rússia, também a nível económico e não só ideológico, observou e tomou nota da transformação feita por Putin. 

A Rússia faz parte, portanto, da vaga 'desdemocratizadora' e 'autocratizante' que surge em meados da segunda década deste século. E a Rússia foi um modelo para que outros aprendessem: a lei húngara que equipara a pedofilia com a homossexualidade foi previamente aplicada na Rússia, em 2013. E há, portanto, uma atração autocrática pela Rússia que depois se adapta aos diferentes contextos nacionais.

Países como os EUA nunca tinham tido um regime autoritário"

Dizia há pouco que a extrema-direita não é uma causa, mas antes um sintoma da crise da democracia. No caso da Venezuela, um regime de esquerda, podemos falar de totalitarismo ou estamos perante outra forma de autoritarismo — apenas mais um caso da tal vaga 'desdemocratizadora'?

Os dados do Instituto V-Dem demonstram que há uma tendência clara, nas últimas duas décadas, de redução do número de democracias. Isto acontece em todo o mundo, mas está a afetar cada vez mais — e isso é preocupante — os continentes europeu e americano, onde havia democracias consolidadas e países, como os EUA, que nunca tinham tido um regime autoritário.

Vladimir Putin e Donald Trump na cimeira do G20 no Japão em 2019 (Getty Images)

A questão é que, ao contrário do que acontecia no passado, não há só democracias que sofrem golpes de Estado e juntas militares, etc., que desembocam em regimes autoritários. O que temos agora é uma erosão a partir de dentro da democracia, frequentemente sem golpes de Estado, mas com mudanças constitucionais — como explicam Steven Levitsky e Daniel Ziblatt no seu bestseller "Como morrem as democracias", uma erosão interna que transforma democracias em sistemas que já não o são".

Em relação ao totalitarismo na Venezuela, e não só, é preciso ter muito cuidado. Não quero com isto desvalorizar a erosão da democracia, e a perda de direitos, que está a acontecer em muitas latitudes do planeta — da Venezuela à Rússia, da Hungria ao El Salvador, por exemplo. Mas a definição de totalitarismo tem a ver com um grau muito mais exacerbado dos autoritarismos. O regime nazi, a URSS de Estaline e a Itália de Mussolini foram regimes totalitários, onde havia um partido único, uma ideologia, e um controlo generalizado da população que não visava apenas o controlo dos corpos — a repressão, a violência contra os opositores — mas também o controlo das mentes. Ou seja, não só exigiam a obediência passiva da cidadania como também pretendiam, e conseguiram nalguns casos, uma mobilização ativa a partir de uma ideologia.

Hoje não vemos isto nem na Rússia de Putin, nem na Venezuela de Maduro, nem na Hungria de Orbán. Mas isto não quer dizer que não sejam regimes autoritários. E o mesmo se aplica a um dos grandes debates do nosso tempo, se podemos definir a extrema-direita como fascismo ou não.


"O conceito de fascismo foi banalizado. E foi aplicado a qualquer opção de direita"

É uma reflexão presente em Espanha, por exemplo. É possível, ou não, chamar fascismo, ou 'neofranquismo', ao conjunto de ideias defendidas pelo Vox?

Há um debate sobre o assunto, e convém ter em conta que não sabemos ainda como vão evoluir muitos destes fenómenos, como o Vox, o Chega, e o Reagrupamento Nacional de [Marine] Le Pen em França. Custa-me muito, e acho que não é correto, usar o termo 'fascismo'. Porquê? Porque o fascismo foi uma ideologia política — como sublinha Emilio Gentile, um dos maiores especialistas em fascismo ainda vivo — que tinha uma série de elementos nucleares que não vemos nas novas extremas-direitas.

Falo da utilização da violência como ferramenta política legítima através de um partido que é um partido-milícia. Não digo que hoje não haja violência — existe sem dúvida, nuns casos mais do que noutros, e até há milícias nos EUA. Mas não há um partido-milícia que aceite e reivindique a violência como uma ferramenta legítima. Não há partidos de massas como os que houve, no século passado, entre as duas guerras mundiais. Não há — embora seja discutível no caso de Israel, ou talvez no futuro com Trump — um projeto expansionista imperialista como o que vivemos com a Alemanha nazi ou a Itália fascista.

