É o acidente mais mortal desde 2013. Há 39 mortos confirmados e mais de uma centena de feridos, alguns em estado crítico
A colisão de comboios em Adamuz (Córdoba), em Espanha, no domingo, causou a morte a pelo menos 40 pessoas e fez mais de uma centena de feridos dos quais 48 estão hospitalizados, 12 nos cuidados intensivos. O comboio que descarrilou primeiro era uma composição privada que viajava de Málaga, na costa sul do país, para Madrid. As carruagens traseiras desse comboio caíram na via oposta, colidindo com um comboio da companhia nacional de caminhos-de-ferro espanhola, que se dirigia para a cidade de Huelva, a oeste de Sevilha.
No local as autoridades continuam a tentar encontrar vítimas que ainda possam estar presas nos escombros, pelo que se teme que o número de mortos e de feridos ainda possa aumentar.
O acidente de domingo foi o mais mortífero em Espanha desde 2013, quando, em Santiago de Compostela, 80 pessoas morreram depois de um comboio ter saído de uma secção curva da via no noroeste do país.
Isto é o que se sabe sobre o acidente.
O que causou o acidente?
Ainda não se sabe. No entanto, segundo o presidente da Renfe, em declarações à Cadena SER, decorreram 20 segundos entre o descarrilamento e o embate dos dois comboios.
"O Sistema de Controlo Automático de Velocidade (LDZ) está equipado de tal forma que, quando há um obstáculo na via, bloqueia a ranhura e impede o comboio de se mover e ordena uma travagem de emergência. Mas parece que o intervalo de tempo entre um comboio e outro que se cruzaram em direções opostas foi de 20 segundos, pelo que é impossível que este mecanismo tenha funcionado", afirmou.
Álvaro Fernández Heredia referiu ainda que em maio passado partes da ferrovia tinham sido substituídas pelo que "deveria estar em ótimas condições", mas que não pode ser descartado nenhum cenário.
"As duas primeiras carruagens do comboio Renfe estão absolutamente desintegradas e o acesso a elas é muito complicado", assumiu Fernández Heredia, acrescentando que "os trabalhos vão demorar e que ainda há corpos presos" nas carruagens.
Foi um acidente "em circunstâncias estranhas", pelo que “a pior coisa que podemos fazer agora é especular", observou ainda o responsável, sublinhando que as causas do acidente vão demorar a ser conhecidas, bem como a retoma da circulação ferroviária nesta linha de alta velocidade.
Quem são as vítimas?
A Guardia Civil está a trabalhar na identificação dos corpos e enviou para o local agentes especializados em ADN e impressões digitais, incluindo alguns que participaram em 2024 nos trabalhos de atribuição de nomes às vítimas da DANA.
Foram ainda abertos gabinetes nas esquadras de Huelva e de Córdoba para facilitar que os familiares diretos das vítimas mortais e dos desaparecidos possam mais facilmente comunicar os dados, bem como para a recolha de ADN.
De acordo com fontes das forças armadas, citadas pelo El País, esta é a principal prioridade após a implementação do protocolo de atuação da polícia médico-legal e científica em eventos com múltiplas vítimas.
No local do acidente estão membros da Equipa Central de Inspeção Ocular (ECIO), também do Serviço de Criminalística da Guardia Civil, para recolher imagens e amostras para investigar as causas do acidente. A Unidade de Polícia Judiciária do Comando de Córdoba encarregou-se das investigações.
Comboio tinha sido inspecionado há três dias
Segundo o comunicado da Iryo, empresa responsável por uma das composições envolvidas na colisão, "o comboio 6189, que efetuava o trajeto Málaga-Madrid, partiu ontem, domingo, 18 de janeiro, da estação de origem às 18:40, com 289 passageiros, quatro tripulantes e um maquinista a bordo".
"Às 19:45, e por causas ainda desconhecidas, o comboio invadiu a via contígua. Tal como indicou ontem o ministro dos Transportes, trata-se de um acidente ocorrido num troço reto da linha, sendo que o comboio em circulação era de nova construção, fabricado em 2022, e cuja última revisão foi realizada no passado dia 15 de janeiro", lê-se na nota.
Ou seja, três dias antes do acidente, o comboio da Iryo foi alvo de revisão.
Comboios circulavam abaixo da velocidade máxima
O troço onde aconteceu o acidente é uma reta e a circulação está limitada a 250 quilómetros por hora. Os comboios envolvidos na colisão circulavam a 205 e 210 km/h, segundo a Renfe.