Assassino em série e feminicida que atuava em Espanha condenado a mais de 159 anos de prisão

CNN Portugal , FMC
2 set, 08:50
Jorge Ignacio Palma é condenado a mais de 159 anos de prisão em Espanha (Twitter)

Em termos efetivos, Jorge Ignacio Palma, culpado pela morte de três mulheres, ficará preso 40 anos

Jorge Ignacio Palma tem 40 anos e foi agora condenado a uma pena de prisão de 159 anos e 10 meses pelo Tribunal Provincial de Valência, em Espanha, ainda que, na prática, tenha pela frente 40 anos de prisão efetiva. Este é o desfecho de atos atrozes de um assassino em série e feminicida, como foi classificado pela acusação.

O modus operandi de Palma consistia em contratar jovens para serviços sexuais que incluíam o consumo de cocaína, introduzindo, durante o encontro e sem o consentimento das mulheres, doses da droga nos órgãos genitais e no ânus das vítimas, com a intenção de subjugá-las e, subsequentemente, assassiná-las, conforme relata o El País

Palma foi considerado culpado pelo homicídio de três jovens: Arliene Ramos, de 32 anos, Lady Marcela Vargas, de 26 anos, e Marta Calvo, de 25 anos. Este último foi o caso que desencadeou todo o processo de investigação contra Palma, ainda que não tenha sido a primeira jovem a morrer nas suas mãos. 

A 7 de novembro de 2019, o rasto de Marta Calvo foi perdido depois de ter sido atraída para um encontro sexual com um homem na pequena cidade de Manuel, em Valência. Passado mais de um mês, Palma entregou-se à Guarda Civil espanhola, admitindo que tinha desmembrado o corpo da jovem e atirado os pedaços para contentores do lixo, depois de ter entrado em pânico ao acordar e ver ao seu lado um corpo sem vida. O corpo nunca foi encontrado, indica a agência EFE.

Meses antes, em abril, o arguido já tinha sido investigado pela morte de Arliene Ramos, contudo, o caso tinha sido arquivado depois da autópsia ter concluído que Ramos teria morrido de causas naturais.  

O desenrolar da investigação contra Palma levou a que fosse associado também à morte da terceira mulher, Lady Marcela, em junho de 2019. O método usado era muito semelhante ao de Arliene Ramos, cujo caso foi, então, reaberto. 

Após uma longa investigação e à reunião de inúmeras provas, o processo judicial foi iniciado a 7 de julho de 2022.

O Ministério Público pediu uma sentença somada de 120 anos, devido a dezenas de crimes, que incluíam abuso sexual como meio para cometer o homicídio das três mulheres, abuso sexual de outras dez mulheres, um crime contra a integridade moral por não confessar onde estava o corpo de Marta Calvo e um delito contra a saúde pública.  

Depois de cinco semanas de julgamento e de cinco dias de deliberação, a 22 de julho, foi considerado culpado de todas as acusações, o que incluía, ainda, certos fatores agravantes, como um crime contra o género, uma vez que os crimes hediondos demonstravam uma pretensão de “dominação machista”. 

Um total de 159 anos de prisão, mas uma pena efetiva de 40

Esta quinta-feira, a magistrada Clara Bayarri decretou uma prisão de 159 anos e 10 meses por três homicídios de forma agravada, sete crimes contra a liberdade sexual, seis crimes de tentativa de homicídio agravado e uma infração contra a saúde pública por incitar ao consumo de cocaína nas suas “festas brancas". Este número resulta da soma de cada uma das sentenças. 

Em termos efetivos, terá, apenas, de cumprir 40 anos de prisão, uma vez que a magistrada negou a condenação de prisão permanente passível de revisão, o que deixou a acusação e a mãe de Marta Calvo indignados com o veredicto. A última já manifestou a sua intenção de recorrer da decisão.  

Além disso, Palma é obrigado a pagar volumosas indemnizações. Às vítimas sobreviventes estão destinados 50.000 euros, a cada um dos filhos menores de Lady Marcela deverão ser pagos 70.000 euros e aos pais de Marta Calvo, o valor estabelecido foi de 70.000 euros.  
 

Europa

Mais Europa

Patrocinados