Houve muitos autoritarismos na História e nem todos eram fascistas, temos de ter cuidado ao empregar estes termos. Se tudo é fascismo, no fim nada é fascismo."

Há uma questão de fundo: o conceito de fascismo foi banalizado nos últimos 80 anos. E foi aplicado, sobretudo no debate político e na opinião pública, a qualquer opção de direita: [Silvio] Berlusconi foi definido como fascista, [José María] Aznar também... qualquer ameaça direitista, inclusive as democráticas, foi denominada como fascismo. O conceito serviu para definir tudo o que tinha caspa, ou era visto, minimamente, como de direita, conservador, ou autoritário nalguns casos. Mas houve muitos autoritarismos na História e nem todos eram fascistas, e por isso temos de ter cuidado ao empregar estes termos. Se tudo é fascismo, no fim nada é fascismo.

Isto não quer dizer que alguns movimentos não sejam antidemocráticos ou autoritários. Vamos continuar a acompanhar a evolução para ver se, eventualmente, se transformam em movimentos fascistas. Nalgumas situações, há de facto elementos de continuidade com o passado, como no caso dos Irmãos de Itália de Meloni. A cultura política do fascismo está claramente presente nos Irmãos de Itália, embora o partido se tenha moderado nas últimas décadas.

Mas como podemos falar de fascismo no movimento 'A liberdade avança' de [Javier] Milei? É um movimento que procura erodir e esvaziar a democracia na Argentina, mas não há uma doutrina fascista no pensamento do partido ou do próprio Milei. É neoliberalismo autoritário. É democrático? Não. É fascista? Também não. Temos por isso de ser cuidadosos, para não perder de vista, e banalizar, o que foram os movimentos fascistas do passado.

20 de janeiro de 2025. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o presidente argentino, Javier Milei, e o vice-presidente chinês, Han Zheng, na tomada de posse de Donald Trump, nos Estados Unidos (EPA)

Pois, já passaram mais de 100 anos desde que o fascismo surgiu na Itália...

Sim, e houve autoritarismos de direita antes do fascismo. Tinham outro nome, porque o fascismo surge no século XIX e consolida-se em 1919-22. Foi uma invenção italiana, de Mussolini, que depois se foi expandindo e adaptando aos diferentes contextos dentro e fora da Europa. A reflexão é importante para definir a extrema-direita, que é um conceito-quadro, mais amplo, mas que nos permite ver as linhas de continuidade, inclusive com o passado pré-fascista.

Nesse conceito-quadro cabem o populismo radical de direita e muitas outras coisas. Nos seus livros fala de "extrema-direita 2.0" também por causa das novas tecnologias. Qual é o papel das novas tecnologias num país como a Espanha, onde não havia extrema-direita desde os anos 70 e onde agora, desde 2018, assistimos à ascensão fulgurante do Vox?

As estratégias do Vox são as mesmas de todos os outros partidos de extrema-direita. O Chega, o bolsonarismo, o trumpismo nos Estados Unidos... Meloni, Orbán. Mas sempre adaptadas aos diferentes contextos. O Vox não surge só por causa de uma estratégia digital potente, com forte investimento, para normalizar as ideias da extrema-direita. Surge por outras questões: a crise do Partido Popular e, sobretudo, a reação ultranacionalista espanhola ao movimento independentista na Catalunha — o outono catalão de 2017.

Madrid, Espanha, 8 de fevereiro de 2025. Participantes na cimeira de extrema-direita "Patriots for Europe" no final do evento. Da esquerda para a direita: André Ventura, líder do partido populista de direita português Chega, o político holandês de extrema-direita Geert Wilders, a líder francesa de extrema-direita Marine Le Pen, o líder do partido espanhol de extrema-direita VOX, Santiago Abascal, e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban. (AP Photo/Paul White)

As estratégias são muito semelhantes. Há um investimento notável em propaganda digital, aliado à difusão de mentiras, fantasias conspirativas e alegados complôs com um objetivo claríssimo: normalizar as ideias da extrema-direita, tornar aceitáveis discursos que, até há bem pouco, não o eram.

