Ana viu a irmã ficar ferida a proteger o cão, Rocío foi "arremessada pelo ar": os relatos de quem sobreviveu à colisão entre comboios de alta velocidade

19 jan, 16:38

Uma das testemunhas descreve que o comboio em que seguia começou a abanar antes de colidir com o que seguia no sentido contrário

Ana Aranda, 26 anos, viajava com a irmã no comboio Iryo que fazia a ligação entre Málaga e Madrid, que colidiu com a composição que seguia no sentido contrário. As duas foram resgatadas e levadas para o hospital, mas Ana dificilmente esquecerá o que viu. Ao jornal espanhol “El País” disse ter visto pessoas a morrer à sua frente, "sem poder fazer nada"

A sua irmã, que está grávida e foi identificada pelo jornal “El Mundo” como Raquel, foi internada nos cuidados intensivos em estado crítico. A família está a aguardar novidades sobre o seu estado de saúde e revela que até ao momento não tem “nenhum prognóstico”. Raquel terá ficado ferida ao tentar proteger Boro, o cão de Ana: “Acho que ela se aleijou ao tentar proteger o cão”, contou a irmã.

Enquanto aguarda informações sobre Raquel, Ana está à procura de Boro, que desapareceu depois do descarrilamento. 

Ao “El Mundo” Ana contou que, antes da colisão, “o comboio começou a andar muito depressa, a mexer-se imenso e a inclinar-se e a guinchar”. Nas duas composições seguiam cerca de 500 pessoas, perto de 300 passageiros no comboio de Ana e Raquel.

Rocío Flores, advogada, 30 anos, que está sob observação num hospital de Córdoba devido às “pancadas na cabeça e aos vómitos”, descreveu “um caos total” ao “El País”. “Foi terrível. Fomos arremessados pelo ar. Graças a Deus estou bem, mas havia muitas pessoas em situação pior do que a minha”, contou. Também ela estava no comboio Iryo que ia de Málaga para Madrid.

Ricardo Chamorro Cáliz, de 57 anos, viajava no outro comboio, Alvia. A família afirma que está desaparecido e estão a tentar encontrá-lo através de apelos nas redes sociais. O “El País” relata que a mulher de Cáliz procurou o marido em “todos os hospitais da cidade [de Córdoba]”, mas sem sucesso.

A Junta da Andaluzia pediu aos passageiros dos comboios, que não se encontram em estado grave, para utilizarem as redes sociais como forma de informar os familiares e amigos sobre o seu estado de saúde e que estão fora de perigo.

Córdoba, Huelva e Madrid criaram centros de atendimento para as vítimas do acidente e para as suas famílias: é o caso da oferta de alojamento e apoio cedido pela Câmara Municipal de Córdoba, em conjunto com a Cruz Vermelha, no Centro de Educação Ambiental. Em Madrid, o centro de apoio está localizado na estação de Atocha.

Segundo as últimas atualizações, a colisão entre os dois comboios causou 39 mortes e 112 feridos, dos quais 48 continuam internados e 12 nos cuidados intensivos.

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