"Não sei quem é essa senhora, nunca a vi". Dani Alves nega acusação de violação, apesar dos vestígios de ADN, impressões digitais e imagens de videovigilância

CNN Portugal , MJC - atualizada às 21:00
20 jan, 19:53
O jogador brasileiro Dani Alves (AP)

O jogador brasileiro é acusado de violação por uma jovem espanhola de 23 anos. Tudo terá acontecido na noite de 30 de dezembro na casa-de-banho da discoteca Sutton. Juiz ouviu os depoimentos da vítima e do alegado violador e decretou a prisão preventiva devido ao elevado risco de fuga. Entretanto, o clube mexicano Pumas terminou o contrato com o jogador

O futebolista Dani Alves deu entrada esta sexta-feira na prisão Brians 1, em Barcelona, Espanha, por alegada violação de uma mulher na discoteca Sutton, naquela cidade, a 30 de dezembro. O juiz que investiga o caso decretou prisão preventiva sem fiança para o ex-atacante do FC Barcelona após ouvir o seu depoimento e o da vítima. O internacional brasileiro negou ter tido relações sexuais com a jovem, versão contrariada pelas provas recolhidas - impressões digitais, vestígios de ADN - e já analisadas pelos Mossos d'Esquadra. Por outro lado, a declaração da jovem tem sido coerente e sólida, segundo fontes judiciais citadas pelo El Pais.

Os factos terão ocorrido na Sutton, uma discoteca de elite na zona alta de Barcelona. A vítima, de 23 anos, tinha chegado acompanhada de duas amigas. Estavam na área VIP com uns amigos mexicanos, quando um funcionário lhes disse que alguém lhes queria pagar uma bebida: era Daniel Alves e um amigo. A jovem disse que não conhecia o jogador e ele respondeu ironicamente: "Sou jogador de petanca no L'Hospitalet de Llobregat."

O futebolista terá pegado numa das mãos da jovem e aproximou-a do seu pénis. Mais tarde, ele convidou-a a ir à casa-de-banho, onde ocorreu a alegada agressão sexual. A rapariga explicou que tentou sair, mas Dani Alves não permitiu e penetrou-a por via vaginal. Houve um momento de luta entre os dois e a cena, que durou cerca de 15 minutos, terá sido bastante violenta, segundo o testemunho da vítima. Após deixar a área VIP, a jovem dirigiu-se ao hospital Clínic de Barcelona. Só dois dias depois apresentou queixa. O relatório médico das lesões, incluído no processo judicial, é um dos indícios que apontam para uma relação não consensual.

Dani Alves, que esteve com a seleção brasileira no Mundial 2022, teve um passado de sucesso no Barcelona e passou alguns dias de férias na Catalunha, em dezembro, após terminar a prova no Catar. Alves era até aqui jogador dos mexicanos do Pumas - mas, a agência AFP noticiou que, depois de avaliar a situação, o clube anunciou esta sexta-feira que vai terminar o contrato com o futebolista.

O jogador, de 39 anos, acedeu voluntariamente ao pedido dos investigadores de voar do México para Barcelona, para esclarecer o seu alegado envolvimento na agressão sexual. Ao chegar a Barcelona na manhã desta sexta-feira foi detido e levado para a esquadra e, depois disso, apresentou-se perante o juiz. Após 45 minutos de depoimento em que "incorreu em inúmeras contradições", tanto a procuradoria privada - exercida pela vítima - como o Ministério Público solicitaram a sua prisão preventiva. O juiz concordou, alegando elevado risco de fuga: Alves tem capacidade económica para fugir, não tem raízes em Espanha, é brasileiro (país com o qual não há acordo de extradição) e enfrenta um sentença de prisão que poderá variar entre quatro e 12 anos.

Saída de Dani Alves do tribunal de Barcelona (AP)

Dani Alves poderia ter dito que as relações - das quais existem indícios biológicos - foram consentidas. Em vez disso, optou por negar a relação. Essa terá sido a sua ruína, dizem as fontes ouvidas pelo El Pais. Há alguns dias, o jogador enviou um vídeo ao programa "Y ahora Sonsoles", da Antena 3, no qual dizia: “Gostaria de, primeiro, negar tudo. Eu estava ali, naquele lugar, com mais gente, divertindo-me. Toda a gente sabe que eu adoro dançar. Aproveitando, mas sem invadir o espaço dos outro. E, quando uma pessoa vai à casa-de-banho, não perguntas quem lá está”, defendeu-se. E acrescentou que não conhecia de todo a vítima: “Sinto muito, mas não sei quem é essa senhora, não sei quem é, nunca a vi na minha vida. Durante todos estes anos, nunca invadi o espaço de ninguém, muito menos sem autorização, como o iria fazer com uma mulher ou uma menina? Por Deus, não. Já chega, porque magoam, principalmente aos meus, porque eles sabem quem eu sou.”

No seu depoimento perante o juiz, Dani Alves continuou a negar em absoluto qualquer relação com a vítima. Afirmou que o encontro não aconteceu e que foi à casa-de-banho para se aliviar, segundo as mesmas fontes. 

No entanto, a polícia analisou diversas provas incriminatórias, entre as quais vestígios de ADN e impressões digitais. Há também imagens da segurança da discoteca Sutton que, embora não forneçam informações sobre a violação - não há câmaras na casa-de-banho da área VIP - mostram "o estado de espírito" da jovem antes e depois do ocorrido.

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