Um exemplo: a teoria da Grande Substituição é uma fantasia conspirativa segundo a qual haveria uma elite mundial, representada por figuras como George Soros, que está a substituir a população branca europeia com imigrantes vindos de África e Ásia, essencialmente muçulmanos. Isto não se sustenta em dado algum, é uma teoria difundida desde há cerca de 15 anos pelo escritor francês Renaud Camus. Esta teoria já existia antes, com outros nomes. A diferença é que, há 30 ou 40 anos, ninguém com dois dedos de testa e responsabilidades na política, ou na imprensa generalista, teria a coragem de considerar, sequer, uma teoria assim. Não se podia falar dela em público, mas hoje já é possível.

Há um investimento notável em propaganda digital, aliado à difusão de mentiras, fantasias conspirativas e alegados complôs com um objetivo claríssimo: normalizar as ideias da extrema-direita."

A difusão de discursos de ódio, narrativas extremistas, boatos, alegados complôs, serve para normalizar ideias consideradas inaceitáveis até há pouco, e conquistar assim a hegemonia cultural — um dos grandes objetivos da extrema-direita, e o primeiro passo para conquistar a hegemonia política. E também serve para polarizar o debate público. Uma sociedade mais polarizada afetivamente, não apenas ideologicamente, é um terreno fértil para os partidos de extrema-direita e a difusão destas ideias. Serve ainda para marcar a agenda mediática, para que falemos do que eles querem e da forma como querem. Temos de jogar no campo deles e falar dos temas que escolheram.

Outra questão-chave para a extrema-direita é manter a iniciativa política, e, ao mesmo tempo, aumentar a desconfiança da cidadania nas instituições. Os níveis de desconfiança ultrapassam, em muitos casos, os 70%, e é impensável que um sistema democrático aguente muito tempo nestas condições.

Além de utilizar meios digitais, a estratégia passa também pelos meios tradicionais, os debates nas televisões, os programas de rádio, os podcasts... a extrema-direita tenta viralizar-se com um bombardeamento contínuo de ideias extremistas. E pouco a pouco vai deslocando as linhas vermelhas.

Um exemplo concreto que diz respeito ao Vox: o conceito de remigração. Não é um conceito novo, só que, até há pouco, só era utilizado pelos neonazis, e hoje há membros do Vox que dizem que, em Espanha, é preciso deportar oito milhões de migrantes — um número que nem sequer é real, porque implica expulsar pessoas com nacionalidade espanhola. E a razão seria a sobrevivência do povo espanhol — ou seja, um discurso neonazi, que empurra uma linha vermelha.

É o mesmo que está a fazer Trump, e que permite que se fale, cada vez mais, destes assuntos. Há cada vez mais gente a achar que são normais: se quem o diz é Trump, ou Abascal, se calhar não são ideias tão descabidas quanto isso. Aumentam assim a polarização e a desconfiança, com ataques às instituições, que alegadamente contam mentiras — também em relação às alterações climáticas, ou à mal chamada "ideologia de género". Mas o que se passou em Espanha recentemente foi muito grave, uma caçada, um pogrom do século XXI frente a populações migrantes, principalmente muçulmanos, em Torre Pacheco, na província de Múrcia.

Como explica os acontecimentos em Torre Pacheco? Nesse município do Sul de Espanha, o Vox obteve resultados espetaculares nas eleições gerais de 2019 e 2023...

Há várias razões. O grande aumento da população imigrante, nomeadamente de origem magrebina, nos últimos 30 anos — um aumento relacionado com o tipo de economia de Torre Pacheco, uma agricultura assente em estufas onde já não trabalham espanhóis. Para esta agricultura intensiva são necessários trabalhadores que, ainda por cima, são mal pagos e trabalham em condições inaceitáveis.

13 de julho de 2025. Agentes da polícia espanhola prendem manifestantes na então terceira noite de tumultos em Torre Pacheco, Múrcia, Espanha. (Fotografia de Olmo Blanco/Getty Images)

Por outro lado, Múrcia é, desde há muitos anos, um feudo da direita espanhola. A direita continua a governar por lá com maiorias absolutas. É um lugar que se transforma, a partir dos anos 90, num feudo conservador. O Vox obteve os seus melhores resultados em Múrcia porque houve, como noutras partes de Espanha, uma transferência de votos do PP para o Vox. O PP era visto como fraco em relação à Catalunha, mas também tinha explodido o Caso Gürtel e vários outros casos de corrupção durante o Governo de [Mariano] Rajoy [líder do PP entre 2004 e 2018].

