Magistratura pondera processo disciplinar contra juiz Peinado por dizer que agentes de La Moncloa podiam ajudar mulher de Sánchez a fugir

CNN Portugal , JAV
21 jun, 11:21
Pedro Sánchez chefe governo Espanha com a mulher Begoña Gómez (Juan Medina/Pool via AP)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Em causa está a decisão judicial tomada pelo responsável do Caso Begoña no sábado, quando decidiu retirar o passaporte a Begoña Gómez e a proibi-la de viajar para o estrangeiro no âmbito de um processo judicial por suspeitas de corrupção que vai sentar a companheira do primeiro-ministro espanhol no banco dos réus

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Espanha está a analisar a possibilidade de abrir um processo disciplinar contra o juiz Juan Carlos Peinado, responsável pelo chamado Caso Begoña, após este ter declarado que os agentes da polícia responsáveis pela escola de Begoña Gómez, mulher do chefe do governo espanhol, poderiam ter facilitado a sua fuga de Espanha.

A notícia está a ser avançada este domingo pelo site Europa Press, um dia depois de Peinado ter decidido retirar o passaporte a Gómez e proibi-la de abandonar o país, no contexto do processo judicial que enfrenta por suspeitas de peculato, corrupção e uso indevido de fundos.

Segundo o site, a comissão permanente do Judiciário realizou este domingo de manhã uma reunião extraordinária por videoconferência para decidir se encaminha o caso ao conselho disciplinar para que este possa estudar a formalização do processo. 

De acordo com fontes jurídicas ouvidas pelo Europa Press, os membros da comissão permanente estão a examinar diferentes alternativas e não descartam a possibilidade de convocar uma nova sessão extraordinária para esta segunda-feira, às 9h da manhã em Madrid, para dar continuidade ao debate e tomar uma decisão definitiva.

A reunião de urgência que teve lugar este domingo ocorreu depois de o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, ter enviado à presidente do CSM, Isabel Perelló, uma “denúncia mais enérgica” face às declarações do juiz Peinado sobre os agentes que protegem Begoña Gómez.

A mulher de Pedro Sánchez é suspeita de ter usado a sua influência para obter um cargo na Universidade Complutense de Madrid, bem como de usar recursos públicos e ligações pessoais para promover outros interesses privados. A par dela e da sua assistente pessoal, o juiz Peinado também acusou formalmente o empresário Juan Carlos Barrabés no mesmo processo, por alegadamente ter ajudado Begoña a obter o cargo na Complutense, tendo obtido, de seguida, vários contratos públicos.

Esta não é a primeira vez que a procuradoria-geral solicita a apreensão do passaporte de Begoña Gómez, após uma primeira tentativa frustrada em novembro de 2024, por ocasião da sua planeada viagem com o marido ao Brasil, para a cimeira do G20 realizada nesse mês. Na altura, contudo, Peinado recusou-se a aplicar a medida, que considerou “desnecessária” e “desproporcional” – sob o argumento de que a investigação estava numa “fase inicial”, embora já estivesse em andamento há seis meses.

À data, em declarações que também geraram controvérsia, o magistrado considerou “quase inconcebível” que a mulher de Sánchez pretendesse viver no estrangeiro “por um longo período” dado que “desfrutava” de um estilo de vida e “condições superiores às do cidadão comum residente em Espanha”.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa

Mais Lidas