O Vox soube capitalizar o descontentamento e a insatisfação de uma parte do eleitorado conservador. Mas, contexto à parte, o Vox "comprou ações Trump", como disse Enric Juliana, com razão, em 2024. Antes, portanto, da vitória nas presidenciais. Apostaram em Trump e correu-lhes bem. Trump está a desumanizar os migrantes de uma forma clara, e o Vox está a importar essa linguagem e essas propostas para aumentar ainda mais a tensão em Espanha.

A vontade de Vox é de enfraquecer de derrotar ou expulsar o 'sanchismo'.

Mais um elemento: em Espanha governa a esquerda, uma coligação de esquerda enfraquecida e muito limitada no Parlamento — o Governo de Pedro Sánchez. A vontade de Vox é de enfraquecer de derrotar ou expulsar o 'sanchismo', como diz a direita espanhola, não apenas o Vox, e provocar uma mudança no Governo. E é assim desde 2023, desde as últimas eleições legislativas. Basta pensar no cerco à sede do PSOE defendido também pelo Vox, não só pelos grupos mais 'neofalangistas'. Sem a intervenção das forças de segurança, o cerco teria acabado como Capitol Hill [distúrbios em Seattle] em 2020, ou a destruição do sindicato CGIL em Itália, em 2021.

O Vox utiliza as redes sociais, mas não só o Vox: também 'influencers' de extrema-direita como Alvise Pérez, Vito Quiles, ou Javier Negre... Grupos que estão ainda mais à direita que o Vox...

Como o Desokupa, o Deport Them Now...?

Sim, o Deport Them Now surgiu recentemente, mas segue a mesma linha... São hiperativos nas redes sociais, onde tentam aquecer o ambiente e lançam consignas que não se limitam a difundir narrativas, ou palavras que desgastam a nossa democracia. Trata-se de uma 'call to action' [um apelo a uma resposta imediata].

No caso de Torre Pacheco, difundiram boatos sobre uma pessoa estrangeira que foi detida — e, efetivamente, houve um estrangeiro detido...

Sim, os dois suspeitos de agressão eram de origem magrebina, mas nem sequer eram residentes em Torre Pacheco, estavam lá de passagem...

Ainda por cima. Mas era uma desculpa para aumentar a tensão. A análise da forma como se espalharam os boatos da campanha de ódio digital — a 'call to action' que dizia "vamos todos a Torre Pacheco" teve como resultado o que vimos, uma caçada de filme de cowboys, um pogrom do século XIX contra os judeus, só que no século XXI, num país da União Europeia, e contra população de origem magrebina que reside nessa terra.

Pedro Sánchez em 2023 (Foto AP)

A Espanha tem de facto um Governo progressista muito fragilizado. Diria que o Vox é a melhor garantia, ou uma espécie de salva-vidas, para que Pedro Sánchez e o PSOE levem a legislatura até ao fim, até 2027?

Sim, em 2023 o Vox esteve na origem da 'remontada' da esquerda, nomeadamente do PSOE, nas eleições de julho de 2023, por causa dos pactos entre o PP e o Vox nas comunidades autónomas e nas câmaras em maio de 2023 — ou seja, poucas semanas antes das eleições legislativas [ganhas pelo PP mas sem os votos suficientes para governar]. Continua a ser uma garantia neste momento, isto é, o facto de haver uma maioria parlamentar que não quer uma moção de censura contra Pedro Sánchez, nem sequer por parte do PNV [Partido Nacionalista Basco] e do Juntos pela Catalunha, que são partidos de centro-direita ou direita democrática. E mantêm com vida a coligação de esquerda porquê? Porque não podem pactuar com o PP, porque iriam pactuar também com o Vox, que quer destruir as comunidades autónomas em Espanha — entre outras, coisas fulcrais para os nacionalismos catalão e basco.

Por enquanto, continua a ser um impedimento. A pergunta é: até quando vai funcionar? Os números são claros, porque a direita continua a subir. O PP mantém-se como estava em 2023, mas o Vox sobe, e há uma aritmética parlamentar numas novas eleições. Por outro lado, vemos em todo o mundo uma radicalização da direita e uma aceitação dos pactos com a extrema-direita. A esmagadora maioria dos votantes do PP aceitariam, e já aceitaram a nível local, pactos de governo com o Vox.

Uma questão de fundo é o bicho-papão, que está a perder força na Europa. Pode ter funcionado a primeira ou a segunda vez, mas cada vez funciona menos. Nos EUA, todos sabiam quem era Trump e o que tinha feito, o assalto ao Capitólio em 2021. Falou-se até de fascismo — a Kamala Harris durante a campanha, mas também membros do Exército que estiveram na primeira administração Trump. Isso não impediu a vitória de Trump nas presidenciais.

Disse que um dos fatores que explicam o êxito do Vox foi a reação ultranacionalista espanhola ao processo independentista na Catalunha. Mas esse fator não existe em Portugal. Como explica a progressão do Chega, que nas últimas eleições foi o segundo partido mais votado?

Por um lado, por uma questão que também serve para a Espanha para além do processo independentista. Espanha e Portugal não estão noutro planeta, fazem parte da Europa, onde temos partidos de extrema-direita em todos os parlamentos com a única exceção de Malta. O grande debate que houve em tempos sobre a 'excecionalidade ibérica', e as respostas que surgiam sobre os anticorpos criados pelas ditaduras em ambos os países...

23 de março de 2024. André Ventura, terceiro da direita segurando um telemóvel, tira uma selfie com o norte-americano Vivek Ramaswamy, ao centro, e o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini, à esquerda, no final do comício «Ventos de Mudança - Rumo a uma Europa de Cooperação», em Roma, Itália. (AP Photo/Alessandra Tarantino)

Todas essas explicações caíram por terra.

Como um castelo de cartas! Estamos a falar de dinâmicas globais, que são estruturais nas nossas democracias, e de ideias que mexem com as pessoas. Os elementos estavam presentes e depois há gatilhos, razões que permitem a entrada em cena destes partidos.

Em Espanha houve a reação ao processo independentista como elemento-chave, aliado ao enfraquecimento da direita tradicional. Em Portugal, não podemos perder de vista a influência de Bolsonaro, que ganha as eleições em 2018. Ventura entra no Parlamento português em 2019, como deputado único do Chega. Mas em Portugal também houve um enfraquecimento da direita tradicional: o PSD não estava na melhor forma em 2019, e nesse ano confirmou-se o segundo mandato de [António] Costa com uma participação mais sólida da esquerda à esquerda do PS.

A reação contra a esquerda é outro elemento-chave. Um exemplo: a Frente Nacional de [Jean-Marie] Le Pen teve o seu primeiro êxito em 1984, numas europeias, as primeiras eleições importantes depois da vitória de [François] Mitterrand em 1981, que teve no primeiro biénio uma coligação com o Partido Comunista francês. Não foi por acaso que, num momento de crise do gaullismo, entre em cena Le Pen e consiga 10% dos votos numas eleições europeias, onde o voto de protesto sempre foi mais importante e a participação mais baixa.

Podemos concluir então que a ascensão do Chega foi uma reação à 'geringonça' que uniu, pela primeira vez, o PS com os comunistas e o Bloco de Esquerda?

Em parte, sim, mas não foi só por causa do acordo do PS com as forças mais à esquerda. A extrema-direita atual vê as forças social-democratas como castro-chavistas, bolcheviques, forças que estão a destruir o Ocidente. No último Governo de Costa, o PS tem maioria absoluta e não muda absolutamente nada. É uma reação frente a um inimigo existencial que põe em causa, supostamente, os valores da nação e do povo português.

O contexto global também é importante: em 2016 vence Trump e acontece o Brexit. Em 2017, a AfD [Alternativa para a Alemanha, extrema-direita] entra com força no Parlamento alemão. Em 2018, dão-se as vitórias de Bolsonaro e da Liga em Itália... esse contexto ajuda a explicar os primeiros êxitos do Chega e do Vox.

Depois há as dinâmicas nacionais e razões estruturais que são utilizadas por todas as formações de extrema-direita, como o aumento das desigualdades. Estamos a arrastar 40 anos de modelo neoliberal... A classe média encolheu, o trabalho precarizou-se, o Estado do bem-estar é mais frágil, o elevador social não funciona. Tudo isso gera insatisfação e raiva numa parte da população. Se os partidos tradicionais não dão respostas a estas exigências legítimas, mais cedo ou mais tarde, os eleitores tentam soluções diferentes.

Há ainda a chamada 'cultural backlash', uma reação cultural. As nossas sociedades estão a viver mudanças: uma série de novos direitos, questões como a igualdade de género, o coletivo LGBTI, o aborto, a chegada de população migrante... Tudo isso cria receios, temores, inclusive medo na população. A extrema-direita capitaliza estes medos, esta reação cultural, eleitoral e politicamente.

Outra causa estrutural: as nossas sociedades liberais têm problemas de confiança, ligação e participação. A abstenção cresceu em quase todos os países e as sociedades estão cada vez mais atomizadas. Primeiro, pelo impacto do neoliberalismo como ideologia: individualismo exacerbado, etc. Segundo, as novas tecnologias geram sociedades mais esfarrapadas, menos compactas. Em terceiro lugar, temos a crise dos corpos intermédios, que são os partidos, sindicatos, associações da sociedade civil que são uma sombra de uma sombra do que foram.

Os sindicatos em Portugal perderam, de facto, muita da força que em tempos tiveram. Mas Portugal é também o país da OCDE onde o acesso à habitação é mais difícil, onde o desfasamento entre os preços do imobiliário e os salários é maior. Por outro lado, como não está no Mediterrâneo e não recebe os fluxos de norte-africanos que chegam à Espanha ou a Itália, não tinha, até há bem pouco, um aumento significativo de população migrante. Mas isso mudou nos últimos sete ou oito anos.

Os migrantes são o grande estandarte da direita na Europa e nos EUA. Mais uma vez, quem começou foi Le Pen, porque em França havia, já nos anos 80, uma comunidade de origem estrangeira mais numerosa do que no sul da Europa, onde quase não havia. Já nos anos 70, lança um cartaz com a mensagem "Um milhão de estrangeiros significa mais um milhão de desempregados".

Em Portugal, como disse, aumentou muito a população de origem estrangeira nos últimos anos — tal como tinha aumentado em Espanha ou Itália duas décadas antes. Mas os migrantes são apenas um dos elementos, não são o único. Para a extrema-direita, são uma das suas bandeiras e servem para dificultar o debate público. É ainda um assunto que mexe muito com uma parte do eleitorado: o outro, o diferente, o que nos tira o emprego, o que aumenta a insegurança nas ruas — mesmo que não seja verdade, os dados revelam que não é.

Quanto à crise da habitação, não há qualquer dúvida, nomeadamente em Lisboa e no Porto. Houve uma mudança brusca no início da década passada que depois se agravou nos últimos cinco ou seis anos, também noutras zonas do país. É outro elemento-chave em toda a Europa, e um problema dramático em Espanha — um dos poucos países onde houve protestos, com dezenas de milhares de pessoas em Málaga, Madrid, Barcelona... É uma questão em todas as cidades grandes e médias do continente, e por isso está no centro do debate político. Há uma incapacidade, e uma enorme dificuldade, mesmo quando existe vontade política, para enfrentar o problema. E isto acontece porque mexe com uma questão-chave: o sistema neoliberal, que é transversal. E, às vezes, há decisões adotadas com grande coragem, como foi o caso de Ada Colau em Barcelona, que são um pouco como tentar pôr portas no campo, como se diz em Espanha.

É um pouco como a turistificação. O que fazer? Limitar o número de voos? Aumentar os preços de entrada ou as taxas turísticas? São dinâmicas globais que não podem ser travadas por uma câmara, nem sequer por um governo. Podem fazer-se políticas mais arrojadas para financiar a habitação pública, construir mais fogos... mas claro que há insatisfação e raiva, principalmente entre os jovens, quanto ao problema da habitação. E se ninguém oferecer uma saída, mais cedo ou mais tarde as pessoas vão tentar outras soluções, coisas novas. E neste momento, a novidade na Europa é a extrema-direita.

Em Portugal, a extrema-direita também marca a agenda política, porque o Governo não está a falar de habitação ou igualdade, está a falar da lei da nacionalidade, de acabar com a educação sexual nas escolas. Há quem diga que há uma 'cheganização', uma radicalização do PSD, porque quem marca os debates e os tempos de antena é André Ventura.

Acontece o mesmo em Espanha, onde o PP está a 'voxizar-se'. É a 'lepenização' dos espíritos de que se falava em França já nos anos 90. Acontece quando um partido de extrema-direita consegue marcar a agenda mediática, e deslocar a opinião pública, e ainda os partidos de centro e de direita, mais à direita.

Há duas questões importantes: uma é a cedência dramática, que é também um suicídio político, da social-democracia nos países onde ainda governa frente a posições da ultradireita em assuntos como a imigração e não só. O Reino Unido de [Keir] Starmer, a Dinamarca de [Mette] Frederiksen, e antes disso a Alemanha de [Olaf] Scholz, seguem uma lógica que não faz qualquer sentido e que todos os estudos mostram que é errada: fazer coisas de extrema-direita para evitar que a extrema-direita suba ainda mais. Conseguem o oposto: alcatroar uma autoestrada para a extrema-direita.

Outro elemento evidente e dramático é que a direita democrática, na maior parte dos países, está a monte. Está a deitar no lixo o pacto posterior a 1945 — ou a 1974-77, se estivermos a falar da Península Ibérica — no qual a direita aceitava as regras do jogo democrático e havia linhas vermelhas inultrapassáveis. Algumas linhas vermelhas já não existem na maior parte dos países.

Estamos a assistir a uma 'ultradireitização' da direita tradicional que não só perdeu o norte, também não tem um projeto de país, não tem receitas para o mundo atual. Há uma profunda crise de identidade da direita tradicional que suscita o medo e que está a ser canibalizada pela extrema-direita e a transformação de partidos conservadores em partidos de extrema-direita. Ou então fazem pactos com a extrema-direita quando é necessária para governar.

Isto está a acontecer também, com algumas variações, em Espanha e Portugal. [Luís] Montenegro tinha repetido, até em campanha, que havia linhas vermelhas com o Chega, mas nas primeiras semanas de governo adotou uma série de decisões que seguem a agenda do Chega.

Alice Weidel, da AfD

Alice Weidel, a líder da AfD, defende a família tradicional e a remigração. Ao mesmo tempo, é casada com uma mulher de nacionalidade estrangeira de origem asiática, mais concretamente do Sri Lanka. Diria que há também um fator de incoerência na extrema-direita 2.0?

JD Vance é casado com uma mulher de origem indiana. Donald Trump não tem propriamente uma família tradicional. Giorgia Meloni, também não. Matteo Salvini, menos ainda. Santiago Abascal é divorciado, Marine Le Pen também. Milei tem "filhos de quatro patas"... nenhum dos líderes da extrema-direita segue o modelo tradicional de família ou cumpre o que defende.

O caso de Weidel é interessante porque é lésbica e tem uma parceira. Há uma tentativa de parasitismo ideológico, de dizer: "atenção que nós não somos só assim, também podemos ser assado". É uma forma de conquistar eleitores, tal como a feminização de rostos do chamado 'feminacionalismo": utilizar a alegada defesa dos direitos das mulheres no Ocidente frente à ameaça da islamização. Utilizar a rejeição aos imigrantes para dizer, como Meloni ou Abascal, que eles, sim, defendem as mulheres, ao passo que a esquerda abre as fronteiras e deixa entrar pessoas que violam e querem impor o véu.

É claro que há uma profunda incoerência, mas estamos numa época em que o que se passou ontem já foi esquecido. Não só porque a extrema-direita joga com este bombardeamento constante, mas também porque estamos na época da 'infocracia', como diz Byung-Chul Han, um bombardeamento de informação contínua que torna quase impossível reter o que está a acontecer e recordar o que se passou há 24 ou 48 horas.

Essa incoerência da extrema-direita não faz diferença. Se pensarmos que criticar a incoerência lhes vai tirar votos estamos muito enganados. As mulheres brancas, nos EUA, continuam a votar, desde 2016, maioritariamente em Trump, apesar de saberem o que Trump faz e diz sobre as mulheres.

 

Pela sua dimensão e proximidade, Espanha funciona também como um espelho — ou mesmo bola de cristal — para muitos assuntos que estamos a viver em Portugal ou que vão bater à nossa porta. Assim nasce O Espelho Espanhol, uma série de cinco entrevistas sobre grandes temas que dominam a atualidade em Espanha. Não perca a entrevista seguinte de O Espelho Espanhol no próximo sábado. 

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